Por: Mariana Pereira
Capítulo 1 – It’s Beginning To Look A Lot Like Christmas
- , você pode deixar a Joanna na escola quando for para o estúdio? – pedi tentando equilibrar minha torrada, minha xícara de leite e o jornal, ao mesmo tempo em que lia as notícias em meu laptop. – Tenho uma reunião logo cedo e estou saindo neste exato momento!
- Mas você prometeu que ia me levar, mamãe – disse a menina mexendo distraidamente em sua tigela de cereal. Olhei-a com carinho. Nossa pequena Joanna tinha crescido tão rápido e já estava a caminho de seus seis anos.
- Eu sei meu anjo – falei acariciando seus cabelos loiros. – Mas essa reunião é importante e surgiu agora.
apareceu na cozinha, com os cabelos bagunçados e sua típica cara de sono. Deu-me um beijo rápido, mordeu nossa filha e sentou-se ao meu lado.
- Não sei por que esse drama todo – disse ele olhando a menina. – É muito mais divertido quando você vai comigo, e não tente negar.
E ela de fato não tentou. Mas só porque achava que eu não sabia que eles paravam na Starbucks mais próxima para comprar muffins de chocolate. me contava e eu o repreendia, mas não falava nada para Joanna. Apesar de achar que era açúcar demais logo cedo, eu não queria que a minha filha crescesse paranoica, achando que vai ter um colapso por causa de um muffin. Nas demais refeições, compensávamos e a convencíamos a comer legumes e verduras. Então estava tudo certo. Terminei meu café em cinco minutos e peguei minhas coisas. Dei um beijo em e me abaixei ao lado de Joanna.
- Papai te leva, mas eu vou te buscar. Combinado?
- Combinado! – disse ela com um imenso sorriso.
Dei-lhe um forte abraço e um beijo carinhoso na bochecha e saí, deixando meus dois amores e enfrentando o dia frio e cinzento de Londres.
Esse era meu sexto Natal com meu marido e minha filha. Lembrava como se fosse ontem o dia em que ela nasceu. Estávamos nos preparando para receber os outros três membros do McFLY em nossa nova casa quando minha bolsa estourou. Acabamos comemorando em um quarto da maternidade. Coloquei o CD de Natal que havia me dado para tocar. Michael Bublé era, sem dúvidas, o melhor cantor do mundo para esse tipo de trabalho. Sua voz doce e suave, junto com o piano ao fundo, fazia qualquer ambiente ficar aconchegante. Continuei com as lembranças brincando em minha mente.
Quem nos recebeu no ano seguinte foi , padrinho de Joanna e, depois de , meu maior companheiro e confidente no McFLY. No entanto, a ceia era sempre em nossa casa, por conta do aniversário de nossa filha. Era o dia 24 com os , o dia 25 com qualquer um deles. O problema era que, seguindo a ordem de sorteios, esse ano o dia de Natal também era para ser em nossa casa. E isso estava gerando pequenas discussões entre todos os membros da banda.
Eu tinha convencido no último ano a deixar nos receber. Mas dessa vez ele estava irredutível. Os dias 24 e 25 seriam em nossa casa nem que ele tivesse que passar o Natal sozinho. E eu estava começando a ficar com medo que isso realmente acontecesse. Pela ordem, seria o anfitrião desse Natal, assim como fora há três anos. , no entanto, não gostava nada da ideia de termos perdido o direito ao dia 25. Era tudo muito confuso e eu só estava preocupada mesmo em manter minha Joanna longe de toda essa bagunça.
Cheguei ao prédio da revista que eu trabalhava. Eu era editora de moda da maior publicação de Londres. Tinha que preparar toda a edição de Ano Novo, escolher roupas para serem fotografadas, checar matérias e escrever o meu editorial. Não era uma tarefa fácil. E ficava pior a cada dia, quando eu topava com um e-mail de algum McFLY. Quando não, dava de cara com eles a minha espera.
- Ei – cumprimentei-o enquanto pegava todas as correspondências com minha secretária.
- Oi – disse ele, beijando minha bochecha. – Tem um minuto?
Apenas confirmei com a cabeça e fui para minha pequena sala, acompanhada por um envergonhado. Ele não se sentia bem com todas as repórteres olhando-o de cima a baixo, cobiçando cada parte de seu corpo.
Minha sala estava cheia de enfeites de Natal, todos colocados por Joanna. A pequena árvore branca em minha mesa também tinha sido escolha dela, assim como as bolinhas cor-de-rosa e as luzes que a envolvia. Joguei todos os envelopes em cima da mesa de vidro e me sentei em minha cadeira, enquanto ocupava o lugar à minha frente.
- Acho que você sabe o que eu vim fazer aqui, né?
Respirei fundo.
- Eu já tentei conversar com ele. Não adianta. não abre mão do Natal em nossa casa.
passou a mão pelo rosto e sorriu para a foto de Joanna em minha mesa. Acompanhei seu olhar. Ele era louco pela menina. Tratava-a como filha e ficava apavorado com a mínima ideia de Joanna se machucar. Era escravo dela e aceitava até mesmo ser cobaia de seus estojos de maquiagem.
- O que vamos fazer? – perguntou ele visivelmente cansado. – não quer nem saber. não vai sair de casa.
- E se ele não for nós não vamos, – falei sincera. – Joanna não vai querer passar o dia longe do pai e nem eu do meu marido.
- Ótimo – resmungou. – E eu não quero passar o dia longe da minha afilhada. Como fazemos?
Encolhi os ombros.
- Eu nunca me meti nas comemorações de vocês. O McFLY já existia quando eu entrei na vida do e eu não tenho o direito de interferir em nada. Torço por vocês, comemoro, sofro junto, mas só me diz respeito assuntos relacionados ao homem, não ao artista – pensei um pouco e resolvi soltar a bomba. – O problema é que isso tá afetando a minha filha, .
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Como assim?
- Joanna está confusa e me pergunta o tempo todo onde passaremos o Natal. Ela ouviu vocês conversando no estúdio e ficou chateada. Disse que não quer nem festa de aniversário, porque isso estava deixando o papai triste.
A boca de se abriu levemente e ele parecia em choque. Mas era a verdade, afinal.
- Eu não sei o que dizer.
Olhei-o com seriedade.
