That's When I Love You III
"É assim o mundo que você me deu!"
Escrita por: Mariana Pereira
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Subject: Cheguei!
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Hey boo,
Como você está? Acabei de chegar ao alojamento onde passarei esses dois meses. Nem acredito que realmente estou na Califórnia. Aqui é tão quente quanto no Brasil e já estou me sentindo em casa, ha! Grande parte dos meus vizinhos de vôo estavam vindo para esse curso de cinema. Tenho que agradecer imensamente ao meu chefe pela oportunidade.
Acredita que já fui reconhecida? Uma garota que mora no prédio em frente ao meu veio me perguntar se eu era a namorada do do McFLY. Fui bem honesta e respondi que “não, eu sou namorada do . O do McFLY não tem namorada”. Ela ficou meio sem graça, mas logo passou. Oras, namoro o cara, não o artista, certo?
Anyway, vou dividir o quarto com uma outra brasileira. O nome dela é Bruna e ela disse que está aqui porque o pai dela deu o curso de presente. Legal, né? Ela é meio lerdinha e até me lembrou um pouco o , haha. Acho que vamos nos dar bem no final das contas. Ela disse que tem uma amiga morando na Inglaterra e que essa amiga está de namorico, mas não quer contar quem é o cara. O nome da menina é . Quem sabe um dia eu não possa encontrar com ela, né? Ía ser divertido fazer uma reunião brasileira em casa.
E a fisioterapia? Você está indo direitinho, não está? Fazendo todos os exercícios, tomando cuidado e se esforçando, certo? Eu espero que sim! Mal posso esperar para voltar para casa e cuidar de você. E a Snow? Lizzie? Jammie, Matt, os meninos? Todo mundo bem? Diga a eles que mandei beijos a todos.
Vou ali terminar de desfazer minhas malas e depois vou até a Starbucks com a Bruna. Queria que você estivesse aqui para ir comigo!
Te amo e já estou com saudades.
Xx
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Subject: RE: Cheguei!
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Hey my sweet cupcake! Que bom que você chegou bem. Fico mais tranquilo assim. Melhor ainda que vá ficar em um quarto com outra garota. Não esquece: novos amigos somente da ala feminina, ok?
Estou fazendo fisioterapia, mas não acho que algo esteja diferente, by the way. Mas como eu sei que você quer muito que eu vá, então eu vou! Estamos todos bem. Snow dormiu no seu travesseiro essa noite, provavelmente querendo sentir seu cheiro. Aposto que ela está com saudades já. E eu também estou.
Pergunte para a sua nova amiga qual o sobrenome dessa . Esse é o nome da nova namorada do ! Ele não me disse, mas eu vi o celular dele tocando e o nome dela apareceu. Aí ele atendeu todo meloso e tudo mais. Descobre e me fala. Vou botar o na parede agora, muahahaha!
Se cuida, pequena.
Te amo.
X
Capítulo I – Sem Jeito
Saber que minha pequena tinha chegado bem na Califórnia era ótimo. Pena que a Califórnia não ficava na casa do vizinho, então eu não teria como ir até lá. Que coisa, não? Aliás, de onde mesmo eu tirei a idéia de que eu tinha que apoiar a ida da para o outro continente? Ah sim, da cabeça oca do Thomas. Ele que veio com esse papo de “ela deixou tudo por você, deixe a menina crescer sozinha agora”. É. A pode, e deve, crescer pessoalmente (duvido que vá crescer muito mais do que aquilo!) e profissionalmente, mas não podia ser aqui comigo?
De qualquer forma, convidei aqueles outros três babacas que eu chamo de melhores amigos e que fazem parte da minha banda para uma reuniãozinha. Não era regada a bebidas porque Snow daria um jeito de me denunciar, inclusive escondendo minha camisa cheirando a álcool até o dia em que retornasse. Essa cachorrinha não vale a ração que come! O fato é que eu precisava urgentemente comunicar algumas novidades aos três e contar meu plano incrível para eles.
Não demorou até que a campainha tocasse. Abri a porta e lá estavam eles. e se batiam enquanto olhava tudo com cara de paisagem. Dei espaço e eles passaram, com a curiosidade visível, mas sem dizer uma única palavra. Fizeram um meio círculo na sala e ficaram me encarando.
- Bem, eu convoquei os três aqui porque preciso da ajuda de vocês – comecei. Eles apenas concordaram com um aceno de cabeça. – A tá na Califórnia, já chegou, mandou e-mail e eu quero que a minha noiva tenha a melhor surpresa do mundo.
- Tá – disse – e onde nós entramos nessa parte. Anda, , desembucha!
- Vocês vão me ajudar a recuperar os movimentos.
O silêncio na sala estava me incomodando. Eu tinha em mente o que eu queria fazer e precisaria deles. Eu iria me matar para conseguir atingir minha meta, mas sem eles não daria certo.
- É o seguinte, eu falei com a minha fisioterapeuta, ela disse que eu posso sim voltar a andar. A lesão na minha coluna não é permanente e eu estou sentindo os meus pés. Não consido mexer, mas se vocês encostarem neles, eu vou saber. Eu tenho dois meses para ficar em pé e andar sem ajuda e, caras, eu preciso de vocês.
- Calma, – interrompeu – você disse que sente os seus pés? , isso é ótimo!
Nós quatro sorrimos.
- É eu sei – continuei. – Mas eu quero que a me veja andando quando chegar, sabe? Eu não vou acompanhar a minha menina até o altar numa cadeira de rodas. Isso está fora de cogitação, mas eu quero casar logo com ela. Então eu preciso resolver isso rápido. Vou pegar muito pesado em todas as sessões de fisioterapia, vou continuar treinando em casa. Mas o mais importante é que ela nunca saiba disso, entenderam?
- Já sei! – gritou – Você quer fazer uma surpresa para a !
- Poxa , que lindo! – ironizou – Você descobriu sozinho! Que máximo!
- Gente, parando com a brincadeira, vai! – resmunguei – Quero me livrar logo dessas barras que estão pela casa toda, quero subir escadas, quero correr atrás da Snow. Mas o plano é...
Contei a eles toda a minha idéia. Em alguns momentos jurei ter visto chorar, morder o lábio de emoção e viajar, já em outra galáxia. Bem, essa última parte eu tenho certeza que vi!
- Ah, o gosto amargo de uma cerveja – disse enquanto brindávamos. – Ainda bem que eu fui o primeiro a achar. Só tinha essa. O que tá acontecendo nessa casa, hein ? Você já foi um anfitrião melhor!
- Eu sei, – respondi rindo. – Mas sem a aqui, não tem graça nem sair para comprar cerveja. Além do mais, ainda estou tomando antibióticos até o fim dessa semana. Cerveja é algo que está fora de cogitação no meu caso.
e tinham ido embora, deixando eu e o cara que agora me chamava de cunhado a sós. Não era difícil saber por que considerava como um irmão mais velho. Não só pelo fato de terem se encontrado e ele te-la apresentado a todos nós, nem porque ele foi o primeiro a acreditar nela quando ela voltou de Paris, mas também porque ele era um cara legal. Conversar com era ouvir ótimos conselhos, além de sempre receber um abraço carinhoso ou um tapinha encorajador nas costas. E comigo ele não era assim tão diferente.
- Cara, eu achei essa sua idéia bem legal, – ele disse depois de um longo gole – mas , cuidado para não se machucar. Eu acho bom você retomar essa fisioterapia com garra, como nosso grupo sempre fez depois de uma queda, mas se isso começar a te prejudicar, pare. Você sabe que eu falo por mim e pela , que esse seria o pedido dela.
- É, eu sei. Mas , ela não pode saber, entendeu? Eu conheço a , ela não vai acreditar em mim e vai te procurar. Ela sabe que o irmãozinho dela nunca mentiria. Mas pelo menos dessa vez, fale que eu estou na mesma e que nada aconteceu. Depois de tudo o que ela fez por mim, eu acho que tô devendo essa. Não só para ela, mas para vocês todos.
Ficamos pensativos, cada um perdido em sua mente, por alguns minutos. Snow se juntou a nós, pedindo seu passeio diário. Jammie havia cuidado dessa parte, mas estava ocupada com uma festa na escola de Lizzie e não pode comparecer. Apenas afaguei a cabeça branca da bichinha e a desci do meu colo. Não estava com cabeça para brincar com ela, mas não a queria magoar.
- Certo – disse por fim, se levantando e caminhando em direção a porta. – Vou buscar algumas roupas e me mudar temporariamente para cá. Não ligo se você não quer, , eu vou e pronto! E não pense que é por você, é pela . Não sinto saudades dos seus roncos da época em que o McFLY ainda morava junto e...
A voz dele sumiu rua abaixo e me deixou sozinho na pequena sala, rindo de suas reclamações. Olhei a aliança que havia colocado em meu dedo antes de viajar e depositei um beijo carinhoso sobre ela.
- Eu prometo que a nossa vida vai ser incrível, . Prometo!
Em cima da lareira, ela sorriu para mim na nossa antiga foto, que por sorte ela havia salvado uma cópia e agora atraía o meu olhar praticamente o tempo todo.
Capítulo II – Falling Over Me
- Caramba, será que você poderia me ajudar? – pedi sentindo minha língua quase tocar o chão.
voltou correndo e começou a empurrar minha cadeira, me deixando descansar os braços.
- Ué, você sempre reclamou feito uma mulherzinha que queria ser mais independente, ir e vir quando te desse na telha e blá, blá, blá!
- Tá, , já entendi. Mas a pelo menos ajuda quando eu estou atrasado! Você tem que fazer o mesmo.
- WOW – ele resmungou empurrando a cadeira mais forte, fazendo-a ganhar velocidade. – Não espere que eu faça tudo o que ela faz, meu querido. Não se esqueça, meu nome é . . Tenho algo entre as pernas que ela não tem, então se você tá...
- Ah , vai para o inferno, vai!
Entramos na clínica de fisioterapia aos empurrões, socos e risos. Lisbeth, minha fisioterapeuta, veio nos receber logo de cara com uma bronca, alegando que alguns pacientes ali precisavam de silêncio e não de uma festa logo cedo. Fomos encaminhados para os aparelhos que eu teria que fazer e eu contei a ela meu plano. Lisbeth não ficou lá tão feliz em saber que também teria de mentir para , mas logo se animou quando avisamos, como quem não quer nada, que estava solteiro.
A série era extremamente chata e repetitiva. Não era como se eu estivesse aprendendo a andar novamente, era como uma aula entediante de alongamento. Mas eu sabia que era preciso e que era só o começo de uma jornada que eu estava disposto a encarar pela minha pequena. Respirei fundo e fiz tudo como fui orientado. vez ou outra desaparecia, me deixando a sós com a nada feia médica. Ela era bonita mesmo e dava um belo caldo. Mas nada que se comparasse à minha garota.
Por muito tempo eu me apeguei à idéia de que eu faria tudo por . Era o meu maior incentivo e a melhor forma de me fazer manter o ritmo. Caso contrário, era fácil eu cair em profunda depressão e morrer antes mesmo que ela pudesse retornar dos Estados Unidos. A sensibilidade nos meus pés aumentava gradualmente, mas ainda assim eu não tinha forças para ficar em pé. Mesmo que meus braços me ajudassem com o apoio que eu conseguia nas barras, não era o suficiente para eu ficar fora da cadeira por mais de cinco minutos. Lisbeth garantiu que isso seria resolvido em dois meses e que eu finalmente voltaria a andar, mas às vezes eu chegava a pensar que isso nunca aconteceria.
Estávamos numa quarta feira, três semanas e dois dias depois da minha decisão de surpreender minha noiva. me acompanhou em praticamente todas as idas ao centro fisioterápico, mas também precisava cuidar de sua vida. E de sua namorada, cujo sobrenome eu descobri, só precisava lembrar de contar para .
Nós conversávamos muito pelo telefone, Skype, e-mails e, agora mais do que nunca, Twitter. Trocávamos mensagens rápidas e sem importância, dando graças à Deus por não termos tantos seguidores assim. continuava a ser constantemente reconhecida como minha namorada, mas no fundo eu queria que ela fosse vista pelo público como sendo a grande diretora e produtora que ela era e sempre foi. Não como namorada de um cara inútil do McFLY. Faltavam agora cinco semanas para sua volta e eu não tinha conseguido colocar meu plano 100% em prática.
- Que droga! – gritei ao cair pela terceira vez.
- , calma – pediu Lisbeth já prevendo o que aconteceria.
- Não dá, eu nunca vou conseguir me manter em pé – falei cansado, revoltado comigo mesmo. – Sério, qual o meu problema?
A fisioterapeuta ficou me olhando, sem saber o que dizer. Deitei no chão e fechei os olhos com força, tentando recuperar a confiança que eu tinha adquirido nos últimos dias. Não funcionou. Meu corpo estava com marcas roxas de tentar andar em casa e cair em cima de barras e móveis.
- O seu problema é a pressa – disse ela por fim. – , temos ainda cinco semanas, você não pode exagerar assim. Não vai adiantar nada! Você vai só piorar o seu quadro. Ao invés da coluna desinflamar e voltar ao normal, você está forçando e ela está inchando cada vez mais. Por hoje chega!
- Não – falei mais alto do que o necessário. – Não Lisbeth, por favor. Eu preciso treinar mais, não dá para ser apenas duas horas por dia.
- , por hoje chega!
Respirei fundo. Ela não podia me deixar logo agora. Eu precisava pensar em um motivo muito bom para que Lisbeth me ajudasse por mais algumas horas.
- Eu treino por muito pouco tempo – falei inseguro. – Não seria melhor se ao invés de duas, eu tivesse quatro horas por dia de fisioterapia?
- Tá maluco? – Lisbeth riu – Você vai é se matar se fizer mais do que isso. Olha , eu sei o que você quer e você não é o primeiro cara apaixonado que eu ajudo. Mas ir além do limite não vai te levar a lugar algum. Não andando pelo menos.
