Tem uma trend rolando nas redes sociais, falando sobre “chamar sua criança interior para tomar um café”. Fiquei pensando se eu devia fazer isso ou não, mas acho que pode ser um pouco traumático para ela o quanto eu já fiz nessa vida, rs. Então achei melhor deixá-la quietinha e encarar sozinha a reflexão dos 36.
Quando eu era mais nova, lá para os meus 20 e tantos anos, achei que, aos 30, estaria com tudo resolvido: uma carreira bem formada numa empresa boa, já que, entre universidade e cursos, estudei um bom tanto. Talvez – mas aqui sempre foi um enorme talvez! – com uma família, vivendo num apartamento legal, como é o esperado de todo mundo. Eu até já tinha saído um cadinho da curva, tinha aí um ou dois livros publicados, então estava na vantagem.

Aí, os 20 foram passando…

Chegaram os 30 e, bem, a comemoração já foi meio fora do que eu tinha pensado. Não foi numa festinha em família, eu simplesmente peguei um avião, atravessei o oceano e fui para a Irlanda. Como faço aniversário no dia de São Patrício, que é o padroeiro do país, quis ver a comemoração de perto e aproveitar para visitar uma das minhas amigas mais queridas, a Agatha. Foi uma experiência incrível, conheci lugares sensacionais (saudades, Kilkeny!) e, de quebra, emendamos dois dias na Inglaterra. Para uma primeira vez na Europa, não foi nada mal. Mas não posso deixar de relembrar o que passava na minha cabeça na época: preciso fazer isso agora, que ainda não tenho filhos. Depois, fica mais complicado. A vida foi acontecendo, fomos lidando com várias perdas muito dolorosas, uma pandemia, uma mudança inteira de vida, a devolução de um apartamento que eu gostava, a abertura de uma empresa que teve seus bons momentos, mais dois livros lançados, um burnout, novos empregos, shows inesquecíveis e uma afilhada.

Mas aí, metade dos 30 também já passaram…

Como era de se esperar (eu acho), fiquei muito mais reclusa e pensativa nas últimas semanas, remoendo coisas que eu nem devia pensar. Até porque, de que adianta agora, nessa altura do campeonato, eu ficar matutando sobre as escolhas que fiz para a minha vida antes mesmo de nascer? Isso vai mudar alguma coisa no curso da minha história? É claro que não. Mas agora, aos 36, é difícil não olhar para trás e tentar entender o que eu fiz da minha vida. Se eu devia ter ficado quieta em determinado momento, se eu realmente devia ter entrado num avião e tentado, pela terceira vez, ficar num país que eu insisto em chamar de “lar”, numa cidade absurdamente gelada. Será que eu devia ter adotado um gato logo agora, que tenho um cachorro idoso, que demanda mais cuidado que antes? Ou se eu devia ter seguido com o meu planinho de ter um filho sozinha, aceitado as regras de uma empresa abusiva e seguido a vida assim mesmo. Mas será que eu teria feito isso? Logo eu, que tenho vergonha de divulgar meus próprios livros e quase cavo um buraco no chão quando alguém fala sobre eles. Será que eu teria corrido esse risco, ou continuaria olhando pela varanda do apartamento, pensando em como a vida lá fora estava acontecendo enquanto eu seguia entocada no meu quarto? Mas, no fundo, será que a vida não continua a acontecer, enquanto eu não decido o que fazer com ela? E será que está tudo bem estar a caminho dos 40 sem ter nada definido, nada pronto e nada muito bem planejado?

É. Esse novo ano está começando cheio de perguntas, cheio de incertezas e de uma vontade imensa de ficar quietinha. Talvez seja o medo do que vem pela frente, talvez seja Mercúrio, que está retrógrado de novo (pelo amor de Deus, alguém ensina esse planeta a girar pro lado certo?), ou só a idade batendo na porta. Mas como o mundo não para de girar, vamos seguir em frente e ver o que vem por aí!===

Enquanto isso, Feliz dia de São Patrício ☘ e bem vindo, 36!

Vamos ver o que essa volta ao sol reserva pra gente!

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