- Vocês precisam resolver isso logo. Temos três semanas para preparar tudo e a comida sempre fica por minha conta e por conta da . Ela tem o filho dela para cuidar também, assim como eu tenho a Joanna. Não podemos mais nos dar ao direito de fazer qualquer coisa de ultima hora, vocês estão cansados de saber disso. Além do mais, nem Papai Noel teremos esse ano, porque essa discussão idiota de vocês não nos deu tempo de contratar alguém para se vestir e cumprir esse papel. E a Joanna espera pela visita dele todos os anos. Não sei nem como vou explicar que ele se atrasou e perdeu a festinha dela!
Olhei meu relógio. A reunião começaria em poucos minutos. Arrumei minhas coisas, separei os textos que minha secretaria tinha deixado em minha mesa e me levantei. Parei atrás de um triste.
- Pense direitinho e converse com os outros – falei e beijei sua cabeça. – Tenho uma reunião agora. Nos falamos depois, ok?
Capítulo 2 – Santa Baby
Eu estava na porta da escola de Joanna. Brincava com os pequenos flocos de neve que caíam enquanto esperava que a professora a liberasse. Um sorriso se formou em meu rosto quando vi minha pequena loirinha de olhos azuis correndo em minha direção.
- Olá, minha boneca – falei pegando-a no colo e a abraçando. – Como foi seu dia?
Joanna beijou minha bochecha de forma carinhosa e agarrou meu pescoço. Era seu ultimo dia de aula e ela teria folga até o dia quatro de janeiro.
- Foi legal – disse animada. – Escrevemos uma carta para o Papai Noel. A professora disse que temos que colocar no pé da árvore, que o duende vai passar e pegar.
Coloquei-a em sua cadeirinha no carro, atenta a todas as palavras que ela me dizia.
- E ela disse quando ele vai passar? – perguntei mantendo a fantasia.
- Tenho que colocar hoje. Talvez ele passe essa noite. Ou amanhã!
Concordei com a cabeça e fechei a porta. Conversei rapidamente com a professora e fui para o carro. e eu nos atentávamos aos detalhes. Por mais que eu não gostasse do Natal quando era mais nova, eu jurava que faria de tudo para que fosse a data favorita dos meus filhos. E parecia que estava dando certo. Se a professora falou que o duende passaria naquela noite, então ele com certeza passaria!
- Mamãe, coloca aquela música?
Olhei-a pelo retrovisor.
- Qual filha? – perguntei fingindo que não sabia.
- A minha música, mamãe! – Joanna respondeu revirando os olhos.
- Sim senhora! – falei ligando o rádio.
- Obrigada.
Little Joanna começou a tocar e minha pequena a cantar baixinho. Quando ela descobriu que seu nome foi inspirado na música do McFLY e ela viu tocar pela primeira vez, passou a se apresentar como “a Joanna da música do papai, do tio , do tio e do tio ”. As pessoas ficavam confusas e eu tinha que explicar toda a história do nascimento dela e o motivo do nome escolhido. No fim, ela mesma se cansou de ouvir aquilo repetidamente e desistiu de falar da música. Mas nunca de ouvi-la.
- Por que eles dizem que eu sou um trampolim beijado pelo sol, mamãe?
Essa era a pior parte. Quando eu tinha que explicar cada frase maluca daquela música desconexa. Convenhamos que nada ali fazia sentido, além do fato de que Joanna era um sonho e o cantor a amava muito.
- Filha, aprenda uma coisa – falei parando no semáforo. – Nunca tente entender o que seu pai e seus tios escrevem. Isso vai fazer com que você não enlouqueça.
Ela sorriu, mas não pareceu satisfeita.
- Eu acho que eles quiseram dizer que você vai ser sempre aquele pedacinho iluminado na vida deles. E que quando eles pensam em você, a vida fica doce como as jujubas – eu estava inventando tudo, mas o que eu podia fazer? Deixar a menina sem respostas? – E o perigo nunca está perto porque você é o anjinho de todos nós.
Aquilo sim tinha funcionado e feito sentido na cabecinha de Joanna. Ela abriu um imenso sorriso e continuou a cantar, enquanto a música repetia sem parar no rádio.
Quando chegamos em casa, notei que o Volvo de não estava na garagem. Tirei Joanna do carro e a ajudei com sua mochila. Ela, claro, correu para a árvore de Natal e colocou sua cartinha lá. Quando ela fosse dormir, eu e a leríamos e faríamos exatamente o que ela tinha pedido. Por sorte Joanna não inventava muito. No ano anterior, escreveu uma das coisas mais fofas que eu já tinha visto.
“Querido Papai Noel.
Eu sou a Joanna Marie e vou fazer cinco anos. A professora disse para a gente escrever uma carta para o senhor e é por isso que eu estou escrevendo. Eu quero pedir que o senhor cuide do meu papai e da minha mamãe, e que eles se amem muito para sempre. E também para o senhor cuidar dos tios , e . Eu também queria um cachorrinho, mas não sei se o senhor tem como fazer um de verdade. Então pode ser de mentira mesmo.
Um beijo.
Joanna”.
Claro que a professora ajudou-a a formular a carta. Mas e eu ficamos realmente encantados com os pedidos dela. Tiramos uma foto juntos, colocamos em um porta-retratos e o embalamos em um pacote colorido. O cachorrinho era a história mais complicada de lidar. Joanna tinha pedido muito um durante o ano e dissemos que ela precisaria crescer um pouquinho primeiro. e eu passávamos muito tempo fora de casa, motivo pelo qual ela tinha ido para a escola aos três anos. Não era justo deixarmos o bichinho em casa, abandonado. Então compramos um cachorro enorme de pelúcia. No dia 25, Joanna deu um grito de felicidade quando o encontrou no pé da cama. Saiu correndo para o nosso quarto, nos acordou dizendo que o Papai Noel tinha passado. Fomos com ela ver o cachorro e eu apontei o outro pacote. Quando ela viu nossa foto, ficou com os olhinhos marejados. O porta-retratos está na sua mesa de cabeceira e ela tem um carinho imenso com aquela foto.
Comecei a preparar o jantar quando a vi passar pela cozinha. Ela carregava uma pequena bolsa e fui direto para sua casinha na árvore. havia mandado construir aquele pequeno espaço em nosso jardim logo que ela nasceu. Com o passar dos anos, fomos decorando de acordo com as coisas que ela gostava. Joanna passava horas lá, brincando, ouvindo músicas. Fazia festinhas para as bonecas, para as amigas. E deixava tudo na mais perfeita ordem depois, o que realmente me espantava. Quando abri o armário, vi um pacote de pipocas que havia comprado. Coloquei um pouco em um potinho e fui para o jardim. Subi as escadas e bati na porta da casinha. Joanna abriu só metade, o que me intrigou.