- Mas... – e de repente, uma idéia me ocorreu – eu te dou o telefone do se a gente fizer por duas semanas quatros horas diárias de exercícios! Que tal, hein?
- Bela tentativa, – ela me olhou irônica. – Mas a resposta continua sendo não!
- Como foi a série hoje? – perguntou assim que pegou a estrada rumo a minha casa.
- Horrível. Caí três vezes, a Lisbeth viu as manchas roxas nas minhas costas, me deu uma bronca e se recusou a aumentar minha carga horária de exercícios mesmo eu tendo oferecido o telefone do em troca.
- Uh, mulher difícil – brincou ele. – Bem o tipo do .
Se eu não conhecesse bem o meu caro amigo teria achado que ele estava falando sério. Mas a ironia estava escondida nas entrelinhas. Todo mundo sabe que se uma mulher olhar para o , ele pega. Não importa se a intenção dela era essa. Olhou, é dele. Por um tempo nó brincávamos que teríamos que arranjar namoradas em escolas especiais para moças cegas, assim elas não teriam como olha-lo. Mas a piada infame foi se desfazendo a medida que , o garanhão gostoso da turma, foi ficando para titio.
- Ei, tá me levando para onde? – perguntei desconfiado.
apenas sorriu e virou em uma pequena rua de casas simples, mas charmosas. Parecia um bairro de classe média, um pouco diferente dos lugares que sempre frequentamos. Comecei a achar que ele fosse me levar em um daqueles centros de tortura, mas a expressão idiota estampada em seu rosto denunciou, vagamente, o lugar que estávamos indo.
- Já volto!
Fiquei observando correr pelo gramado de uma pequena casa amarela. Tocou a campainha e voltou para perto do carro, me obrigando a abrir o vidro.
- E então, senhor eu-sequestro-mocinhos-paraplégicos? Que diabos estamos fazendo aqui?
- Dá para ser mais delicado? – ele reclamou, revirando os olhos – Ela é importante, então por favor , seja educado, cavalheiro, gentil.
- Basicamente tudo isso que você falou poderia ter se resumido em apenas...
- ...gente? Isso, seja gente.
- Amigável – respondi cruzando os braços. – Casa da namorada, é?
mexia as mãos de tal forma que eu estava começando a ficar nervoso. Qual é, até parece que estava apresentando a menina para os pais. Era só eu, apenas eu, nada mais do que eu, o maravilhoso . E modesto.
Não sei por onde minha mente navegava, mas por um momento éramos só eu e o palerma do quando, do nada, uma menina pulou em cima dele. Ela não parecia em nada com a minha . Quero dizer, veja bem os chineses são iguais. Os japoneses e coreanos também. Nós, ingleses, somos em grande maioria brancos, olhos claros e loiros. Ou com uma leve tendência a sermos loiros. Mas os brasileiros são completamente diferentes uns dos outros. A namorada do é mais baixa do que , sua pele é ligeiramente mais escura e seus olhos eram grandes, redondos e pretos. Bem pretos. Os cabelos estavam com um corte reto, na altura dos ombros, igualmente escuros. Tá certo que estava morena no momento, mas ela era loira quando nos conhecemos. Ela apenas deu a louca e pintou o cabelo de preto quando estava na Califórnia. Deu um ar misterioso e selvagem, então nem reclamei. Adorei na verdade. A tal menina pareceu não ter notado a minha presença até eu pigarrear e atrapalhar o beijo do casalzinho ternura. Ela ficou bem vermelha, coitada.
- , – disse em uma voz melosa de dar enjoo – esse é o , meu amigo de banda.
Por um momento achei que ela tivesse me olhado com pena, mas o meu achismo logo passou. Ela era a versão feminina do , juro. O jeito de observar as pessoas, a cara séria e o ar de ligeira superioridade por sua mente avançada e rápida. Me senti tão pequeno perto daquela garota. E olha que a meio metro da história era ela!
- Erm... oi – ela me cumprimentou baixo.
- Olá – respondi simpático. – Então é você a famosa namorada brasileira do ?
- Famosa? – indagou envergonhada, olhando para o namorado.
- Ah, é exagero do !
Não precisou mais de cinco minutos para eu perceber que ela era, de fato, inteligente. não ria das próprias piadas, assim como , não perdia tempo com futilidades, assim como , não parecia ser aquele tipo de pessoa que abaixa a cabeça numa briga, assim como e não parecia uma gazela saltitante, ao contrário de . É, eles formavam um casal simpático e eu cheguei à conclusão que me daria muito bem com ela. Se a coisa fosse firme mesmo, sendo irmãozinho querido de logo faria as duas se entenderem e minha casa viraria um albergue, abrigando , e quem mais eles levassem. Ô vida.
- Certo, o que você precisa é de um puxão de orelha e de uma boa dose de vinho – disse , servindo uma taça para cada um de nós.
Ela havia nos convidado para entrar. Achei engraçado como a casa dela, pequena e muito aconchegante, parecia pronta para me receber. Só tinha um degrau, que rapidamente foi passado por , que me carregava romanticamente no colo. não ficou para trás e logo carregou minha cadeira, mostrando que ela não era mulherzinha de fazer tricô.
, simpático como sempre, contara a ela que eu estava quase me matando para poder andar até o dia da chegada de . achou aquilo um absurdo e me passou um sermão de mãe que há três semanas eu não recebia.
- Vocês nunca vão me entender – falei contrariado. – Ela vai chegar em cinco semanas. CIN-CO!
- Ah eu te entendi sim – retrucou. – Cinco semanas, trinta e cinco dias, 840 horas. Mais alguma informação?
- Caramba, amor, você é rápida com números – disse estupefato.
- É, sou – o jeito frio dela com era engraçado. Quando mais ela respondia, mais ele babava. – Eu não acho que você tenha que se matar por causa dela, . Nenhuma vida é mais importante do que a sua e se você já está recuperando todos os movimentos gradualmente, significa que sim, você vai voltar a andar. Então para que apressar tudo?
- Para poder ficar de pé, depois ajoelhar e fazer um pedido de casamento decente?
Ela revirou os olhos. Éramos mais teimosos do que qualquer um podia pensar e medir. Alguém teria que desistir da discussão e, aparentemente, tomou a iniciativa. De não desistir.
- , qual o telefone da fisioterapeuta dele? – ela pediu pegando um papel e uma caneta em cima de uma mesinha da sala. – Vou ligar para ela e dizer que está terminantemente proibido de fazer mais de duas horas por dia de exercícios.
- HÁ! Tá maluca? , guarda esse celular, não é para passar o telefone!
ficou nos encarando sem saber o que fazer. Com o celular nas mãos, olhava de um para o outro, esperando o próximo argumento ou a próxima ordem.
- Não estou não – respondeu brava. – Não vou de deixar você se ferrar mais do que já está. Vamos , o telefone.
- E tá bom que a minha médica vai atender ao pedido da namorada do meu melhor amigo. Nem da minha namorada é!
Ela não se deixou abater pelo meu comentário. Arrancou o telefone da mão de e anotou o número. Em poucos minutos, pude ouvir sua voz vinda da sala, me deixando cada vez mais apavorado.
- Alô? Doutora Lisbeth? Oi, aqui é a mãe do , tudo bem? – dizia séria. – Isso, .
Mas que diabos? Ela estava se passando por minha mãe e Lisbeth estava acreditando? Merda!
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Boomcfly: I’m in big troubles now! @docecupcake had called me 5 times and i didn't answer! i was... well it's a surprise so don't kill me baby. (estou em grandes problemas agora! @docecupcake me ligou 5 vezes e eu não atendi! Eu estava... bem, é uma surpresa, então não me mate, amor.)
okay i confess: i was playing xbox with the guys and then we went to a strip club! lots of fun you know? (certo, eu confesso: estava jogando xbox com os caras e depois fomos a um club de strip! Muita diversão, sabe?)
Docecupcake: @boomcfly sorry boo! We went to a Brazilian pub last night and I forgot my cellphone! Good luck recording today! Xx s2 (desculpa, amor! Fomos a um pub brasileiro na noite passada e eu esqueci meu celular! Boa sorte na gravação hoje! Xx s2)
Capítulo III – Foolish
Ela estava em um pub brasileiro. Eu em casa, dormindo no sofá vendo Star Trek pela quinquagésima vez e ela estava em um pub brasileiro. HONESTAMENTE! Eu pensei que eu tivesse mandado minha noiva para estudar. ESTUDAR, , não ir a um pub brasileiro. Era só o que me faltava. Além de convencer minha fisioterapeuta a aumentar minha carga horária em troca do telefone do , driblar a proteção de e, agora, de , tenho que me preocupar com a minha garota solta na Califórnia, frequentando pubs brasileiros! Era muito para a minha cabeça.
A casa estava silenciosa e vazia. Snow tinha saído com Jammie e Lizzie, que estava crescendo rápido e bem faladeira. estava desde muito cedo enfiado na casa de , cujo sobrenome eu esqueci de dizer para , mas que eu sabia que era , o que me dava tempo o suficiente para fazer o que eu mais queria.
Fui até o meu quarto e parei minha cadeira em frente a uma das quatro enormes barras que cercavam todas as paredes. Fiquei um tempo pensando em como eu faria isso sem me machucar, mas nenhuma idéia me veio em mente. Então fui na raça mesmo. Arrumei meus pés fora da cadeira, deixando-os na posição correta. O contato deles com o carpete do quarto fez com que uma alegriazinha surgisse dentro de mim. Eu estava sentindo o tapete fofo e quentinho. Isso era algo que me surpreendia ainda. Segurei firme com as duas mãos, já planejando o próximo passo.
- Vamos lá , é levantar, empurrar a cadeira com a bunda e dar um passinho para o lado – respirei fundo. – Um, dois e... TRÊS!
Coloquei toda a minha força em meus braços e fiquei encarando a parede a centímetros do meu nariz. Parecia que nada havia acontecido. A cadeira certamente tinha andado para frente e eu ainda estava sentado. Aquilo parecia normal demais, então duvidei que eu tivesse feito algum progresso na primeira tentativa. Examinei o quarto. A cama, a poltrona no canto esquerdo, minha cadeira perto da porta, o armário. Minha cadeira perto da porta. Minha cadeira perto da... porta? Imediatamente olhei minhas perna. Eu estava em pé.
- AHÁ! – gritei rindo – Ah meu Deus, ah meu Deus. Eu estou em pé. Mal posso acreditar que estou em pé e tive tempo de examinar o quarto sem cair! Isso é... ÉPICO! Vamos lá, , agora é andar.
Tentei me lembrar de como se fazia isso. Eu nunca tinha sequer pensado que meu cérebro enviava as funções para o meu corpo. Logo, não me passava pela cabeça “perna direita, perna esquerda” cada vez que eu andasse. Quando nascemos, devíamos ter um manual que explicasse o funcionamento do nosso corpo em caso de defeito.
- Talvez se eu inclinar o corpo...
Joguei o peso todo em uma perna e a outra automaticamente foi um pouquinho para o lado. Parei de respirar. Era isso!
- EUREKA! – gritei rindo cada vez mais.
Eu me sentia um idiota rebolando ali, mas era a única forma de sair do lugar. O esforço era grande, mesmo que você não ache. Andamos o dia todo sem perceber, não é? Mas quando se está reaprendendo a andar, esse tipo de exercício não é fácil e cansa. Eu tinha dado uns dez passos quando ouvi a voz de na porta do quarto.
- , vem aqui, rápido – ela gritou. Senti suas mãos nas minhas costas, como se me desse sustentação. – Seu anormal, tá fazendo o que aí?
- Andando, oras! E você, tá fazendo o que aí atrás? Olha que eu te processo por assédio sexual, hein?
- Estou te segurando para você não cair!
-E eu lá to com cara de quem vai cair, ? – perguntei indignado. Eu estava perfeitamente bem.
- Você está quase roxo pelo esforço, – ela respondeu irritada.
entrou correndo, quase tropeçando na minha cadeira. Empurrou-a para perto da parede e me arrancou bruscamente da barra onde eu me apoiava, me obrigando a sentar.
- Eu já te falei que não é para fazer isso sozinho – ele gritou.
- Ah, desculpa papai! E mamãe! – revirei os olhos – Por que ao invés de me dar uma bronca vocês não me perguntam como eu consegui, quantos passos eu dei, o que eu achei de andar de novo?
- Como você conseguiu, ? – perguntou .
- Me segurei na barra, peguei impulso e consegui. Fantástico, não é? – eu respondi, parecendo uma criança.
- Quantos passos você deu, ? – agora foi a vez de .
- Uns... dez eu acho!
- O que você achou de andar de novo? – finalizou a namorada dele.
- Incrível – senti lágrimas ameaçarem escorrer por meus olhos tamanha era a minha emoção. – Eu pensei que nunca mais sentiria algo parecido, sabe?
- Que bom, – ela respondeu.
- É – completou .
Eles se olharam, cúmplices. Eu odiava isso, porque quando os casais se olham assim é porque compartilham do mesmo pensamento e porque o terceiro elemento da história, no caso eu, vai se foder no final.
- QUEM MANDOU VOCÊ FAZER ISSO SOZINHO? – gritaram juntos.
Ouvi cochichos vindo da sala de TV. disse que iria até a casa da namorada, mas que antes passaria na casa de e . Então quem estava fofocando no meu sofá?
- Oi, nem é por nada não, mas o motel é meio longe – falei brincando enquanto passava pelo casal.
- Engraçado você – disse rindo. – Vou passar uns dias aqui, . Onde posso dormir?
No começo eu achei que fosse alguma brincadeira, mas ela realmente esperava por uma resposta. A minha previsão de que a casa se tornaria um albergue estava mais certa do que nunca. Talvez eu devesse jogar na loteria um dia, quando o prêmio estivesse bem acumulado. Mas sem brincadeira, eu esperava que a minha sala ficasse apinhada de gente dali uns dez anos, quando eu e já estivéssemos casados, com filhos, também, e idem, apesar de eu duvidar da capacidade mental do para arrumar uma esposa decente. E não, assim, dois dias depois de eu ter conhecido a namorada do meu amigo, sabe?
- Por quê? – perguntei mudando o canal da TV – Algum problema na sua casa? Não que eu me importe, mas sei lá.
Ela me olhou um pouco estranho. Chateada talvez. E foi então que a minha ficha caiu. Ela não estava indo para o meu cafofo porque tinha problemas na casa dela ou para ficar se agarrando com pelos cantos. E essa percepção me deixou arrependido pela pergunta idiota que eu fiz.
- Ah... – suspirei. – Sério, você não está vindo para cuidar de mim, né? Porque, olha, se for, eu agradeço imensamente, mas não precisa. De verdade. Eu até tentei botar o para fora, mas eu acho que ele tem uma queda por mim e não foi ainda. Ainda, entendeu ?
Ele apenas rolou os olhos, reprovando visivelmente meu comportamento anterior. Até eu estava me sentindo mal. Eu nem conhecia a menina direito e ela já se preocupava comigo daquele jeito. Sério, não se encontram pessoas assim hoje em dia. O é um cara de sorte! Não mais do que eu com a minha pequena, mas ainda assim é um cara de sorte.
- Vou até o mercadinho comprar algumas coisas – disse se levantando. – Não se matem, ok?
Eu achei que não tinha nada de mercadinho na história e que ele só queria sair para que a gente pudesse conversar. Não me atrevi a perguntar, até porque o clima já estava bem pesadinho na sala. Se eu abrisse a boca, certamente me capariam.
- Olha só, – comecei quando ele fechou a porta – desculpa ter feito aquela pergunta daquela forma. Eu não quis te ofender. Eu só não estou acostumado a ter gente cuidando tanto de mim, entende? A está aqui desde o dia do acidente, até antes, mas é diferente, né? Ela é minha noiva, então é meio compreensível ela cuidar de mim, eu acho.
- Tudo bem, – respondeu . – Eu sei que a gente não se conhece direito e tal, mas o sempre falou muito de você. E muito bem. Ele sempre disse que você é um cara guerreiro e que ele te admirava. Que se fosse ele no seu lugar, ele nunca teria conseguido superar o que você superou, e continua até agora. , eu não vou mentir. Eu leio jornais, revistas, eu sei quem vocês são. Eu sei que vocês arrastam multidões pelo meu país, eu sei as músicas de vocês. Aconteceu de eu conhecer o e a gente se apaixonar logo de cara. Eu nunca menti para ele sobre o que eu sou, quem eu sou, o que eu faço. Ele me conhece bem para os dois meses que estamos juntos. E eu sempre te achei, mesmo sem te conhecer, um cara legal. Saber que você se acidentou foi horrível e doeu em mim também. Quando o começou a me falar de como você estava, eu me prontifiquei a ajudar não para aparecer, para ser a amiga de . Mas porque você é importante para uma pessoa que é importante para mim. Então eu quero cuidar de você até a voltar. E se ela me permitir, e você também, até depois que ela estiver aqui. Eu gosto de você, .
Aquele desabafo todo me pegou de surpresa totalmente. De calças arriadas, como diria o meu tio. sempre teve fama de escolher as melhores namoradas e com ela não foi diferente. Foi melhor. Ela com certeza seria aprovada por e já era por mim.
- Uau – tentei encontrar palavras. – Poxa, obrigado. De verdade. Mesmo eu não merecendo e tal.
- Ah, deixa disso.
se lançou contra mim e me abraçou. Ficamos assistindo a um programa de TV qualquer até chegar com as bebidas e alguns petiscos. Depois, quase uma hora da manhã, se instalou no quarto de hóspedes, que agora ficava no andar de cima, onde antes era o meu quarto, e eu fui para o meu cantinho, descansar e pensar em tudo o que andava acontecendo na minha vida.
Capítulo IV – Angels
O tempo passou voando. estava se comportando cada vez mais como minha mãe e me dava broncas todos os dias. Até hoje eu não sei se de fato merecia, já que eu sou um anjo de rapaz, mas já que ela queria, quem era eu para contestar? O dono da casa, mas quem se importa, né? Suportei todas as sessões de fisioterapia possíveis, imagináveis e clandestinas. Aproveitei todas as vezes que fiquei sozinho para andar em casa. Lisbeth sempre descobria, afinal eu chegava no centro de fisioterapia com marcas roxas em diversos lugares. Tinham outras em partes que ela não via, como no meu traseiro, mas isso não é importante para a história! Eu só esperava que me perdoasse. Eu tinha tentado de todas as formas e tinha testemunhas.
Engraçado como a última semana me deixou tenso. Entre protestos e reprovações, mandei tirarem todas as barras, fitas antiderrapantes e o que quer que seja que tenha entrado na minha casa depois do maldito acidente. Nada ficaria ali para atrapalhar o meu caminho! Despejei e e ocupei meu quarto antigo, no primeiro andar. Snow pareceu bem satisfeita em ter seu cantinho de volta, perto do lado da cama em que dormia. O flat não era muito grande, apesar de fugir dos padrões de apartamentos de Londres e ser um duplex confortável. Tinha apenas dois quartos no andar superior e um quarto no andar térreo, que na realidade era um escritório. Como nunca fora utilizado, não tinha motivos para eu mobiliá-lo. Não até o presente dia em que me deu a louca e eu resolvi montar para o mais moderno escritório que ela poderia ter. Mesmo sabendo que o computador dela era um MacBook super potente, encomendei o modelo mais novo e com o máximo de memória que ele poderia suportar. Comprei também todas as licensas de programas que ela pirateava da internet e passava horas para instalar. Tudo bem que eu não fazia a menor idéia do que eram aqueles programas. Alguns eu reconheci como sendo editores de áudio e vídeo, mas o resto eu não tinha um tiquinho de noção. Coisas de .
O escritório teve a iluminação toda refeita e, em uma semana, graças a alguns contatos e berros, ficou pronto. Eu mal podia esperar para ver a minha menina ali dentro, escrevendo, editando ou apenas navegando na internet. O escritório depois de pronto ficou relativamente grande. Eu nunca parei para ver de fato como era aquele quarto, mesmo depois de meses dormindo ali. Os móveis todos em branco, as portas dos armários em preto. Bem moderno. Durante horas contemplei feliz a minha obra prima. Cuidadosamente, depositei um pacotinho ao lado do novo computador.
Era sexta feira e já tinha enviado um e-mail avisando que chegaria no sábado, às 7 horas. Ela parecia bastante nervosa, mas eu sabia que não era por estar voltando. Fiz questão de não aparecer nos últimos cinco dias, me mantendo distante de MSN, e-mail, Facebook e Twitter. Não respondi a nenhum dos recados e não atendi a nenhuma das ligações. Ela estava eufórica e uma fera comigo. Os meninos tinham autorização para dizer apenas que ela não devia se preocupar porque eu estava muito bem, mas depois de tanto tempo vocês sabem que ela não ficaria sossegada.
Assim como eu, Snow estava impaciente. Dividíamos o sofá quando pegamos no sono e fomos acordados no sábado com socos nada adoráveis em nossa porta. Ela resmungou e se pôs a latir até o momento em que eu levantei e constatei que era . Eu estava dez minutos atrasado. Fiz toda a minha higiene matinal em cinco minutos. Me troquei e saí pela porta dos fundos. colocou minha cadeira de rodas no porta-malas de seu carro e eu me acomodei no banco do passageiro.
- Nervoso? – ele perguntou enquanto dirigia.
- Ansioso é a palavra.
- E a surpresa? Tudo certo?
Nos olhamos. estava tão feliz quanto eu com o que tínhamos preparado para . Apenas confirmei com a cabeça e ele sorriu. Passamos primero na casa de , que dormia na cadeira da varanda.
- , acorda – gritou .
- Yes sir, tô pronto para a batalha – ele respondeu se pondo de pé em um pulo.
Quase molhei minhas calças de tanto rir. O coitado demorou três minutos para assimilar o que tinha acontecido e nos xingou o tempo todo. estava eufórico. Não que ele e fossem tão próximos quanto ela era de , mas chegadas e despedidas sempre alteravam o humor do coitado. Ele mal conseguia ficar quieto, irritando a todos nós.
Chegamos ao aeroporto com quase uma hora de antecedência, graças às imprudências de ao volante. Eu devia me lembrar de escrever um testamento antes de entrar num carro guiado por ele quando estamos atrasados. Ele pode ser definitivamente perigoso e me matar um dia desses. amos um cafezinho esperto de uma cafeteria brasileira (yummy!) e nos sentamos na área VIP para esperar o vôo da Califórnia pousar.
- Ih, acho que ela não veio – disse enquanto esperávamos na porta da sala de desembarque.
Todas as pessoas do avião pareciam ter saído e o piloto estava a caminho de sei lá para onde eles vão quando voltam de uma viagem, seguido por suas fiéis e lindas comissárias de bordo. Mas ainda não tinha dado as caras e eu me remexia naquela droga de cadeira mais do que deveria.
- , que tal calar a boca? – reclamou ao ver minha cara de raiva.
pôs uma mão em meu ombro e, olhando para o nada, sorriu. Tive que me esticar para ver que ela estava vindo em nossa direção, rindo e pulando feito uma criança. estava bronzeada e seus cabelos estavam mais longos. Não tanto, mas o suficiente para eu ter notado. No carrinho que ela empurrava, duas malas enormes e uma menor, que ela provavelmente tinha trazido no compartimento de bagagens acima da cabeça dos passageiros. Meu coração quase explodiu de alegria quando o anel de noivado brilhou na mão direita da minha, cof cof, noiva.
se lançou nos braços de , que a apertou até tira-la do chão. Depois correu e pulou no colo de , puxando para um abraço em trio. Ao me olhar, mordeu o lábio inferior me deixando com uma vontade louca de beija-la. Ela veio caminhando lentamente até metade da distância entre nós, depois acelerou o passo até sentar em meu colo e me abraçar com toda força que podia.
- Que delícia te ter de volta – falei tentando respirar em meio à cortina de cabelos que caía em meu rosto.
- É bom estar em casa – ela respondeu sorrindo e escondendo seu rosto em meu pescoço.
Senti a cadeira começar a andar e olhei ligeiramente para trás. nos empurrava sorrindo. havia ficado responsável pelas malas e carregava o casaco e a bolsa de . Ela não levantou o rosto um minuto sequer, distribuindo vez ou outra rápidos beijos em meu pescoço. Aquilo era judiar demais e eu estava me controlando para não agarra-la. Chegamos ao carro de e ela correu para o banco de trás. Troquei de lugar com e, com a ajuda de , sentei ao lado de . ocupou seu lugar de motorista e sentou do outro lado dela, que parecia uma criança hiperativa de tanto que falava e pulava.
acariciava meu joelho, sem ter a menor noção de que eu estava sentindo aquele carinho gostoso. Tive que morder minha mão para conter a vontade de dizer que eu estava adorando o contato da pele dela com a minha. Os meninos a enchiam de perguntas o tempo todo, evitando assim que ela tocasse no assunto fisioterapia. Sabíamos que ela faria um interrogatório, mas começar assim, do nada, estragaria tudo.
Chegamos em casa e a velha rotina de me carregarem começou. Entramos pela porta dos fundos e os meninos deixaram as malas na sala. Foram para a casa de , que era perto, fingindo que tinham que consertar uma janela emperrada. Ficamos sozinhos pela primeira vez e o meu plano finalmente começou.
- Você mandou tirar as barras? – ela perguntou estupefata enquanto apertava Snow em seus braços.
- Mandei. Elas eram feias e me irritavam!
- Você sabe que não podia ter feito isso, – disse, séria. – E agora? E se você precisar delas? Vamos mandar recolocar todas.
- ...
- E os adesivos? Cadê as cantoneiras de borracha? Céus, o que aconteceu aqui? Por que a porta do nosso quarto está trancada?
- – gritei e ela me olhou surpresa. – Será que dá para você parar por um minuto e prestar atenção em mim?
Vi um pequeno bico se formar em seus lábios e sorri. Minha menina era mimada e odiava que gritassem com ela. Coisa que eu fazia sempre, na intenção de irrita-la e ver aquela carinha de brava que só ela sabia fazer.
Enquanto me encarava, travei a cadeira de rodas. Lentamente, fui colocando os pés no chão, sem coragem de encara-la. Tinha que dar certo. Eu não podia fracassar logo agora. Usando os braços da cadeira de apoio, dei um pequeno impulso e me levantei, parando de respirar por alguns segundos para me certificar que o equilíbrio que eu precisava estava ali. Respirei fundo, passei a mão em meus cabelos e a olhei. tinha lágrimas nos olhos e sua boca estava ligeiramente a berta. Sorri.
- Então, – falei abrindo os braços – seu noivo não merece um abraço decente agora que você está de volta?
Ela caminhou lentamente e parou na metade. Parecia ter medo de me derrubar e de ver que aquilo era uma miragem. Não dessa vez, querida.
- Meu... Deus.
me abraçou enquanto ria e chorava ao mesmo tempo. Eu, bobo como sou por ela, chorei junto, compartilhando toda a emoção de estar em pé novamente. Ainda com em meus braços, andei até a porta de nosso antigo quarto. Meus passos ainda eram ligeiramente desajeitados, mas nada que atrapalhasse muito.
- Bom, agora você abre – falei entregando-lhe uma pequena chave prateada.
Snow pulava em nós, tentando chamar a atenção. Afaguei sua cabeça e ela sumiu, provavelmente se escondendo no nosso quarto no piso superior. abriu a porta e ficou ainda mais surpresa ao encontrar ali não a nossa cama, mas um escritório bem equipado e decorado por mim.
- Benvinda ao seu cantinho de trabalho – falei abraçando-a por trás e beijando-lhe a cabeça. – Eu sei que você adora o seu computador, mas aquele ali é muito melhor para todos os programas que você usa.