- Vim trazer um pouco de pipoca para a minha vizinha favorita – falei tentando ver o que ela estava fazendo.
- Obrigada senhora – respondeu ela, pegando o pote das minhas mãos.
- Não vai me convidar para entrar, senhorita ?
Ela olhou dentro da casinha e fez uma careta.
- Hoje não vai dar. Estou fazendo faxina. Tchau! – e bateu a porta na minha cara. Educação igual à do tio , sem dúvidas.
voltou para casa de péssimo humor. Tinha ido até a casa de , numa reunião convocada pelo mesmo. Não conversamos muito, o que deixou Joanna desconfiada. Ajudei-a a tomar banho, coloquei-a na cama e desci, deixando-a a sós com o pai para conversar e cantar, coisa que eles faziam todas as noites. Olhei a árvore de Natal. Alguma coisa estava faltando ali, mas eu não consegui identificar o que era. Peguei a carta da minha filha e fui para a cozinha.
“Querido Papai Noel,
Sou eu de novo. A Joanna Marie . Obrigada pelos presentes do ano passado. Mamãe diz que sempre temos que agradecer, então estou agradecendo pelos meus. Neste Natal, eu queria ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha. Minha melhor amiga, Annie, tem uma irmã e é muito legal. Elas brincam juntas o tempo todo. E eu também queria pedir para o senhor falar para o papai não brigar com o tio . Eu não queria ver os dois de mal. Eu acho que o problema é a minha festa de aniversário. Então eu quero que o senhor fale para a mamãe que eu não quero mais festa. Mas tem que falar logo, Papai Noel. O Natal está chegando e se o senhor não correr, a mamãe vai fazer a festa e o papai vai brigar com o tio . Espero que o senhor possa me ajudar.
Um beijo.
Joanna”.
Aquilo realmente partiu meu coração. Não a parte do novo membro da família. Isso eu tinha achado fofo demais e, bem, já tinha conversado com sobre aumentar a família. Estávamos tentando. Mas ver minha Joanna abrir mão de seu aniversário em nome da amizade do pai e do tio foi demais. Liguei para e pedi que ela ficasse com Joanna. Expliquei-a o que tinha acontecido e ela concordou na hora. Levaria minha filha e Josh, filho adotivo dela e de , ao cinema. Assim que desliguei o telefone, mandei uma mensagem no celular de cada McFLY, incluindo meu marido.
“Reunião amanhã, às 14h, na minha casa. Ai de vocês quatro de não aparecer!”
Fui para o escritório no andar superior da casa e encontrei com no corredor.
- O que houve? – perguntou ele em voz baixa. – Ah! Nova carta! Posso ler?
Ele adorava as cartinhas de Joanna e guardava com o maior amor. Neguei com a cabeça e continuei meu caminho, seguida por ele. Tirei quatro cópias da carta, grifei algumas partes e lhe entreguei uma.
- Leia com muita atenção, – falei séria. – É sobre isso que vamos falar amanhã. E se vocês não se resolverem, eu juro por Deus que vou pegar a Joanna e ir para o Brasil. Nenhum de vocês vai passar o Natal com a minha filha. Entendeu?
Ele me olhava espantado. Deixei-o sozinho no escritório e fui para o nosso quarto. Me troquei e deitei. Ainda era cedo, mas eu não queria discutir mais sobre o assunto. Fingi que estava dormindo quando ele entrou e não nos falamos até o dia seguinte.
Na manhã daquele sábado, Joanna saiu com e Josh. Mantive o máximo de distancia de , falando com ele apenas o necessário. Eu não suportava ver minha filha triste, ainda mais por conta de dois marmanjos que eram mais crianças do que ela. Às 14h em ponto, o McFLY todo estava reunido em minha sala. Distribuí as cópias das cartas e olhei a lareira.
- , você pegou o Papai Noel que estava aqui no chão? – perguntei confusa.
- Não. Eu nem tinha reparado nele, na verdade. Tem certeza que colocou aí?
Fiz que sim com a cabeça. Mas talvez eu tivesse colocado na varanda ou em qualquer outro lugar. Aquilo não importava de fato.
- Que linda – disse . – E você conseguiu engravidar ? Ou ainda não sabem?
Cruzei os braços.
- Não foi para isso que eu te entreguei a carta, . Concentre-se nas partes grifadas, por favor.
Ele se encolheu e continuou a ler. bufou.
- Isso não é justo! – resmungou. – Nós passamos o dia 24 aqui com vocês, o dia 25 tem que ser em outro lugar.
- Seguindo qual regra? – perguntei. – Porque nunca estabelecemos nada!
Os quatro ficaram calados e pensativos.
- Durante um tempo nós conseguimos contornar o Natal porque a Joanna e o Josh eram pequenos e não entendiam nada – falei andando pela sala. – Mas agora vocês tem que entender que temos duas crianças que dão importância ao Natal. Eu realmente sinto muito por ter parido no dia 24, ! Não foi minha intenção, de verdade. Mas a minha filha nasceu nesse dia e você pode se sentir à vontade para comparecer ou não à festa dela. Mas eu tenho certeza que a Joanna vai ficar muito triste se você não vier, assim como eu vou ficar. Nós comemoramos o Natal sempre no dia 25 por causa do aniversário dela e vocês sabem disso. O dia 24 é o dia do nascimento da Joanna. Comemos bolo, docinhos. Peru e farofa, só no dia seguinte. Eu quero saber qual é o problema de fazermos o almoço aqui. É a decoração? Querem que eu mude a árvore de lugar?
- Não é isso – disse . – Eu pergunto a mesma coisa. Qual o problema de fazermos o Natal em outro lugar?
- O problema é que nossa casa foi excluída do Natal – respondeu antes que eu pudesse pensar. – E isso é injusto.
A partir daí foi uma confusão. defendia nossa casa, a dele. defendia o Natal da Joanna e não sabia em qual time ficar. Respirei fundo. Aquele falatório estava me deixando cansada. Senti uma leve tontura e me apoiei na lareira.
- ? – apareceu ao meu lado em segundos. – O que houve, amor?
- Vocês estão me deixando maluca – respondi já me sentindo melhor.
- Olha, eu sinto muito – disse se levantando. – Mas eu não abro mão do Natal na minha casa.
Levantei as sobrancelhas. Nada aquilo tinha adiantado então?
- Ótimo – respondeu . – Teremos uma festa aqui também. Então quem quiser, que venha.
- E o aniversário da Joanna? – perguntou .
- Como vou fazer festa para ela desse jeito? Me expliquem! Porque a menina não quer nem saber de comemorar e a culpa é toda de vocês.
- Não podemos deixar passar em branco, – me olhou sugestivo. Eu sabia o que ele queria dizer apenas com um olhar.
- Mas é presente de Natal! – falei me sentindo ainda mais irritada. – Além de estragar o dia 24, vocês estão estragando a minha surpresa para a Joanna!
cruzou os braços e olhou para o lado. voltou a ler a carta e estava mais do que distante.
- Ótimo! – gritei. – Vou para o Brasil com a menina! E que se danem vocês quatro!
- E eu? – perguntou .
- Vai abrir mão e deixar o Natal ser na casa do ?
- Não.
- Então fique com a casa só para você – falei subindo as escadas. Eu tinha duas passagens para comprar e não tinha mais saco para ficar perto deles.
Ao fim do dia, saí com para comprar os presentes das crianças. Ela ainda não se conformava que passaríamos o Natal separadas, mas não tinha outro jeito. Eu não cederia aos caprichos de e .
- Só não me conformo de não ter conseguido um voo para o Brasil – falei olhando algumas bonecas. – Vou ter que ficar em casa com o e a Joanna mesmo.
- Eu não me conformo é com o McFLY desse jeito – ela disse, tentando se equilibrar com tantas sacolas. – Eles nunca brigaram por causa de comemoração de Natal, que merda foi essa que deu agora?
- Não sei, – respondi cansada. – Só sei que a Joanna vai ficar decepcionada porque o Papai Noel não atendeu seu pedido.
- Nenhum deles? – ela me perguntou e olhou para minha barriga.
Encolhi os ombros.
- Não sei ainda. O exame fica pronto no dia 24 de manhã, da para acreditar? – resmunguei.
riu. Continuamos a andar pelas ruas lotadas de Londres.
Já era noite quando voltei para casa. Joanna tinha ido dormir, o que me deu a chance de subir com todos os pacotes e coloca-los em meu quarto. estava no estúdio. Constatei pela luz acesa. Dei um beijo em minha filha e fui até lá. Entrei em silencio. Ele não estava tocando, apenas escrevendo. Sentei ao seu lado e ele me olhou.
- Não quer mesmo desistir disso? – perguntei acariciando sua nuca. – Pensa bem, . A Joanna vai pensar que o Papai Noel não leu a cartinha dela e não a ajudou a manter você e o numa boa.
Ele suspirou.
- Então talvez seja a hora de contar que Papai Noel não existe.
Encarei-o incrédula.
- !
- Desculpa – ele disse passando as mãos no rosto. – Mas nós temos esse direito, . Por que o não pode aceitar?
- Acho que é pelo mesmo motivo que você não aceita. Infantilidade, orgulho. Sabe o que eu acho? Que os dois querem desistir, mas não fazem porque são bobos demais. Mas isso vai ter um preço , pode se preparar. Vai ter um preço para o , para você e para todos nós. O que é bem pior, porque nem eu e nem os outros estamos nessa briga, mas vamos pagar por isso.
- Vão pagar como? – ele me perguntou irônico.
- Eu vou pagar com a tristeza da minha Joanna – respondi me levantando. – Aliás, é incrível como você não está pensando nela. Como o seu orgulho te fez fechar os olhos para sua própria filha!
- Não exagera.
- Não estou exagerando, – falei ficando cada vez mais irritada. – Você só quer saber dessa porcaria de festa de Natal. Não te vi falando em momento algum do aniversário dela. Ou será que isso é menos importante do que ter todo mundo aqui, comendo, bebendo, falando besteiras? Porque eu estou pouco me importando com o dia 25. Quero a Joanna feliz no dia dela, isso é o que me importa.
- Você diz isso porque nunca gostou do Natal – disse ele se levantando. – Eu te ensinei a gostar, caso você não se lembre!
- E o preço que eu pago é ter que ceder aos seus caprichos nesse dia?
- Quem sabe?
Me aproximei e olhei nos olhos dele. Aquela discussão era ridícula, mas ele tinha me feito perder a paciência.
- Então eu voltei a odiar o Natal neste exato momento.
- Oh! – ouvi uma exclamação de surpresa vindo da porta e olhei rápido. Joanna estava ali, presenciando nossa discussão.
- Filha – tentou se aproximar, mas ela correu de volta para casa.
- Parabéns, – falei saindo do estúdio e indo atrás dela. – Começamos a pagar por seus caprichos!
Entrei correndo em casa e encontrei Joanna sentada na escada. Peguei-a no colo e a levei para o quarto, colocando-a de volta na cama. Ela me olhava desconfiada. Suspirei.
- Eu gosto do Natal, filha – falei beijando-lhe a testa. – Gosto desde que conheci o papai, gosto desde quando você nasceu. Agora eu tenho motivos para gostar.
- O Papai Noel não lia suas cartinhas? – ela perguntou, me deixando aliviada. Pelo menos não tinha escutado aquela parte da conversa.
Sorri carinhosa para minha pequena.
- A vovó não me ensinou a escrever cartinhas para ele, filha – respondi sincera. – Ele adivinhava o que eu queria, mas eu nunca escrevi nada.
Joanna pareceu pensar.
- Mamãe, por que você não escreve uma cartinha nesse ano? Pede para o Papai Noel convencer o meu papai a ir para a casa do tio .
A inocência dela era o que mais me encantava. Para Joanna, bastava uma carta e tudo se resolvia. Prometi que escreveria e colocaria no pé da árvore. Esperei até que ela adormecesse e saí do quarto, encontrando sentado no corredor. Ignorei suas tentativas de falar comigo e fui dormir. Não tinha carta e nem Papai Noel no mundo que me fizesse desculpa-lo naquele momento por ter sido tão idiota.
Fiquei um bom tempo sentada na sala, encarando nossa imensa árvore de Natal. Talvez Joanna tivesse razão. Eu podia escrever uma cartinha, não exatamente para o Papai Noel. Mas para outro papai que era muito mais teimoso. Peguei um caderno e uma caneta e voltei a me sentar no sofá. Apoiei o mesmo em meu colo e olhei o fogo devorar a lenha na lareira.