Andamos juntos pelo cômodo enquanto eu mostrava cada detalhe. Os livros dela, todos arrumados por autor, os CDs por bandas e ano de lançamento. A TV de LCD com canal a cabo e o moderno aparelho de som, com entrada para iPod, iPhone e todas essas frescuras. O ar condicionado, que também era aquecedor, escondido em um canto no teto, discreto e quase imperceptível. Só aquele escritório tinha toda a tecnologia que na nossa casa toda não existia! Investi pesado, mas a felicidade dela me deu um orgulho incrível.
- Aquilo é para mim? – perguntou ela sorrindo.
Fui até a mesa e peguei o pacote. Ele não era grande, mas o significado que carregava com certeza o faria ser imenso. se aproximou. Nos encaramos com sorrisos travessos em nossos lábios e eu entreguei a ela seu precioso presente. A delicadeza dela me surpreendia. Como uma criança, destruiu o pacote e deu um gritinho ao ver nossa foto em um porta retratos.
- Que lindo, – senti seus braços envolverem minha cintura. – Vou colocar aqui.
ajeitou o objeto em sua nova mesa. Qualquer um que entrasse ali veria nossa foto. Garota esperta, pegou bem a minha ideia. Era ali mesmo que ele tinha que ficar!
- Estou muito feliz por você ter voltado – falei mordendo-lhe a bochecha. – Senti... como era mesmo a palavra? Saudades?
- Isso – ela disse, beijando levemente meus lábios. – Saudades.
Finalmente, depois de quase duas horas, a gente se beijou. Eu estava começando a achar que tinham mandado um clone ou um robô que não beijava, mas aí lembrei que não era do tipo que ficava de agarração em público.
Fomos nos beijando, apertando, arranhando até o sofá que eu tinha mandado colocar no escritório. Caí pesadamente nele e logo caiu em meu colo. Suas mãos puxavam meus cabelos e suas unhas arranhavam minha nuca, me causando arrepios terríveis e deliciosos. A Califórnia deixou minha noiva selvagem, vou te contar.
- Não! – falei levantando rápido e a deixando no sofá. tinha um grande ponto de interrogação em seu rosto. – Ainda não.
Passei a mão em meu rosto e respirei fundo. Eu senti que ela queria tanto quanto eu, mas depois de saber tudo o que tinha acontecido com ela, jamais que eu transaria com pela primeira vez num sofá de um escritório. Expliquei a ela e, com um sorriso sem graça, minha noiva anunciou que tomaria um banho e descansaria um pouco. Fiquei imóvel até que ela saísse e soltei o ar preso em meus pulmões. Droga! Eu sempre quis desvendar todo o corpo dela e agora que podia, ficava de viadagem. Droga, droga, droga!
Capítulo V – Here we go again
No dia seguinte fui acordado com um delicioso cheiro de café. Há tempos que não havia comida decente em casa, então pensei que havia ido apenas até a padaria e improvisado um pouco. Ledo engano. Enquanto eu levantava feliz às nove da manhã, ela já estava de pé desde as sete e meia. Tinha ido ao mercado, preparado o café da manhã, levado a Snow para passear e ainda organizado toda a bagunça que eu havia deixado na sala no dia anterior. Entrei na cozinha e me deparei com ela já comendo e lendo o jornal.
- Caiu da cama? – perguntei beijando-lhe a testa.
- Basicamente – respondeu com um sorriso tímido. – Esse fuso horário me mata. Café?
- Por favor – respondi sorrindo. Puxei-a para o meu colo e a abracei. – Nem acredito que você está em casa. Ainda acho que estou sonhando e que vou acordar a qualquer minuto.
Ela riu.
- Vamos ver se você vai achar um sonho quando eu disser que o está tão frenético que já acordou, mandou mensagem e convocou a galera toda para um churrasco.
Se eu não conhecesse meu amigo extremamente bem, ficaria com ciúmes. Ele está empolgado com o retorno da minha noiva. Isso soa muito estranho, mas como é o e como ele já arranjou uma brasileira para chamar de “minha”, não me importo.
- Bacana! E onde vai ser a festança?
- Aqui! – ela encolheu os ombros. Simples assim.
- Eu bem que desconfiei que tudo estava sendo bom demais.
Rimos. Não me incomodo com as pessoas usando minha churrasqueira de forma descontrolada, meu freezer como se fosse deles e meu quintal como restaurante. Mas eu realmente estava no pique de ficar com a minha garota no sofá, me amassando com ela enquanto tentávamos convencer (sem sucesso) Snow a ir brincar em algum canto da casa. Devo mencionar que ainda não acredito que eu neguei fogo quando chegou? Não né? Obrigado.
- O bom é que agora eu não fico mais tão sozinha – disse ela. – O vai trazer a . A Jammie não vai poder vir, então a Lizzie e o Matt também não vem. Um saco.
- Ah claro, - resmunguei fazendo bico – porque a minha companhia deve mesmo ser bem entediante. Você não aguentava mais só o chato aqui, agora tem uma brasileira que vai te livrar de mim.
riu enquanto distribuía beijos por todo o meu rosto. Tomamos nosso café da manhã entre tapas, mordidas, cócegas e risos. Quando começamos a arrumação para o tal churrasco, descobrimos que não tinha um mísero saquinho de carvão. E aí? Sobrou pra mim, claro.
Quando voltei do mercado, um som animado vinha de algum canto da casa. Era uma música conhecida e que eu sabia cantar, mas a voz que se sobressaía não era, nem de longe, da Pixie Lott.
- Boom, boom, boom – cantava quando eu entrei na cozinha. E dançava... meu Deus, que ancas! – I need my-y medicine. And the cure ain’t aspirine.
Encostei no batente da porta e fiquei observando. Era tão legal entrar num ambiente e me deparar com uma cena dessas. Isso estava se tornando cada vez mais frequente na nossa casa, o que me deixava mais e mais feliz. Não só pelo fato de eu ver aquela brasileira linda pulando na minha cozinha como se não existisse mais ninguém no mundo, mas pela alegria que ela trazia. Acho que todo o McFLY devia ter uma namorada brasileira, assim todos acordaríamos de bom humor. Se bem que o já tinha arranjado a dele e continuava com um humor de cão pela manhã.
- So when you call me... call me – ela continuou. – I say “okay if you insist!”.
Era mais do que eu podia suportar. Não deu. Comecei a rir e a aplaudir, deixando extremamente vermelha e sem graça.
- Senti falta dessa bagunça toda!
- Seu besta. Ai que vergonha!
Me aproximei e a abracei com força. Eu ainda precisava decidir se gostava mais das caras que ela fazia enquanto dançava ou das que ela fazia depois que notava que estava sendo observada fielmente por seu noivo babão.
- Tudo certo por aí? – perguntei. Tinham umas cinco panelas em cima da pia, mais algumas tigelas e pratos.
- Tudo indo – ela respondeu desanimada. – Arruma a mesa, daqui a pouco eles chegam e eu termino aqui!
- E essa cara de cão abandonado?
- Ah... – ela deu uma pausa um tanto quanto longa. – A comida não está lá grande coisa. Eu esqueci como se cozinha. Quero dizer, oi, quem esquece como se arroz e maionese de legumes?
Tive que rir. Ela me entupiu de comidas deliciosas logo cedo, com um café maravilhoso e agora vem com esse papo de que esqueceu como se cozinha? Pelo amor, né?
- , menos vai. Tenho certeza que a comida está ótima. Além do mais, eles comem feito um bando de ogros, nem vão perceber se estiver com mais ou menos sal.
Beijei-lhe os lábios e fui para o quintal. Snow corria alegre e freneticamente. Sério, qual o problema dessa criatura? Ela fica grudada em nós porque quer. Tem esse quintalzão todo só pra ela e não aproveita. Aí, quando alguém vem aqui em casa, ela fica assim, parecendo que fumou alguns baseados. Loucona de tudo. A campainha tocou, atraindo a atenção da bicha, que disparou em direção à porta. Por mais que nós a repreendêssemos, Snow continuava fazendo o que bem entendia. E parecia pior agora que a estava de volta. A infeliz se rebelou!
Ouvi as vozes de e ficarem cada vez mais próximas e em questão de segundos eles apareceram. Traziam caixas de cerveja e alguns pedaços de carne. Obedeceram de prontidão quando a os mandou arrumar as mesas do quintal. Nunca fizeram isso comigo. Sacanagem! Depois se juntaram a mim e, sem esperar por , acendemos a churrasqueira. Entre conversas e cantorias, fomos duramente repreendidos.
- Ah sim, muito bonito – disse nosso baterista. – Eu atraso dez minutos e as mocinhas nem esperam por mim. Já correram assar as carnes, já estão bebendo. Vacos!
Não ouvi a campainha tocar e logo deduzi que ele, folgado como sempre, foi entrando como se estivesse em sua casa. O que, basicamente, acontecia em qualquer residência de um McFLY. Era aquela boa e velha história do “mi casa, su casa”. Boas maneiras e vergonha passavam longe de nós. Fato!
puxou , que estava ligeiramente acanhada. Vieram até nós e nos cumprimentaram. Até que eu me dei conta de que alguém estava faltando.
- Cadê a ? – perguntei olhando para a porta da cozinha. Não demorou muito e ela apareceu. Parou do meu lado e me abraçou. – Tá tudo bem, amor?
Ela sorriu. se aproximou com sua namorada e as apresentou.
- , essa é a , a guerreira que botou juízo na cabeça oca do . , essa é a...
- A louca que está tentando botar cérebro na cabeça do – completei, arrancando gargalhadas gerais, exceto do descerebrado em questão.
Elas se cumprimentaram e logo estavam falando rapidamente. Ninguém entendia bulhufas, então logo deduzimos que, sim, estavam falando em português. O que era de extrema maldade de ambas, já que eu queria saber como o papo estava fluindo. Elas falavam tão agitadas que se me dissessem que estavam brigando, eu acreditaria. Mas logo começaram a rir, o que deixou nós quatro bem aliviados. Não que a gente esperasse que elas saíssem no tapa, mas é sempre bom saber que a sua namorada se dá bem com a namorada do seu amigo. Ainda mais sendo da mesma nacionalidade. Nosso churrasco fluiu sem grandes problemas e sem traumas, com muita música, muitas risadas, cervejas e comida, para a alegria de todos e felicidade geral da nação. Fala sério, somos um bando de bastardos sortudos.
- Vocês são todos uns animais gordos, inúteis e bagunceiros! – gritava . – Fazer churrasco pode, mas lavar a louça? Ah não, isso não.
Não sei do que ela tanto reclamava. Ela comeu o melhor churrasco inglês, o que, segundo , não era nada se comparado ao churrasco brasileiro. “Quem assa hambúrguer e salsicha na churrasqueira?” ela repetiu o tempo todo. E a ainda completava, dizendo que aquilo “nem se parece com um churrasco de verdade”. Ingratas! Mas tá. Comeram o melhor churrasco inglês, beberam refrigerante geladinho e ainda tomaram sorvete! Deviam estar felizes, isso sim! E não vou entrar no mérito que fizeram tudo isso com o McFLY. Só o McFLY. Só os quatro caras mais desejados no país delas.
As duas se trancaram na cozinha e nós quatro ficamos na sala. Estava rolando um campeonato de vídeo game que eu, por sinal, estava ganhando. Assim que a porta que separava os cômodos foi fechada, paramos o jogo.
- E aí, ? A se manifestou sobre o casamento? – perguntou ansioso. Às vezes ele parecia mais noiva do que a minha noiva.
- Nada, dude. Nem um sinalzinho.
- Isso não é bom – sussurrou . – As mulheres ficam eufóricas quando ganham um diamante. E olha que o seu é um diamante mesmo, não uma réplica de cristal num aro de prata.
A jóia pouco me importava. O preço dela não era problema para mim e eu jamais economizaria em um presente para a minha garota. Mas eles estavam certo. não tinha demonstrado qualquer interesse pelo casamento.
- O que ela faz o dia todo além de trabalhar?
- Muitas coisas, . A tá fazendo um curso de webdesigner à distância. Não me perguntem como funciona, eu só sei que ela se tranca no escritório e fica lá, montando e desmontando layouts de sites. Desenha pra cá, rabisca pra lá. Mas nada do que ela faz me parece com um vestido de noiva, com a decoração de um salão ou com um convite.
- Já tentou conversar com ela? – perguntou parecendo preocupado.
- Será que ela tem outro? Um californiano bronzeado e...
- ! – nós três gritamos juntos.
- Não, ela não tem! – falei em um tom mais alto – Só sei que essa indiferença dela tá me matando. E se alguém tiver alguma ideia aproveitável, eu agradeço.
foi o único a levantar a mão. Revirei os olhos, tentando me preparar para a asneira que viria a seguir.
Capítulo VI – Words are not enough
Conversar com meus melhores amigos – e padrinhos – não me deixou mais aliviado. Até porque, sugeriu que a tinha outro! Que espécie de padrinho ele é afinal? Devia dizer que ela estava apenas ocupada, tentando se adaptar novamente nessa cidade escura, fria e cinzenta. Não que ela parecesse incomodada com a temperatura em Londres. adorava tempo nublado e frio.
Mas a verdade é que sim, eu estava apavorado com a “não preparação” dela para o nosso casamento. Minha mãe já tinha até perguntado dos netos! O que não é ruim, porque eu pretendo dar continuidade a toda minha beleza, inteligência e gostosura, mas oi mãe, ainda nem casamos. NEM CASAMOS! E pelo jeito que as coisas estavam indo, não casaríamos tão cedo.
Sendo assim, no auge do meu desespero, esperei minha noiva sair para trabalhar e fiz todo o trabalho sujo. Não me orgulho de nada, mas tente me entender: eu sou ansioso!
- Amor, antes de ir para o estúdio, você pode levar a Snow para dar uma volta? – perguntou ela enquanto se arrumava no banheiro.