“Querido Papai Noel,
Sei que o senhor sabe quem eu sou e que talvez eu esteja muito velha para escrever uma cartinha. Talvez não dê tempo de o seu duende passar para pega-la, mas não tem problema.
Primeiro eu queria agradecer pelo presente que o senhor me deu há seis anos. Minha pequena Joanna está cada dia mais linda, esperta e sorridente. Aprendo muito com ela a cada dia. Eu não era do tipo de criança que gostava do Natal, mas conhecer o pai dela e me tornar mãe fez com que esse dia passasse a ser o meu favorito. E por falar nele, não sei se foi exatamente obra sua, mas agradeça aos seus amigos por terem colocado em minha vida. Talvez eu não consiga expressar diariamente o amor que sinto por ele, mas é um sentimento imenso e puro. Não gosto quando discutimos. Dormir sem os braços de me envolvendo é estranho. Me sinto vulnerável, como se tudo de ruim pudesse acontecer. Mas é só a mão dele encostar na minha e pronto, tudo fica bem. me ensinou a gostar do Natal. Me mostrou que não é um dia qualquer, que é uma grande oportunidade de apreciarmos o ano que tivemos e de compartilhar as coisas boas com todos que amamos. E eu serei eternamente grata a ele por ter me feito enxergar isso.
Não tenho muito o que pedir nesse ano. Só que o senhor me ajude a realizar o sonho da Joanna de ter um irmãozinho ou uma irmãzinha. Ela quer tanto isso e eu não sei se conseguimos ou não. Além da menstruação atrasada, não tive nenhum outro sintoma e o exame não ficou pronto ainda. Mas estamos confiantes de que conseguimos fazer nosso bebezinho e que, muito em breve, ele estará aqui com a gente, brincando com a nossa Joanna. Outra coisa que eu queria pedir é que o senhor conversasse com o meu marido. Discutir sobre o Natal às vésperas do mesmo não adianta nada. Podemos passar o Natal com o , já avisando que o próximo será aqui. Vale muito mais a pena do que perder essa data tão linda com os nossos amigos, que são como nossa segunda família. Se o senhor abrir a cabecinha dele e o convencer disso, vamos até parar de discutir e isso vai fazer com que eu me sinta melhor. Odeio não falar com . É como não falar com parte do meu coração.
Obrigada e espero que o senhor tenha uma ótima noite.
.
Ps: Você é meu Papai Noel favorito e eu te amo muito. Mais do que qualquer carta possa explicar, mais do que qualquer beijo possa dizer. Você é meu trampolim beijado pelo sol.”
Reli a carta duas ou três vezes. O fogo resmungou na lareira e eu olhei o relógio. Era hora de ir para cama. não tinha passado mais pela sala. Talvez estivesse dormindo ou assistindo TV no escritório. Levantei-me e coloquei a carta na árvore, esperando que ele a visse antes de Joanna. Subi para o andar superior da casa e uma luz oscilante vinda da última porta do corredor. Fui até lá. assistia a um filme qualquer. Fui até ele e sentei em seu colo. Ele me olhou se sentindo um pouco culpado.
- Tem uma carta para o duende do Papai Noel na nossa árvore – falei beijando-lhe carinhosamente os lábios. – Espero que ele pegue antes que a Joanna acorde.
concordou com a cabeça e me abraçou. Beijei sua testa e fui para o quarto. O dia tinha sido estressante e eu precisava descansar.
Capítulo 3 – White Christmas
Acordei no dia seguinte com meu marido quase em cima de mim. conseguia ocupar a cama toda com facilidade e ainda jogar um braço e uma perna por cima do meu corpo. Sorri maliciosa. Pela hora, Joanna ainda devia estar dormindo. Bebi um gole da água que sempre deixava no criado mudo e mordi a orelha de . Joguei-o de volta na cama e me deitei por cima, beijando seu pescoço e mordendo de leve. Ele resmungou.
Mesmo com o frio e a neve que caía do lado de fora da casa, meu marido não gostava de pijamas. Dormia apenas de shorts, o que me dava livre acesso ao abdômen que eu tanto amava. Desci meus lábios até seu peito, beijando e arranhando. acordou e pareceu entender tudo bem depressa. Deu um largo e satisfeito sorriso, me jogando na cama em seguida.
- Adoro quando você me acorda assim – disse beijando meu pescoço.
Nunca sabíamos quando o outro faria esse tipo de surpresa. me acordara algumas vezes no meio da noite, me beijando e mordendo, acariciando e apertando. Essa era a parte legal da nossa brincadeira. Era imprevisível e podia acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar da casa, desde que não corrêssemos o risco de sermos pegos por Joanna, é claro. Minha camisola foi parar no chão em questão de minutos, assim como qualquer peça de roupa que estivéssemos usando. Nos amamos naquela manhã de um jeito especial, delicioso e apaixonado.
Eu estava me vestindo quando Joanna bateu em nossa porta. Ela tinha dormido bastante. e eu tínhamos até conseguido tomar banho juntos, coisa que não acontecia sempre. Ele estava secando o cabelo, sentado em nossa cama e eu abri a porta.
- Mamãe, papai, o duende deixou uma cartinha! – disse ela com um envelope nas mãos. me olhou sem saber o que dizer.
Peguei o papel e reconheci a caligrafia do meu marido. Sorri ansiosa para ler o que ele tinha escrito.
- Essa carta é do papai, filha – respondi e devolvi o envelope. – Ele escreveu ontem à noite, mas provavelmente o duende não conseguiu passar. Melhor colocar de volta, assim ele pega quando vier.
Joanna desceu correndo e eu olhei de forma carinhosa. Ele abriu sua gaveta do criado mudo e tirou minha carta de lá. Deu uma piscadela marota, guardou o papel e desceu para brincar com nossa pequena enquanto eu fazia o café da manhã.
- Que tal sairmos para escolher uma árvore para a sua casinha, Joanna? – sugeriu enquanto comia sua torrada. Eu olhava as notícias distraidamente em meu tablet.
- Ah não, papai – disse ela e eu a olhei confusa. – Não preciso de nada na minha casinha.
- Mas você sempre coloca uma árvore lá – falei. – E a desse ano quebrou, lembra? Talvez você e o papai pudessem comprar uma de verdade, pequena. E quando o Natal acabar, nós a plantamos no jardim. No ano que vem teríamos uma árvore grandona no quintal.
Isso pareceu anima-la um pouco, mas não o suficiente. Ainda assim, quando terminou seu café, Joanna correu pegar seu casaco azul. Ajudei-a a se vestir e fui com eles até a porta.
- Não vamos demorar – disse enquanto eu arrumava a gola de sua jaqueta. Ele me deu um beijo carinhoso e eu sorri. – Te amo muito.
- Te amo muito, meu marido favorito – respondi abraçando-o. Ele riu.
- E você tem outro por acaso?
Joanna deu uma risada gostosa. Ela adorava nos ver nessa troca boba de carinhos e sempre ficava por perto quando estávamos nos despedindo. Olhei-os se afastarem no carro de e corri para a árvore. Peguei sua carta e subi para o nosso quarto.
“Querido Papai Noel. Ou será que eu devia escrever isso para a Mamãe Noel?
Ah, tanto faz. Seguindo o exemplo da minha filha e da minha mulher, quero agradecer pelos últimos Natais e pelos presentes incríveis que ganhei em minha vida. tem sido a razão pela qual eu respiro há oito anos. O mundo não teria o menor sentido para mim se não fosse por ela e por seu sorriso encantador. Joanna é a parte mais especial de mim, pelo simples fato de ser uma junção minha e da . Nossa filha cresce cada dia mais depressa e eu já estou começando a sofrer com essa coisa de namoradinhos. Às vezes tenho vontade de tranca-la numa caixa de vidro e não deixar que nenhum malandro apronte com ela. E esse medo se torna cada vez mais forte, principalmente quando vejo alguma pontinha de decepção nos olhos da minha esposa.
Eu tento sempre ser uma pessoa melhor, sabe? Porque foi o que prometi a ela quando nos casamos. Que eu a faria feliz, não importasse em qual situação. Ricos ou pobres, saudáveis ou doentes. Minha prioridade seria sempre o sorriso da minha garota. Aquela menina que eu conheci toda tímida depois de um show. Que me ganhou quando, ao invés de gritar, me pediu apenas um abraço e mal falou comigo. Mas seus olhos falaram e eu vi neles o meu porto seguro. Um lugar onde eu podia depositar meus sonhos, minhas fraquezas, minhas forças, na certeza de que ficariam bem guardados e seriam bem cuidados. E ela faz isso por mim todos os dias. Ela me ama quando eu sou um idiota, ela me espera quando fico meses fora. Ela me fez ver que, para ser feliz, eu não precisava daquele monte de mulheres. Eu só precisava da minha mulher. E é por ela e para ela que eu volto de todas as turnês. É pensando nela que eu risco todos os dias do meu calendário dentro do ônibus do McFLY, é por causa dela que eu amo o ultimo show de cada temporada. Porque é quando eu volto com ela e com a Joanna para casa e fico lá, curtindo minhas duas mulheres.
Sei que sou teimoso e que mereço ficar sem presente nesse ano. E sei também que eu não devia ler a correspondência dos outros, mas não resisti. Tive que ler a cartinha que ela escreveu para o senhor e quer saber? Foi a coisa mais fofa que eu já vi. Nem mesmo os pedidos de Joanna por um irmão me fez sorrir tanto. Aliás, vamos lá, velhinho. Dá uma força. Eu e a fizemos tudo direitinho e só queremos que tenha um pequeno bebê dentro dela agora. Mesmo não merecendo, é só isso que eu quero. Um filho. Mais um filhote meu e da mulher que eu mais amo no mundo (não conte à minha mãe que eu falei isso, ok?).
E como forma de me redimir por toda a teimosia, eu aceito passar o Natal na casa do . Mesmo achando isso injusto, eu sei que é o que as duas querem e isso basta. Os sorrisos de e de Joanna já faz qualquer coisa valer a pena e eu pago qualquer preço para vê-los.
Obrigado por tudo.
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Ps: Mamãe Noel, a senhora é uma gata, sabia? Meus Natais ficaram muito mais divertidos desde que a senhora apareceu na minha vida. Te amo demais, demais, demais. Espero que me perdoe pela teimosia dos últimos dias. Sempre seu, Papai Noel”.
Limpei as teimosas lágrimas que corriam por meus olhos e abracei aquele pedaço de papel. Eu pegaria o resultado do exame de gravidez em dois dias e já estava roendo as unhas de ansiedade. Passei a mão por minha barriga. Tinha dado certo. Eu sentia isso. Nós dois queríamos esse bebê tanto quanto Joanna e o bom velhinho nos daria esse presente. Quanto na Natal na casa do , não podia ter feito a escolha mais perfeita. Joanna tinha razão. Escrever uma cartinha para o Papai Noel era a melhor ideia do mundo.
Olhei para a mesa de centro. Algumas fotos minhas, de e de Joanna se misturavam aos enfeites de Natal. Franzi a testa. Um, dois, três... Recomecei a contar. Eu tinha cinco bonecos de neve. Estavam faltando dois. Mas que diabos? Será que tínhamos mesmo um duende naquele ano e ele estava furtando enfeites de Natal? Eu teria que conversar sério com Papai Noel sobre isso.
Guardei a carta de em meu criado mudo e fui para o escritório. Terminei alguns trabalhos e fui me deitar no sofá da sala. Uma generosa caneca de chocolate quente, um cobertor e um livro. Vida boa, não?
e Joanna não demoraram a chegar, mas não traziam a pequena planta. Ela não quis comprar e foi direto para a casinha na árvore. Não entendi aquela reação da minha filha, sempre tão apaixonada por tudo que dizia respeito ao Natal.
- Eu acho que ela tá meio chateada – disse sentando-se ao meu lado. – Vamos contar para ela sobre o dia na casa do ?
Aconcheguei-me em seu peito e ele me abraçou.
- Talvez devêssemos fazer uma surpresa, dizer que o Papai Noel conversou com vocês e que tudo foi resolvido.
Ele concordou e beijou minha testa. Senti sua mão tocar minha barriga e sorri.
- Essa demora tá me matando – confessou . – Não sentiu mais nada? Nem um enjoo, nada?
Neguei com a cabeça e coloquei minha mão sobre a dele.
- Mas com a Joanna também foi assim, lembra? – falei beijando-lhe o rosto. – Só comecei a sentir com quase três meses de gestação. Mas eu tenho certeza que deu certo. Eu sinto isso, . Tem um pedacinho nosso aqui dentro, um milagrezinho de Natal.
Ele me abraçou de forma carinhosa e protetora. Depois passou a distribuir pequenos beijos por toda minha barriga, alternando com mordidas e cócegas. Joanna apareceu na sala e levantou as sobrancelhas. Veio correndo até nós e ficou olhando minha barriga.