Me revirei na cama. Sempre ía para o estúdio mais tarde, já que trabalhávamos melhor à noite. A pequena cachorra se encostou ainda mais em mim. Snow era minha companheira de preguiça matinal, então nem se mexia quando a saía da cama.
Senti um cafuné gostoso na cabeça e, segundos depois, a voz doce de ) soou em meu ouvido.
- Estou saindo – sussurrou ela. – Tenha um bom dia e não se esqueça que eu te amo muito.
Epa! Ela nunca fez isso antes! Sempre parava no “tenha um bom dia”, mas nunca dizia que me amava logo cedo! Aí a coisa pegou. Assim que ouvi a porta da frente ser fechada, me lancei para dentro do armário dela. Olhei tudo, dentro de cada gaveta, bolso, bolsa, procurei por fundos falsos. Nada. Mas é claro que ela não esconderia um segredo no nosso quarto. Eu veria, mesmo que sem querer.
Então pensei no escritório. Snow não curtiu a agitação logo cedo, mas ignorei sua cara fechada e os resmungos em protesto. Desci correndo e entrei naquele espaço que eu projetei com tanto amor. Tão limpo, tão organizado. Essa era a minha ! ei o cuidado de não deixar nada diferente do que estava. Eu sei que a é observadora e que notaria facilmente algo fora do lugar. Olhei, olhei, olhei. Nada.
Uma caixa branca me chamou a atenção. Fechada com um laço de cetim, tinha pequenas pedras na tampa. Parecia... bem, parecia com alguma peça de decoração de casamento. Me animei bastante! Cheguei a cogitar a ideia de nem abrir. E se ali estivesse o desenho do vestido dela? Dizem que dá azar o noivo ver o vestido antes da hora! E se eu visse, teria que contar a ela que mexi em suas coisas. ficaria furiosa comigo. Pior, ela me mataria!
A curiosidade estava me corroendo por completo. Eu precisava saber o que tinha ali. Porque poderia ser algo sobre o nosso casamento, mas também poderia ser outra coisa. E eu não me lembrava de ter sido o responsável por essa caixa, logo, a própria a trouxe. Sem me falar nada. Isso significava que ela não queria que eu soubesse, certo? E isso me levava a pensar se era ou não coisa de casamento.
Encarei o laço branco que mantinha o conteúdo da caixa em segurança. Minha cabeça girava a mil por hora. Abro. Não abro. Abro. Não abro. Argh! Decidi então que abriria sim! Ela não tinha o direito de esconder as coisas do futuro marido. Eu não escondia nada dela! Isso me dava o direito de saber, certo? Sim, certo. Certíssimo.
- Bom – pensei alto. – Vamos lá.
E abri. Já era, teria que olhar. Sentei no tapete fofo que ficava no meio do escritório e coloquei a caixa no chão. Levantei a tampa com cuidado. Fotos da na Califórnia, toda bronzeada e malandra, brincando na praia. Ela com as amigas, ela com as amigas em casa, ela com as amigas brincando num parque, ela e um cara quase se beijando, ela e uma amiga... Ela e um cara... Quase se beijando. MAS QUE PORRA ERA AQUELA? Pisquei várias vezes para me certificar de que tinha visto certo. Limpei os olhos com as mãos. Não podia ser. Olhei a foto. Ela e um cara, ambos de perfil, um olhando nos olhos do outro, fazendo bico e quase se beijando. Não podia ser. Então o estava certo! Ela realmente tinha outro. Ela me traiu esse tempo todo, ela estava me enrolando. Será que ele era de Londres? Será que estava com ela agora, fazendo alguma coisa selvagem na sala dela?
Respirei fundo antes de ter um ataque cardíaco. Ela dizia que me amava. E guardava aquela foto no fundo de uma caixa, provavelmente para lembrar dos bons momentos que passaram na Califórnia. Das vezes que foram à praia, das brincadeiras no mar. Só não entendo como ninguém fotografou isso e botou na internet. Ou será que eu não vi? Pode ser. Aqueles malditos fãs fazendo spam no meu Twitter, mal consigo ler as mensagens sérias que chegam. Não que eu odeie meus fãs. Longe disso. Mas spam é um saco e me irrita muito!
Continuei a olhar alguns itens da caixa. Encontrei um bilhete todo decoradinho, que dizia “Words are not enough” (Palavras não são o suficiente). E isso significava que...? Ela não apenas prometeu amor eterno para o babaca da foto, ela deu para ele, é isso? Ela provou seu amor, como dizia que um dia provaria para mim? Aquilo me irritou de tal forma que joguei tudo de volta dentro da caixa, coloquei-a na estante e saí, batendo a porta.
Fui para o quarto e me troquei. Precisava dar uma volta, conversar com o . Isso, o seria perfeito para me aconselhar agora. Liguei para ele e combinamos um encontro num parque perto de sua casa recém-comprada. Procurei não ir a algum lugar muito lotado porque, bem, eu sabia que ía chorar.
- Por Deus, homem, se acalma – dizia , tentando me fazer parar de chorar. – Talvez isso tenha sido um mal entendido. Ou talvez a foto seja antiga e ela só tenha colocado na caixa por colocar.
- Ela não me ama, – eu soluçava. Eu sei, patético. Mas poxa, era o amor da minha vida me trocando por um qualquer. – A foto é recente, dá para ver pela cor da pele e do cabelo da .
Meu amigo não sabia mais o que fazer para me ajudar. Ofereceu água, sorvete, suco. Até um soco no meio do nariz. Mas nada ía doer mais do que ver a minha garota com aquele ser abominável. Ainda mais depois de tudo o que nós passamos. Isso não era certo, definitivamente não era.
- Eu vou lá no escritório – falei levantando-me. – Vou tirar essa história a limpo.
- Tá maluco? Ela te mata se você aparecer lá para interromper o trabalho dela. A é viciada no que faz, odeia que a atrapalhem. E você sabe disso!
- Dane-se!
Antes que o pudesse me segurar, entrei no carro e saí em disparada para a O2. Cheguei em tempo recorde e não anunciei que estava subindo. Apenas passei pela recepcionista sem olha-la. Ela provavelmente deve ter achado que eu trabalhava ali. Também não esperei o elevador, subi de escada. Cinco andares sem nem parar para respirar. Me senti como um atleta.
- Olha só, temos visita hoje! – brincou Matt. – Se veio surpreender sua noiva, chegou tarde. A saiu.
Parei abruptamente com a mão na maçaneta. Olhei para o rapaz que me encarava surpreso.
- Como assim saiu?
- Ué, saiu. Pegou o carro e foi para algum lugar. E antes que você tente, – ele continuou ao me ver virar para a porta – ela trancou a sala.
Não falei mais nada. Apenas agradeci e saí. O mundo parecia estar em processo de desabamento em Londres, que era banhada por uma chuva torrencial. E o meu guarda-chuva, claro, estava no carro. Não me importei. Àquela altura do campeonato, o menor dos meus problemas era ficar ensopado. O que, diga-se de passagem, fiquei em questão de segundos. E agora? O que eu faria?
Entrei no carro e apoiei a cabeça no volante. Só me restava ir para casa tomar banho e me arrastar até o estúdio. Duvidava muito que conseguiria me concentrar, mas eu tinha que ir de qualquer jeito. E o que eu faria com a minha noiva? Isso só Deus saberia dizer.
Dirigi lentamente, tentando absorver o que tinha acontecido. Tudo ainda parecia confuso e sem sentido. Ao mesmo tempo, era tudo muito claro. Um desastre. Minha vida afundando novamente, como da vez que ela foi embora para Paris, sem me dar a chance de explicar qualquer coisa. Fiquei ligeiramente intrigado ao encontrar o carro de na garagem. Ela estava em casa? Fazendo o quê?
Entrei pelos fundos, já que estava mais molhado do que roupa na máquina de lavar. Comecei a me despir ali mesmo. Eu estava na minha casa, que mal tinha?
- ? – pulei ao ouvir a voz que eu mais amava dizendo meu nome.
Encarei os olhos de . Ela parecia ligeiramente preocupada e intrigada, ao passo que transparecia um pouquinho só de irritação.
- Pensei que estivesse no trabalho – respondi irritado.
- Sim, eu estava. Vim buscar o contrato de um cliente que eu trouxe para ler e me esqueci de levar. Aproveitei o horário de almoço, ía até ver se você queria sair para comer, mas você não estava em casa.
- Fui encontrar o .
Eu estava passando por ela apenas de cueca quando a ouvi falar.
- Words are not enough é o nome de uma música – ela disse e eu paralisei. Como ela sabia? – Meus cantores favoritos do Brasil gravaram um CD em inglês uma vez e era uma das minhas músicas favoritas. When You Need Somebody e Don’t Say You Love Me também. Não necessariamente nessa ordem, mas eu amo essas músicas há anos. Foram lançadas antes mesmo de nos conhecermos.
Quando me virei, segurava o papel que estava dentro da caixa.
- Pensei que você fosse gostar de saber, já que deixou isso no chão do escritório.
Ah sim, agora era o Apocalipse. Eu estava perdido. A preocupação e a irritação que eu vi nos olhos dela tinha motivo. Ela ficou preocupada por eu ter visto e irritada por eu ter mexido em suas coisas. Deve ter até planejado me matar lentamente. Ou cortar uma das minhas mãos, assim eu nunca mais poderia tocar. Mas eu não podia me deixar abater. Respirei fundo, juntei toda a força que eu tinha nos meus testículos e soltei a melhor pergunta da minha vida.
- A foto de você e daquele cara quase se beijando, também é uma música?
O queixo dela foi parar no chão. Há! Quem tem mais motivos para ficar irritado agora, hein senhora-eu-tenho-um-amante? Pensei que ela fosse começar a chorar freneticamente, se jogar aos meus pés pedindo perdão. Mas tudo o que fez foi rir. Gargalhar na verdade. E foi para o escritório, voltando minutos depois com a caixa. Tirou todo o conteúdo e espalhou na mesa da cozinha. E eu ali, parado, de cueca, sentindo que seria humilhado.
- , você não o reconheceu? – perguntou ela apontando para a tal foto. Eu me aproximei e olhei bem para o cara. Ele realmente me era familiar. – É o Josh! O maquiador da O2!
- Aquele... Que é gay? – perguntei espantado e morto de vergonha.
- Ele mesmo! A empresa está mandando-o passar três meses em um país, três meses em outro. Assim ele consegue acompanhar as tendências de maquiagem e aprender com profissionais do mundo todo. E, por coincidência, ele chegou duas semanas depois de mim na Califórnia.
Isso era ridículo. Como, meu Deus, como eu não notei que ele só era o maquiador gay favorito da ? Não tive coragem de encara-la depois dessa gafe grotesca. Eu merecia que ela cortasse minhas bolas. , percebendo minha situação, se compadeceu de mim e tomou as rédeas.
- Vai tomar um banho, você vai ficar gripado – senti sua mão deslizar por meu braço. – Vou preparar alguma coisa para comermos e cancelar minhas reuniões. Acho que temos que conversar.
Ao dizer isso, ela juntou as fotos, guardou na caixa e foi para o escritório. Pude ouvir enquanto ela falava com o Matt, dizendo que estava se sentindo mal e que precisaria ficar em casa. Cancelou tudinho por minha culpa. Fui para o banheiro no andar superior tremendo mais do que vara verde. Acho que preferia que ela tivesse me estapeado ali mesmo. Agora, além de envergonhado, eu estava morrendo de medo do que aconteceria naquela tarde. E, pela minha experiência com as mulheres, não era nada, nada bom.
Capítulo VII – Você pra sempre
Terminei meu banho e me vesti lentamente. Já que eu iria morrer, que fosse limpo e perfumado, certo? Quando desci, não estava na sala. Encontrei-a sentada na bancada da cozinha, lendo jornal e comendo alguns biscoitos. Parecia bastante concentrada, mas minha chance de passar despercebido acabou em questão de segundos.
- Não sei por que ainda não condenaram os assassinos daquela menina – resmungou. – Tá na cara que foram aqueles marginais.
- Você está sendo tendenciosa – respondi encostando na outra extremidade da bancada. – E jornalistas não devem ser tendenciosos e se deixar levar pelas informações publicadas pela imprensa.
Ela me olhou surpresa.
- Não estou sendo tendenciosa! O delegado do caso foi entrevistado, já disse que tem provas. A Corte está enrolando por conta do feriado da próxima semana e isso é inaceitável.
Apenas dei de ombros. A campainha tocou e pulou da bancada.
- Pedi comida Japonesa – disse enquanto pegava o dinheiro em sua carteira. Me ofereci para pagar, mas ela apenas me ignorou. Saiu saltitante e cantarolando pela casa.
Isso era muito estranho. Ela seria o tipo de assassina legal? Me deixou tomar banho, conversou comigo numa boa e até pediu minha comida favorita. Só podia ser algum ritual de preparação! Era isso. Ela estava me preparando para morrer de uma forma amigável. Ah, que garota incrível essa minha .
Pouco tempo depois, estávamos aninhados no sofá, assistindo Padrinhos Mágicos e comendo sushi, sashimi e sei lá mais o que tinha naquela bandeja. Só sei que comi feito um porco. E até então, nenhum sinal da nossa tal conversa. E se ela não estivesse pensando em me matar, afinal? Talvez algo pior. Estava me preparando para me dar um pé na bunda, dizendo que, apesar do engano da foto, ela tem sim outra pessoa e que não me queria mais. Que eu era apenas um músico babaca, que ficou comigo por pena. E que, agora que eu posso andar, correr e pular, ela não queria mais nada comigo. Estava perdido em meus pensamentos quando notei que ela estava roubando minha comida. Tirando tudo do meu prato, na cara dura, e botando no prato dela.
- Ei! – gritei afastando minha tigela. – Sai pra lá! Esse é meu.
- Mas eu ainda estou com fome! – resmungou ela.
- Tem mais lá na cozinha, vai buscar, oras.
E aí ela me lançou aquele olhar. O olhar que conquista qualquer homem, o olhar que faz com que ela ganhe tudo. O olhar que é pior que o do gato, do desenho Shrek. Não pude resistir óbvio. Entreguei meu prato para uma feliz e fui buscar mais comida para mim.
Tínhamos devorado tudo o que minha até então noiva tinha comprado. Não perguntei o quanto ela gastou, mas pela quantidade, deve ter sido uma nota preta. O que, aparentemente, não era problema para , já que ela, depois de ganhar aquele prêmio com o nosso clipe, foi promovida e seu salário triplicou. Então ela se dava ao luxo de guardar uma parte, gastar outra e usar a terceira para pagar suas contas. Sendo assim, estava vivendo muito bem e tinha até recusado o cartão de crédito que eu lhe ofereci. Era vinculado à minha conta e, bem, ela não teria limites para sonhar e nem para gastar.
O episódio de Padrinhos Mágicos tinha acabado e estávamos deitados no chão da sala. Snow devia ter se cansado de nós e foi se esconder no quarto, provavelmente. Senti se mexer ao meu lado e notei que ela estava me olhando. A olhei nos olhos.
- Você acredita em mim? – perguntou ela.
- Claro que acredito. Você sabe disso!
- Tem certeza?
- – o nome dela era minha palavra favorita no mundo. – Que espécie de pergunta é essa?
Ela ficou me olhando. Depois, deu um longo suspiro e mandou a bomba.
- Por que você estava mexendo nas minhas coisas? Quero dizer, não tem problema nenhum, você pode olhar, não tenho nada a esconder. Mas fez isso quando eu não estava em casa, o que significa que, provavelmente, procurava por algo. Está desconfiando de mim?
- Não – falei rápido demais. – Eu só...
- Você só...?
Resolvi então que seria a hora de abrir o jogo. Sobre o casório, sabe?
- Eu só achei estranho você não ter visto nada sobre o nosso casamento. Nem falado nada sobre isso. Quero dizer, estamos noivos há quase um ano e eu nem te vi com uma revista nem nada. Então fui falar com os meninos e eles me disseram que era mesmo muito estranho. Saí pela casa procurando alguma coisa, alguma evidência de que você estava sim se importando com a nossa futura nova vida. E foi aí que eu achei essa caixa com as fotos da Califórnia. Você nunca me falou dela.
começou a rir.
- Falei sim. Mas você estava jogando vídeo game e nem ligou!
Pensando bem, eu acho que me lembro de ter escutado algo sobre a tal caixa mesmo. Ela tinha razão. E eu tinha sido idiota por nada. E então, fez algo que me surpreendeu. Sentou-se em minha barriga e ficou acariciando meu peito.
- , presta muita atenção no que eu vou te dizer agora – ela estava séria. Me encolhi debaixo de seu corpo. – Você pode não saber, talvez por não ter percebido, ou por eu nunca ter comentado, mas você é o único que consegue colocar minha vida no lugar. Mesmo no meio da sua bagunça, dos seus pensamentos confusos, você é o meu guia. Eu enfrentei aquela barra toda com você não foi porque eu queria aparecer. Você sabe que eu fujo da imprensa e das suas fãs mais do que o foge do banho. Eu fiquei ao seu lado porque eu acreditei que você pudesse se recuperar e porque eu te amo. O seu abraço é o que eu mais adoro no mundo. Você nunca reparou que, ao final de cada dia, eu chego em casa e corro te abraçar? E quando o dia foi ruim, o que eu te peço?
- O melhor abraço que eu já dei em alguém na vida – respondi aos sussurros.
- Exato. Porque é nos seus braços que eu me sinto segura, é ali que eu consigo ser eu mesma – as mãos de passaram do meu peito para o meu rosto, fazendo um carinho gostoso e delicado. – Eu acordo sempre antes do horário que preciso, só para ficar te olhando enquanto você dorme. Porque eu sei que ficaremos por horas separados e eu quero ter sempre a imagem mais recente de você na minha cabeça. Hoje eu senti uma vontade imensa de ficar em casa, com você, te curtindo, sentindo seus carinhos. Mas não podia porque tenho muita coisa para fazer na O2. Mas talvez devesse ter cancelado tudo logo cedo e ficado em casa. Porque se tem alguma coisa nesse mundo que me faz ficar bem, não é o trabalho, não é Londres, não é a Califórnia... É você. O meu , o meu músico que tenta ser sarado, mas que tem aquela gordurinha deliciosa na barriga.
- E que você adora apertar – falei idiotamente. Ela riu.
- Essa mesmo. Isso soa tão estúpido, mas eu fico olhando sua barriga quando você tá sentado e sem camisa. Fico olhando aquela dobrinha que insiste em ficar, mesmo você se matando na academia. E quanto ao nosso casamento, , não é porque eu não comprei pilhas de revistas e não fico anunciando para o mundo que vamos casar que eu não esteja vendo nada. Tive algumas ideias, tenho alguns sonhos. Mas queria ter tudo mais concreto para poder te mostrar, para saber a sua opinião, para montar com você aquele dia que só vai ser simbólico. Eu sou sua, . Eu já me considero casada com você, já sou sua mulher há muito tempo. Você sabe que eu não sou como a ex-namorada do , que eu não quero ser o centro das atenções. Eu só quero ficar no meu cantinho, com o meu homem, a minha cachorrinha e os meus amigos. Isso é o mais importante pra mim.
- ...
- Eu sei que em partes é minha culpa todo esse mal entendido – disse ela colocando os dedos sobre os meus lábios, me fazendo ficar quieto. – Sei que já fui mais melosa, mais carinhosa. Só estou com muito trabalho agora, com muitas coisas na cabeça. Mas nunca deixei de te ter no meu coração, nem de te fazer um carinho. Nem de dizer o quanto eu te amo. Tenha só um pouquinho mais de paciência, amor. Estamos contratando mais gente na O2, vai aliviar bastante pro meu lado. E vamos poder passar mais tempo juntos.
Passei a mão no rosto, apertando cada centímetro dele. Como eu sou tapado. Sério, eu merecia mesmo que ela cortasse minhas bolas. Eu tinha a noiva mais perfeita e dedicada do mundo e agia feito um babaca. Não era justo!
- Me perdoa? – falei me sentando e arrumando-a em meu colo. – Sério, , me perdoa. Eu sou a pior pessoa do mundo com você e...
E ela me beijou. Mas não foi um beijo qualquer, foi o beijo, sabe? Acho que nem quando ela voltou da Califórnia nos beijamos como dessa vez. O que, tecnicamente, era um problema, considerando que sou fiel e, bem, não fazia sexo há um tempo. As mãos dela passeavam perigosamente pela minha nuca, me fazendo sentir arrepios. Senti suas unhas me arranharem devagar. E foi daí para a pior. Ou melhor, tanto faz. Não sei como tudo aconteceu, só consigo me lembrar de alguns flashes. Mas em meios aos beijos, arranhões, suspiros e mordidas, acabamos seminus no tapete da sala. E era a primeira vez que eu a via assim, só de calcinha e sutiã. Devo dizer, fiquei maravilhado. Ela era mais do que linda. Era divina.
- Para de me olhar assim – ela resmungou toda manhosa. – Você já me viu de biquíni, é a mesma coisa.
- Não – respondi mordendo seu lábio inferior. – Todo mundo te viu de biquíni. Mas assim, seminua, no tapete da sala, só eu vi, só eu estou vendo e só eu verei.
Voltei a beija-la, tirando sua lingerie preta. Desde quando minha noiva andava com roupas de baixo tão provocantes? Precisava me lembrar de perguntar à ela. Mas qualquer lembrança era impossível de ser guardada naquele momento. Eu estava a ponto de explodir, precisava dela com urgência. Fiquei receoso, considerando o que ela já passou com o ex-namorado. Ameacei parar.
- – ela sussurrou, me segurando. Olhei em seus olhos e ela sorriu. – Não esquece a camisinha.
E aí, boom! Eu explodi de alegria, de amor, de desejo. Peguei o preservativo que sempre deixava guardado em minha carteira e fiz da minha garota a minha mulher. Toda minha, entre gemidos e abraços. Só minha, entre ondas de prazer. Inteiramente minha durante aquela tarde toda de muito amor e sexo selvagem.
- E você conseguiu resolver o problema? – perguntei falando baixo. Estava deitado no tapete da sala, apenas de cueca. descansava em meu peito, usando apenas minha camiseta. E estava extremamente sexy!
- Em partes sim – ela respondeu, também falando baixo. – O cliente tentou argumentar, mas eu mostrei o e-mail que ele tinha me mandado. E o Matt era minha testemunha, então acabamos ganhando essa. Acho que, na verdade, o cara queria dar uma de esperto, sabe? Dizer que a culpa foi nossa, aí faríamos um comercial de graça para ele.
- Ele só não esperava dar de cara com uma mocinha chamada , né?
Ela riu, concordando com um aceno de cabeça. Já era noite, o céu estava escuro. E por mais gay que isso seja, preciso dizer: tive a melhor tarde da minha vida. Depois da nossa primeira transa, tivemos muitas outras ali mesmo, no chão da sala. Não era assim que eu esperava ter minha primeira vez com a . Ela me surpreendeu de tal forma que não consegui nem pensar em acender uma vela. Cheguei a cogitar fazer uma surpresa um dia, com velas, música, flores. Ela achou fofo quando contei, mas assumiu que não iria gostar muito. E só então eu entendi um pouco mais da cabecinha da minha noiva. não gostava de exageros. Nunca sonhou com um pedido de casamento no alto da Torre Eiffel, nem uma noite de amor em um quarto de um hotel luxuoso na Itália. Ela era assim, simples por dentro e por fora.
E eu acho que foi exatamente isso que me fez ficar bobo por ela e me faz ficar cada vez mais apaixonado. Já tive muitas namoradas, já dormi com muitas garotas. Todas elas acabavam bêbadas em baladas, publicando fotos minha enquanto eu dormia. A minha não. Ela só quer levar a vida dela, numa boa, sem fofocas e problemas. O que, diga-se de passagem, demonstrava uma maturidade fenomenal da parte dela. O mundo da fama não é fácil. Ela diz que ter se formado em Jornalismo e por acompanhar um pouco dos bastidores de clipes e comerciais ajudou-a a ver que artista também é gente. Mas eu ainda acho que ela agiria da mesma forma independente de sua formação acadêmica.
- Você já encontrou com algum ídolo seu?
- Já – respondeu animada. – Levei 13 anos para encontrar meus maiores ídolos. Travei na frente deles, mas foi muito bacana. Me orgulho por não ter chorado nem nada.
- Essa é minha garota – ri e beijei-lhe a testa. Ela me olhou com um sorriso sapeca brincando nos lábios.
- Não. Essa é a sua mulher!
E aí voltamos a nos agarrar, entre outras coisas mais.
Capítulo VIII – End of the world
Esqueci completamente que tinha que ir para o estúdio. Lembro de ter escutado meu celular tocar. Depois o da . O telefone de casa. A campainha. Mas estávamos ocupados demais para atender. Na manhã seguinte, fiz o imenso esforço de levantar no mesmo horário que minha noiva. Fomos tomar café da manhã em um empório que tinha perto de casa. Devo dizer que foi muito gostoso sair com ela e com Snow logo cedo. Estava começando a fazer frio, o que era uma grande desculpa para se aconchegar em mim. Como se ela precisasse, né? De desculpa, eu digo!
- Vai precisar do seu carro hoje? – perguntei. Ocupada com seu chocolate quente, ela apenas me olhou e fez uma expressão de dúvida. – Ia te levar para o trabalho. E te buscar depois. Mas se você for sair para alguma gravação, não tem problema.
consultou sua agenda. A coitada estava toda torta, com vários rabiscos e folhas extras penduradas por todos os lados. Suas preciosas anotações.
- Nada programado – ela respondeu. – Acho que vamos ter só reuniões hoje, então seria uma boa ter carona no fim do dia.
Terminamos nossa deliciosa refeição matinal e voltamos para casa. pegou todas as coisas que precisaria para o dia enquanto eu a esperava no carro. Em poucos minutos, ela estava na porta da O2. Nos despedimos com um rápido beijo e eu fiquei observando enquanto ela entrava no prédio onde nos conhecemos.
O que se sucedeu não foi minha culpa. Definitivamente não. Juro por tudo o que é mais sagrado que sou o ser mais inocente do mundo. Voltei para casa cantarolando, escolhendo sempre as vias menos movimentadas. Aqueles seres caçadores de fotos de famosos estavam aparecendo nos lugares mais improváveis, como no meio da rodovia. Então eu acabava sempre dando uma imensa volta, mas chegava em casa são, salvo e sem ser fotografado. Um grande feito, tratando-se de Londres.
Quando posicionei o carro na entrada da garagem da minha humilde residência, vi uma pessoa sentada no degrau da porta de entrada. Mas vamos lá, não era apenas uma criatura qualquer. Era minha ex-namorada, , com uma pequena criança em seus braços. Pisquei repetidamente para ter certeza de que não era uma alucinação. Tinha que ser. Ela não teria a cara de pau de surgir na minha casa, ainda com aquela história de que o filho é meu. Sério, eu esperava tudo dela, mas isso era demais. O exame já tinha provado que eu não era o pai, o que mais ela queria? Que eu adotasse o bebê?
- Mas que diabos você faz aqui? – perguntei já irritado. A presença dela, depois de toda a dor que ela me causou, já me deixava com os nervos tinindo.
- Oi para você também – disse ela. – Não vai me convidar para entrar?
O bebê resmungou em seu colo. Ele já devia ter o que, uns dois anos? Quase isso? Um ano e pouco? Ah, tanto faz!
- É meio óbvio que não. Aliás, não sei como você entrou no condomínio, mas vou reclamar agora mesmo com a portaria.
- Eu preciso da sua ajuda – falou mais alto antes que eu fechasse a porta.
Pensei que eu tivesse escutado errado, mas não. Quando me virei, ela me encarava com aqueles olhos pedindo por piedade.