- Papai – disse ela em voz baixa – tem um bebê aí?
Nós dois rimos.
- Não sei ainda, filha. A mamãe acha que sim, temos que esperar. Só o Papai Noel sabe por enquanto e ele vai nos dizer.
Os olhinhos dela brilharam.
- Você pode ajudar o papai a preparar a primeira casa do bebê, Joanna – falei acariciando seu rostinho perfeito. – Pode encher a barriga da mamãe de beijos, assim quando o seu irmãozinho ou a sua irmãzinha chegar, vai encontrar um lugar com muito amor e carinho.
Ela empurrou e abraçou minha cintura. Beijou minha barriga até cansar.
- Eu posso cantar para o bebê dormir, mamãe? – perguntou ansiosa.
- Claro que pode meu anjo – respondi emocionada. – Assim que soubermos se tem ou não um bebê aqui dentro, você pode cantar todas as noites.
Ela mordeu o lábio inferior, da mesma forma que eu fazia quando estava muito feliz. Isso deixava ainda mais susceptível às vontades dela. Joanna subiu correndo para seu quarto, alegando que ia fazer um desenho para o bebê e deixando eu e aninhados no sofá, trocando carinhos e declarações eternas de amor.
Não contamos à Joanna que o Natal seria na casa de . Era uma das nossas surpresas. No dia 24, acordei bem cedo e corri para o laboratório. Peguei o resultado do exame e fui direto para o mercado. Mesmo que ela não quisesse, comemoraríamos seu aniversário de uma forma simples. Convoquei o McFLY, que ensaiou uma versão acústica e natalina de Little Joanna. Seria apenas um bolo e seus salgadinhos preferidos. Comprei alguns balões e a boneca que ela mais queria. Quando cheguei em casa, nem Joanna e nem estavam. Ele tinha saído com ela para passear no parque com sua nova bicicleta, presente dado pela avó paterna. Comecei a preparar o bolo e a casa para a festinha da minha princesa, cantando e dançando, novamente, ao som de Michael Bublé.
A tarde chegou depressa, junto com os amores da minha vida. Joanna mal podia acreditar quando viu a boneca. me abraçou por trás e beijou minha bochecha, encostando seu nariz gelado em minha pele quente e me fazendo sorrir.
- Pegou o exame? – sussurrou ele em meu ouvido. Concordei com a cabeça. – E aí?
Encolhi os ombros. Ainda não tinha visto o resultado. Queria que ele estivesse comigo, então esperei até que eles voltassem. Logo nossos amigos chegariam, o que fez subir com Joanna e leva-la para o banho. Escolhi sua roupa e deixei sobre a cama, enquanto me arrumava. tomou seu banho, se vestiu e foi para o estúdio preparar os instrumentos para a homenagem que fariam à menina. Passei no quarto de Joanna e não a vi, logo imaginei que ela estivesse com ele.
Desci e arrumei a mesa na sala de jantar. Dei os últimos retoques na decoração do bolo e sorri satisfeita com o resultado. entrou na cozinha e eu tentei ver atrás dele.
- Cadê a Joanna? – perguntei ao ver que ele estava sozinho.
- Ué, não está com você? Achei que ela estivesse te ajudando a arrumar tudo – neguei com a cabeça. – Vai ver ela está brincando com a boneca no quarto.
- Não. Eu passei lá antes de descer, arrumei a sala. Ela não estava em nenhum desses lugares. Por isso achei que estivesse com você no estúdio.
Alguma coisa estava errada. Ela não era de se esconder e ficava sempre nos rodeando, querendo ajudar em tudo, fazer tudo e bagunçar tudo. Notando minha desconfiança, ele subiu correndo. Fui para a sala, ver se ela estava sentada perto da árvore de Natal, como gostava de ficar. Nada. Ouvi chama-la em vão. Quando ele desceu sozinho e nossos olhares se encontraram, o medo me invadiu. Saímos correndo de casa, procurando por ela no jardim e na rua.
- Ei casal – gritou . Ele estava acompanhado de , e Josh. chegou logo em seguida. – O que houve? Estão brincando de pique esconde?
- A Joanna sumiu – falei ofegante e com lágrimas nos olhos.
- O quê? – perguntaram todos ao mesmo tempo.
voltou correndo do fim da rua, suas bochechas vermelhas e o cabelo ainda mais bagunçado.
- Nada. Ela não está na quadra, nem no jardim de ninguém. Vou pegar o carro, se ela saiu sozinha, não deve ter ido longe.
- Como assim se ela saiu sozinha? – disse parecendo apavorado. – Nós conhecemos a Joanna, ela não sairia de casa sem vocês ou sem um de nós.
Comecei a andar de um lado ao outro do jardim, tentando manter a calma. Ela não teria fugido. Não tinha um motivo especial. A não ser...
- Isso é tudo culpa de vocês dois – falei apontando e indo para cima de e , deixando as lágrimas descerem por meus olhos. – Ela acha que o Papai Noel ignorou a cartinha dela, a cartinha que ela pediu tanto para vocês não brigarem. Qualquer coisa que aconteça com a minha Joanna, a responsabilidade vai ser de vocês. E se for algo grave, Deus que me perdoe, mas vocês nunca mais vão ver aquela menina. Nem mesmo você, , que é pai dela.
Eles dois pareceram sentir bem o efeito de minhas palavras. Meu marido estava devastado, sem conseguir nem ao menos se mover. se aproximou e o abraçou. Eles fizeram as pazes ali, naquela hora, mas minha filha continuava sumida. e saíram pela rua, tentando encontra-la. Talvez tivesse deixado passar algum lugar que ela pudesse estar escondida. entrou com Josh, para que ele não presenciasse aquela cena toda. Fui para o fundo da casa, numa tentativa de botar as ideias no lugar. E foi quando me deparei com aquela árvore. A casinha.
As luzes estavam apagadas e Joanna não gostava do escuro. Mas mesmo assim, subi as escadas com as mãos trêmulas e torcendo para que minha filha estivesse lá. Espiei pela porta entreaberta e quase desmaiei ao ver seu corpinho na janela, olhando a lua.
- Joanna – falei entrando na casa e a abraçando com toda minha força. – Filha, nós estávamos te procurando. Você quase matou o papai e a mamãe de susto.
Ela não respondeu e voltou a olhar pela janela. Acendi a luz e me espantei ao ver todos os enfeites de Natal ali. Ela tinha levado para sua casinha e arrumado da maneira que mais gostava.
- Estou esperando o Papai Noel passar – disse depois de alguns minutos. – Quero conversar com ele e perguntar por que ele não quis fazer meu papai e o tio ficarem de bem. Eu fui uma boa menina esse ano, mamãe?
- Você ia ficar a noite toda esperando?
Ela apenas concordou com a cabeça.
- Joanna, o papai e o tio estão lá embaixo, loucos atrás de você. Eles fizeram as pazes sim e estão tristes porque você sumiu assim.
Ela pareceu se alegrar.
- Mas ainda assim, ele demorou – respondeu com um suspiro. – Não vamos passar o Natal com o tio porque o papai não quer.
Pensei em mencionar a surpresa, mas tive uma ideia melhor. Pedi a Joanna que arrumasse os enfeites de uma forma que coubessem todos em sua casinha e ela me olhou confusa. Desci correndo e chamando todos.
- Ela está casinha na árvore – respondi aliviada e me abraçou. – Estava esperando o Papai Noel para perguntar o motivo de ele não ter ajudado com vocês dois.
e pareceram bastante envergonhados.
- Então eu tive uma ideia. Esse ano, o Natal não vai ser na sua casa e nem na nossa, . Vai ser na da Joanna. Vamos levar os salgadinhos e o bolo agora lá para cima e amanhã vou montar a mesa no jardim, no pé da árvore. E eu quero que se dane essa ordem de vocês de cada um receber um ano. Ela é nossa anfitriã e pronto. Agora quero todo mundo carregando bandejas árvore acima!
Eles não reclamaram. Na verdade, pareceram bastante animados com a ideia de passarem o Natal naquele lugar tão pequeno. Joanna ficou espantada o ver todo mundo subindo com bandejas, copos e bebidas. Acomodamo-nos da melhor forma possível e passamos a noite ali. Cantamos Parabéns e, apenas com o violão, McFLY cantou Little Joanna para minha pequena. Ela não cabia em si de felicidade. Abriu os presentes, comeu docinhos e agradeceu a todos pela presença. Algumas horas depois, descemos e fomos para a cama. O dia seguinte seria de muita arrumação na casa da pequena Joanna.
- Mamãe, papai, acordem – senti a cama balançar e abri os olhos. bocejou ao meu lado e olhou para cima. Lá estava ela, pulando entre nós. – O Papai Noel passou e me deixou um montão de presentes!
Sorrimos. Fomos os três até o banheiro, escovamos os dentes e corremos para o quarto de Joanna. Presentes do padrinho , do tio , da tia , do Josh, do tio , da vovó do Brasil, dos primos. Todo mundo. Por fim, depois de muitos pacotes desembrulhados, eu e entregamos o nosso presente.
- Nesse ano nós pedimos ao Papai Noel para deixar que nós dois entregássemos – falei. sentou mais perto de mim e me abraçou. – Ele não gostou muito da ideia, mas entendeu nosso motivo.
Joanna pegou o pacote que eu lhe oferecia e abriu. Um porta-retratos com sua foto. Ela me olhou confusa.
- Aqui, em rosa, está escrito Big Sister – explicou . – E aqui nesse papel, que você tem que guardar para sempre, está dizendo que dentro da barriga da mamãe tem um bebezinho.
Ela arregalou os olhos. Pegou a cópia do meu exame e ficou olhando. Mesmo sem entender uma palavra do vocabulário complicado, Joanna parecia encantada.
- Eu vou ter um irmãozinho? – perguntou com um sorriso gigante em seu rosto.
- Vai, meu anjo – respondi.
Ela se jogou em cima de nós e nos abraçou. me beijou de forma carinhosa e me deitou no chão. Ele e Joanna ficaram horas mordendo, acariciando e brincando com minha barriga. Ela também contou ao bebê como tinha sido seu aniversário e que ela receberia o povo todo para o Natal naquele ano. Disse até que o bebê estava convidado e que seria o mais importante daquela festa.
Para cada pessoa que parasse para falar com ela, Joanna dizia que tinha ganhado um irmãozinho ou uma irmãzinha de Natal, mas que ele só ficaria pronto dali a um tempo. Esqueceu todos os outros presentes. O mais importante era o bebê que a mamãe estava cuidando. Quando eu disse que ela escolheria o nome, aí a felicidade ficou completa. Arrumamos a mesa no jardim depois que tirou toda a neve. Armamos uma tenda para evitar que mais flocos brancos caíssem na comida e colocamos vários aquecedores ao redor. Joanna quase chorou ao ver o Papai Noel entrar em nosso jardim e eu olhei confusa para .
- Convenci meu tio Bob a se vestir – disse ao nosso lado. – Eu não me perdoaria por perder o sorriso da Joanna ao ver a barba branca do velhinho.
Abracei nosso amigo com toda minha força e agradeci. Já minha filha apresentou Papai Noel a todos nós, mas, como sempre, o principal era o bebê. Bob não ficou muito tempo, já que tinha seus netos para beijar e abraçar. Mas foi o suficiente para que o Natal de Joanna fosse perfeito. Ao fim do dia, depois de muita comilança, brincadeiras e diversão, o McFLY ajudou a limpar a casa e foram embora. , Joanna e eu deitamos na sala, ouvindo o crepitar da madeira queimando e aproveitando o fim do dia.
- Gostou do Natal, filha? – perguntei a uma Joanna sonolenta.
- Muito, mamãe. Obrigada a você e ao papai por terem me ajudado a organizar tudo.
Nós dois rimos e ela bocejou. nos abraçou ainda mais apertado.
- She will always be my sun kissed trampoline – cantei baixinho. – She goes up and down in my heart…
- Turned into jelly beans – continuous . – And I’m starting to believe that dangers never near…
E antes de adormecer, nossa pequena deu a ultima palavra.
- When Joanna is here. Feliz Natal, mamãe. Feliz Natal, papai.
N/a (23/12/2011): Não tenho muito o que dizer a respeito dessa fanfic. Ela é continuação da "Um Sonho de Natal" e eu me emocionei enquanto escrevia. Quero, através dela, desejar um lindo Natal para vocês e para suas famílias. Obrigada por esse ano maravilhoso no Fanfic Addiction, por todos os comentários carinhosos e recadinhos em Twitter, e-mail, Facebook. Um beijo enorme e nos vemos no Natal do ano que vem! ;)