- Você deve estar doente e delirando – falei rindo. Uma risada irônica, amarga. – Por que eu deveria te ajudar, ? Você quase arruinou minha vida.
- Porque você é o único que me resta, a minha última esperança. E se você não me ajudar, eu e o Edward vamos passar fome e ir morar em algum abrigo municipal.
Só podia ser piada. Ela tinha a carreira, as amigas socialites. No que eu, um mero mortal, membro de uma banda, noivo de uma brasileira, poderia ajudar?
- Por favor, .
Respirei fundo. Ela sabia como eu era com as pessoas que precisam de ajuda. Ela conhecia meu coração mole. Dei passagem para que ela e a criança entrassem e fechei a porta atrás de nós.
O que aconteceu foi o seguinte: o projeto artístico dela falhou, sua mãe fugiu com seu dinheiro para alguma parte do mundo. O pai da criança se recusou a pagar pensão, alegando que o filho, que por acaso tinha olhos verdes, não era dele. Ele tinha olhos azuis e ela tinha olhos castanhos. Ele, inclusive, se recusou a fazer o teste de DNA. Como achou que a vida estava ganha, foi gastando tudo o que tinha, sem saber que a mãe estava passando a mão na conta bancária da filha. Quando acordou numa quarta feira, deu de cara com o cobrador do banco, que tinha ido até sua casa cobrar as dívidas. Sem dinheiro, sem amigos, sem a pensão do menino e sem família, ela teve que se virar. Por acaso, a virada dela tinha nome e sobrenome: Poynter. Ou seja, eu.
- Você está querendo que eu...
- Exato – disse ela de forma segura. – Por favor, ? Só até eu arranjar algum emprego e poder alugar um apartamento pequeno. E você trabalha mais na parte da noite, pode me ajudar com o Edward.
Essa era a melhor de todas as piadas que eu já ouvira até então.
- , você sabe que eu estou noivo da , não sabe?
Ela revirou os olhos, deixando claro que o meu estado civil não a agradava nem um pouco.
- Ela jamais vai deixar você ficar aqui – respondi passando as mãos pelo rosto. – O menino eu até acho que ela aceitaria, mas tenho certeza que a prefere ver o diabo a te encontrar. Ela te odeia e tem toda razão do mundo para isso.
Minha ex-namorada se encolheu no sofá.
- Eu sei, mas tenta falar com ela. , não tenho para onde ir – ela suspirou com pesar. – Só por alguns dias. Eu juro que fico na sua casa só por tempo suficiente para eu conseguir me manter.
E o que eu podia fazer? Refleti por alguns longos minutos e, por fim, levantei. Tínhamos um quarto sobrando na casa, só precisaríamos colocar um berço e ela poderia ficar lá com o menino. Óbvio, isso era fácil porque eu ainda não tinha contado para a nova dona da casa. E eu não estava nem um pouco ansioso por isso.
- Você é maluco! – gritava no telefone – A jamais vai aceitar uma coisa dessas.
- É eu sei. Mas o que eu podia fazer? Deixar o menino largado na rua?
- Ah , faça-me o favor! Ela dá para qualquer um, logo arranja um lugar para ficar. Bota essa vaca para fora antes que a chegue! Ou você estará encrencado!
Eu sabia disso mais do que perfeitamente bem. Acontece que eu precisava ter certeza de que e Edward – nome escolhido por causa do tal vampiro que brilha! – ficariam bem. Minha mãe me disse que eu não precisava trata-la mal, apenas não teria que ser amigo dela. Eu conseguiria ignorar a presença de na casa com muita destreza. Mas será que minha noiva conseguiria?
Passei o dia todo trancado no escritório da . Antes, ajudei a outra dita cuja a arrumar o espaço para o bebê. Se minha noiva concordasse com a estadia nada benvinda dos dois, eu sairia para comprar um berço. Caso contrário, eu daria algum dinheiro a e ela que desse um jeito na própria vida. Acabei cochilando no sofá e acordei bem em cima da hora de buscar a no trabalho. Saí de fininho e nem vi ou Edward. Só esperava que eles não estivessem fazendo nada de errado. Dirigi novamente por meus atalhos escondidos e cheguei no prédio da O2 dez minutos antes do expediente acabar. Ainda martelava em minha cabeça como eu contaria sobre nossa nova hóspede e seu pequeno parasita. Nenhuma maneira parecia ser a ideal, a certa ou a que aceitaria melhor. O jeito era ir direto ao ponto e me esconder, antes que ela tivesse tempo de pensar em me estrangular.
Pensando que um lugar quase público seria a melhor opção, estacionei o carro e entrei na empresa. Segundo a nova secretária de , que tinha uma voz chata e ficou me olhando de boca aberta por algum tempo, minha noiva estava em uma reunião. Provavelmente acabaria em cinco minutos, ela passaria correndo em sua sala para terminar algumas coisas e iria embora. Apenas concordei, agradeci e tentei entrar na sala de minha noiva. Trancada. Mas por que raios trancava a porta agora? Não confiava na menina que contrataram, é isso? O jeito foi sentar no sofá da sala de espera e... Esperar.
Dito e feito. Cinco minutos depois, passou tão apressada que nem me viu. Esbocei um sorriso. Ela era mesmo linda! Matt apareceu logo em seguida, se trancando com ela na sala. Pareciam irritados. O que, tecnicamente, era péssimo, já que eu ainda teria que jogar a tal bomba no colo da . Pela porta de vidro, pude ver minha noiva gesticulando agitada, parecendo realmente brava. Pensei em ligar para e manda-la sair imediatamente da casa, mas achei que talvez fosse um pouco precipitado da minha parte.
- Acho que os planos falharam – disse a secretária da voz de maritaca, parecendo bastante chateada.
- Que planos? – perguntei curioso.
- Dona e o Senhor Matthew estavam com alguns projetos novos para a O2. Não sei exatamente do que se trata, mas sei que era algo grande e que exigiria um pouco mais da empresa. Eles tinham reunião com o diretor hoje, para discutir esse tal projeto. Mas pelo jeito que ela está, acho que não aceitaram.
Que droga, pensei com pesar. Não gostava quando as coisas davam errado para a minha mulher. Espera, eu disse mulher? Há moleque! Enfim. Eu iria falar com esse tal diretor. Quem ele pensava que era para derrubar os planos da ? Ele sabia com quem ela se casaria? Aposto que não. Poynter salvaria os projetos dela e de Matt antes mesmo que ela pudesse dizer...
- ? – ouvi a voz de . Olhei para a porta e lá estava ela, me fitando com curiosidade.
- Oi – respondi sem jeito. Não me sentia muito bem na frente daquela secretária. Ela não parava de me olhar. – Posso entrar na sua sala?
- Claro – me deu passagem e eu entrei. Cumprimentei Matt, que estava visivelmente arrasado. – Desculpa, eu estava trancando a porta por conta de um projeto meu e do Matt. Não queria que ninguém visse. Mas...
- Mas nada, . Eu não vou deixar que aquele bundão recuse a nossa proposta. Ela é perfeita!
Matt se pôs a andar pela sala, pensativo.
- Também não vou deixar – respondeu ela. – Mas primeiro precisamos pensar em outra estratégia. Essa falhou, pronto. Vamos seguir em frente, Matthew! Ficar remoendo o passado não vai nos levar para o futuro!
Sem responder, ele saiu da sala. A coisa parecia ter sido bem feia.
- Que projeto era esse? – perguntei me sentando na cadeira antes ocupada por Matt.
refletiu. Ela falava de não remoer o passado, mas estava explícito seu descontentamento. Até mais que o de seu antigo estagiário.
- Queríamos que a O2 começasse a produzir curtas-metragens. Filmes pequenos, mas com tecnologia digna de Hollywood. Mas na reunião de hoje, o diretor disse que sonhamos demais e que isso jamais vai acontecer por aqui. Matt ficou tão irritado que disse que seríamos passados para trás pela concorrência. Foi ameaçado com uma demissão, caso isso acontecesse. E saímos de lá putos da vida, claro.
Uau. Era bem mais grave do que eu imaginava. Mas a proposta de fato era ótima. Para uma pessoa que foi estudar na Califórnia e outra que passou um tempo em Paris, eu não esperaria nada menor do que isso. Eu precisava pensar em como ajudar esses dois. Os clipes do CD do McFLY, Radio:Active, já tinham sido todos gravados. Tínhamos saído em turnê e agora estávamos nos preparando para nosso novo álbum. Eu precisava falar com os meninos. Talvez se encontrássemos um motivo para fazermos um curta-metragem, exigiríamos isso da O2. Seguindo as instruções da , é claro. O diretor não poderia negar isso para um de seus maiores clientes. Até porque, poderíamos dizer que ou era isso, ou quebraríamos o contrato e nos mudaríamos para a concorrência, levando e Matt com a gente. Era um plano brilhante. Eu só esperava que ela ainda quisesse dirigir mais um clipe do McFLY depois do que eu tinha para dizer.
- Erm, ...
Ela digitava freneticamente em seu computador. Nem tirou os olhos da tela, apenas fez um sinal com a cabeça indicando que estava ouvindo. Depois gesticulou, me mandando continuar.
- Hoje uma pessoa apareceu lá em casa me pedindo abrigo. Ela está em uma situação meio delicada, sem casa, sem amigos, sem família e sem dinheiro. Disse que nós éramos sua última esperança de não ir parar debaixo da ponte – fiz questão enfatizar o “nós”.
- Poxa, coitada – disse ela, ainda com os olhos na tela. – Quem é essa pessoa, amor?
Prendi a respiração. Era agora ou nunca.
- . E o bebê dela, Edward.
bateu no teclado com tanta força que a barra de espaço se partiu ao meio e a letra A saiu voando. Acho que agora era a hora de dar aquele telefonema e pedir para sumir em dois tempos. Se bem que, pelo olhar que eu recebi vindo do outro lado da mesa, meio tempo era muito!
Bip.
- Pois não, senhora?
- Megan, preciso de um teclado novo – disse para a secretária. – E um copo grande com água e muita, muita açúcar.
- Já estou providenciando.
- Obrigada.
Bip.
Tentei encontrar o A que foi arremessado injustamente. Mas nem Deus sabe onde foi parar. O que Deus sabe mesmo, e eu também, é que aquele copo de água com muita, muita açúcar jamais seria o suficiente para acalmar . Suas bochechas ficaram vermelhas no exato momento em que eu pronunciei o nome que ela mais odiava no mundo. E ela não ficou ruborizada por estar envergonhada. Foi por raiva mesmo. Era palpável. Eu estava a ponto de me levantar e dizer “muito prazer, dona Raiva, sou , noivo da ”. A coisa foi feia.
Megan entrou minutos depois, com um teclado novo e o copo de água com açúcar. agradeceu, trocou a peça do computador e a secretária saiu, tentando entender o que se passara com a pobre barra de espaço. Antes que eu pudesse pensar, já tinha virado o copo e mandado toda a água doce para dentro. E não parecia mais calma. Como eles diriam no Brasil, ela ficou puta! Bastante puta!
- Você está querendo me dizer que aquela filha da...
- – eu a repreendi. Não precisávamos baixar ainda mais o nível.
- ... mãe está na nossa casa, com o filho dela? Que depois de tudo o que ela fez, ela teve a imensa falta de vergonha no...
- ! – Senhor, me ajuda!
- ... nariz e apareceu lá para pedir abrigo?
- É – respondi me encolhendo.
- E que você aceitou dar abrigo para e seu filho, mesmo ela tendo nos separado por tanto tempo? Mesmo ela tendo feito você me odiar quando eu voltei de Paris? Mesmo depois de toda a dor que ela causou? Porque, caso você não se lembre, o seu acidente também teve a ver um pouco com ela, que nem sequer foi te visitar!
Respirei fundo.
- , eu sei de tudo isso. Já joguei tudo na cara dela, até ri quando ela disse que o tal pai do menino disse que não pagaria a pensão. Acho que ela merece sim sofrer. Mas e a criança? – meu instinto paterno estava meio sensível, relevem! – Ele não tem culpa da mãe que tem, não pediu para nascer e não tem lugar para dormir. Vamos deixar o pobrezinho na rua?
O olhar gélido de caiu sobre mim e eu comecei a achar que não só e a criança, mas eu também iria para a rua. Só esperava que ela me desse tempo de pegar ao menos um cobertor. O silêncio caiu naquela sala como uma âncora no mar. Profundo, assustador e longo demais. Até que minha amada noiva se levantou, começou a juntar suas coisas, resmungando coisas impossíveis de entender.
- E então? – perguntei sem querer de fato saber a resposta.
- Vou para a casa da Jammie. Ou da , tanto faz.
- Como é?
- – respondeu com voz cansada. – Quer dar abrigo para aquela depravada, vá em frente. Mas eu me recuso a dividir o mesmo teto que ela. Já é suficientemente ruim saber que ela está pisando no mesmo chão que eu vou pisar. Dormir lá então, nem morta. Vou passar em casa, pegar algumas coisas e ir para outro lugar. Um hotel se for preciso.
Ela tinha ficado louca ou o quê? Se alguém tinha que sair daquela casa, era . E escolher entre elas era algo tão idiota que me fazia rir. sempre seria minha prioridade!
- Não senhora – falei me colocando na frente dela, impedindo-a de sair da sala. – A que vai sair. Eu já falei para ela que só daria abrigo se você concordasse. Você não aceitou, o que eu entendo perfeitamente. Então ela sai. Isso não é nem pauta para discussão, é caso resolvido. A última palavra é sua. Se você não quer, não tem nem argumento.
pareceu bem mais aliviada. Trocamos beijos rápidos e saímos abraçados. Levei-a até o carro e fomos conversando até em casa, onde eu teria que juntar toda minha coragem e botar aquele bebê tão lindo para fora.
Capítulo IX – Say you’re sorry
Chegamos em casa ainda xingando o tal diretor que foi contra o projeto de e Matt. Cara mal amado do caramba. Durante todo o trajeto, ela me falou detalhes do plano deles e era realmente muito legal. Prometi a ela que resolveria esse problema e ganhei um agradecimento e um beijo gostoso na bochecha. Tem gente que é louco por beijos, ficar enroscando a língua na da namorada. Eu adorava óbvio. Ainda mais os beijos da minha garota. Mas quando ela distribuía pequenos beijos por todo o meu rosto, eu me derretia todinho. Ela sabia perfeitamente disso e se aproveitava da minha fraqueza. Acabei percebendo que ela sempre me pedia abraços, enquanto que o que eu sempre pedia eram os beijos. Perfeito, né? Dava para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Tá. Enfim.
Por mais que estivéssemos numa boa, foi muito desconcertante atravessar a porta de entrada e ver um carrinho de pelúcia na sala. Eu sonhava com isso, mas o carrinho seria do meu filho com a minha esposa, também conhecida como ). Não de uma ex-namorada que estava se abrigando na minha casa. Eu já havia dito que não abriria minha boca. A daria o veredicto final para , que deveria imediatamente recolher suas tralhas e sair. Jamais que eu iria me meter nessa enrascada.
Ao nos ver entrar, minha adorável ex se levantou. Estava sentada no sofá, enquanto Edward brincava no tapete felpudo onde, horas antes, eu e tínhamos passado nossa primeira noite juntos. Elas se encararam com um ódio visível. Se fossem capazes de soltar laser pelos olhos, a sala estaria destruída. Fiquei alguns passos atrás de , tentando não entrar na linha de fogo. Só se fosse muito necessário. Mas um homem mais valente do que eu se pronunciou antes que qualquer um de nós.
- Bababá! – gritou Edward, gargalhando em seguida. Ele era um bebê muito sociável, achava tudo engraçado. Especialmente as minhas roupas.
O olhar de desviou de para a criança. Não me perguntem o que ouve, mas ele pareceu se apaixonar por ela. Foi engatinhando até o pé de minha noiva, sentou e bateu palmas. Se ele estava aplaudindo sua indiscutível beleza, teríamos uma conversa de homem para homem mais tarde. Era só o que me faltava. O caso foi que a tal paixão foi recíproca. se abaixou e acariciou o rosto do menino. Eu e nos olhamos apreensivos. Eu sabia do caráter de , ela jamais seria capaz de machucar uma barata. Primeiro porque morria de medo, segundo porque era uma pessoa muito boa para tal ato. O que eu não imaginava era o tamanho de seu coração e da bondade que nele habita.
- Muito bem – disse ela levantando-se e se dirigindo à minha ex. – Você não pode circular pela casa enquanto nós estivermos aqui, fará suas refeições em horários diferentes, quando recebermos visitas, vai ficar no quarto e não vai interagir com ninguém. Está proibida de usar o telefone. Use seu celular se quiser falar com as suas amiguinhas que te abandonaram. Se a imprensa descobrir que você veio para cá, tá na rua no minuto seguinte. E , se eu te pegar se insinuando para o meu noivo, você é uma pessoa morta. E não terei piedade nenhuma na hora de acabar com a sua raça.
Ao dizer isso, virou as costas e foi em direção à escada, rumo ao nosso quarto. Snow, que não demonstrara nenhuma alegria ao ver minha ex-namorada, a seguia de perto, fazendo as mesmas caras feias que sua dona.
- E o meu filho? – perguntou .
parou no terceiro degrau e olhou para o menino, que sorriu. Ela retribuiu o sorriso e o olhar carinhoso.
- Ele é meu convidado de honra e pode fazer o que quiser. Mas só ele!
E assim ela desapareceu escada acima, fazendo respirar aliviada.
- Tá, o que foi aquilo lá na sala? – perguntei fechando a porta do nosso quarto. – Devo ficar preocupado e com ciúmes do menino?
apenas riu. Estava guardando suas pulseiras e anéis, brincos, colar. Não sei como ela consegue colocar tanta coisa. Depois tirou sua blusa branca, a saia cinza escuro e me olhou sugestivamente. Mandou beijo e correu para o banheiro. Ela estava me seduzindo, claro. Eu devia ter imaginado que aquela expressão sapeca significava alguma coisa. Fui atrás dela, me preparando para mais uma rodada de sexo e a encontrei se olhando no espelho.
- Juro que deixei tudo no lugar – brinquei abraçando-a por trás.
- Claro que deixou. Eu teria te espancado se você tivesse tirado algum pedaço daqui – ela respondeu divertida. – Mas pode parar de beijar minhas costas. O me ligou hoje furioso porque você não foi para o estúdio na noite anterior, então tchau!
Ao dizer isso, ela me deu um beijo rápido e foi tomar seu banho. Resmunguei um pouco, mas ela tinha razão. O dever me chamava, além das broncas que eu receberia. Mas tenho certeza que o que eu tinha para contar abafaria qualquer reclamação por parte dos meninos. Afinal, quem hospeda a ex-namorada e seu filho além de mim? Ninguém!
Desci as escadas cantarolando uma das músicas que seriam gravadas naquela noite. Era tão estranho ir para o estúdio no fim do dia. Quero dizer, era a hora de voltar para casa, certo? De ficar com a minha noiva e tudo mais. Mas enquanto ela estava no andar superior, tomando seu banho delicioso, eu estava saindo para trabalhar. Totalmente errado! tinha desaparecido. Provavelmente estava em seu quarto improvisado, cuidando do bebê. Eu precisava me lembrar de comprar um berço. Se bem que eles cabiam perfeitamente bem na cama de casal do quarto de hóspedes. E outra, eu não era o pai da criança, logo não tinha que me responsabilizar por isso.
Entrei em meu carro e fiquei admirando a janela do banheiro por alguns minutos. Ainda não entendia como aquele mulherão made in Brazil tinha ido parar na minha casa. Estou soando muito babaca? Muito apaixonado? Muito bobo? A culpa é sua, . Eu te amo mais do que a mim mesmo! Fato! Depois de acordar do meu transe, dirigi novamente pelas vias escondidas do meu bairro, até cair na estrada. O estúdio não era muito perto, pelo contrário. Era uma casa, no meio do nada, longe da cidade. Já falei que a culpa foi do , né? Que foi ele quem escolheu e tal. Bem, se eu não mencionei isso em algum momento, por favor, me avise. Ficarei grato em poder falar mal daquela mula novamente.
Cerca de 20 minutos depois, estacionei na última vaga livre da garagem do estúdio. Consegui ouvir alguns sons de guitarra e bateria. Provavelmente nossa equipe estava testando os equipamentos.
- Oh meu Deus – gritou em uma cena um tanto quanto exagerada. – E não é que ele ainda faz parte da banda?
- Estávamos nos perguntando se devíamos interromper seu sono de beleza e te lembrar de que temos um álbum para gravar – falava sem desgrudar os olhos do iPhone. Twitter, meu bem. Twitter.
- Se está se referindo ao fato de eu não ter atendido ontem, eu não estava dormindo – respondi rindo e me jogando no primeiro sofá que encontrei. – Estava tendo uma rodada deliciosa de sexo com a minha noiva.
Ouvi um barulho vindo de algum lugar. Olhei para perto da mesa de som e encontrei no chão.
- Você e a finalmente transaram? – ele pareceu perplexo. Os outros dois me encaravam com a mesma expressão de choque.
Apenas encolhi os ombros. Eles sabiam do problema dela. tinha contado para , que era o maior fofoqueiro da banda. E eu também cheguei a comentar com eles. Ter conseguido transar com ela foi, de fato, um grande avanço. Primeiro porque isso significava que ela confiava em mim o suficiente para tentar novamente. Segundo porque eu sou homem e estava em uma situação bem crítica.
- Isso significa que você não vai mais ficar gemendo enquanto sonha que tá na cama com ela? – perguntou . – Dude, era horrível tentar dormir no ônibus de turnê com você sussurrando o nome da sua noiva.
Os outros dois concordaram, o que me deixou imensamente sem graça. Tá certo que eu realmente sonhava com isso, mas daí a falar? Acabei até me desculpando, o que arrancou gargalhadas imensas daqueles idiotas.
- Mas e daquele outro assunto?
Pela cara de e , não tinha falado nada para eles. Quando expliquei a situação com , derrubou o iPhone e caiu mais uma vez da cadeira.
- Bem, - falei tentando fazer tudo parecer normal – a não deixou, claro. Mas depois que ela conheceu o filho da , parece que ele a hipnotizou, sabe? Quando era para dizer que eles teriam que sair, ela apenas estipulou algumas regras para e disse que o bebê era seu convidado de honra e que poderia fazer o que quisesse.
- Chocante! – exclamou . – Então agora você tem duas mulheres?
- Não idiota! Eu tenho uma só, que se chama . A outra tá hospedada lá temporariamente.
- E quais foram essas regras – perguntou interessadíssimo. Não falei que ele era fofoqueiro?
Pensei um pouco, tentando lembrar exatamente as ordens de .
- Ela não pode circular pela casa enquanto estivermos lá, fará as refeições em horários diferentes, não pode usar o telefone, não pode interagir com as visitas – falei contando nos dedos. – Se a imprensa souber que ela está lá em casa, a bota a para fora e se ela for pega se insinuando para mim, tá morta.
- Só? – indagou .
- E você acha pouco?
- Eu acho! – resmungou . – Dude, tudo aquilo que aconteceu por culpa da não foi fácil. A não merece ter que conviver com aquela cobra. Vocês podiam estar casados já, se quer saber a minha opinião. A atrasou a vida de vocês em um ano pelo menos.
- E por falar em casamento...
- Ah sim, falei com ela . Vocês são um bando de velhas tricoteiras, isso sim! A está vendo coisas para o nosso casamento, só não falou comigo sobre isso ainda porque está cheia de trabalho na O2. Mas logo vão contratar mais gente e ela vai ter uma folga.
- E o cara da foto? – perguntou . Mas ele já sabia?
- É o Josh, maquiador gay e um dos melhores amigos dela.
Nós quatro nos olhamos. Já conhecíamos o Josh do clipe que a dirigiu. Lembro perfeitamente do cara dando escândalo na recepção do hotel por conta de um sapinho que apareceu em seu quarto. No fim, eu fui lá e tirei o bichinho, mandando-o de volta para a natureza são e salvo. Talvez um pouco surdo por causa dos gritos do maquiador, mas vivo. Acabou que caímos na gargalhada e fui motivo de piadas pelo resto da noite. Aproveitei para contar também do projeto da e do Matt. se animou imediatamente e se encolheu num canto da sala para pensar. Ele adorava atuar e viu ali uma oportunidade de mostrar todo o seu talento. ficou revoltado porque o plano de sua protegida tinha falhado e xingou o diretor da O2 de algumas coisas que não posso mencionar aqui.
Gravamos, gravamos e gravamos. Mais do que eu esperava. Tentei pensar que aquilo pudesse ser culpa minha, mas nossos instrumentos são gravados separadamente. Eles não trabalharam na noite anterior porque não quiseram. Encerramos o expediente às cinco da manhã. Em partes porque estávamos cansados, mas também porque a iria viajar e queria se despedir do . Ela passaria dois dias na casa de uma amiga mexicana e o meu querido amigo parecia ter sido abandonado no altar. Jurou se trancar em casa e não sair até sua excelentíssima senhorita voltar. Imaginem se eu tivesse feito o mesmo quando a foi para a Califórnia. Três meses em casa, sem ver ninguém? Eu morreria!
O que me animava é que a sexta feira estava começando. Logo, minha noiva sairia mais cedo do trabalho, nós tínhamos combinado de não ir para o estúdio. Eu poderia ficar em casa, curtindo minha mulher e a minha cachorrinha. E a minha ex. E o filho engraçadinho dela. Talvez eu desse um tiro na minha testa ou algo assim. Como, meu Deus, como eu poderia ficar pela casa com a agora que tínhamos uma criança no recinto? Certo, era a minha vez de ditar as regras para aquele pedaço de gente. Ele teria que ficar no quarto com a mãe dele e pronto!
Voltei para casa observando a cidade. Ainda estava escura, sinal de que o Outono estava chegando ao fim. A temperatura já começava a cair e em breve teríamos a cidade branca novamente. Para a minha alegria, significava também que o Natal estava chegando. O que queria dizer que eu e a precisávamos definir como passaríamos nossa data festiva favorita. Na casa da minha família? Iríamos para o Brasil e passaríamos com a família dela? Eles viriam para a Inglaterra e passaríamos todos na nossa casa? Com a ? Há! Não. O fato é que não existiria Natal sem + , + . Eu não aceitaria não poder dar um beijo na minha noiva numa data tão familiar.
Estacionei o carro e entrei nas pontas dos pés. Não que alguém fosse acordar, afinal a dormia feito uma pedra e a Snow... Bem, essa não era parâmetro. Entrei no quarto, me troquei e fiquei sentado na cama por alguns minutos, observando minha noiva.
- Para de me olhar e vem dormir – disse ela, a voz sonolenta e os olhos fechados.
Sorri idiotamente e beijei-lhe os lábios.
- Te acordei, pequena?
Ela bocejou.
- Não. O Edward estava chorando e aquela inútil da sua ex-namorada não acorda fácil. O moleque levou bons minutos para conseguir chamar a atenção da mãe. Por pouco eu não fui lá ver o que ele queria.
Ajeitei meu travesseiro e deitei. Mal tive tempo de me acomodar e já tinha no meu peito e Snow nas minhas pernas. Como uma pessoa consegue dormir assim? Estava explicada a dor nas costas que eu sentia todas as manhãs. Eu mal podia me mexer! Mas não reclamei. Abracei a e dei-lhe um beijo na testa. Estava tão cansado que mal consegui dar boa noite para as garotas que eu tanto amava.
- I took a little time scripting all the things that I tell you... – uma voz doce, vinda de algum lugar da casa, foi me tirando lentamente do meu sono avassalador. – I’ll send them through the mail and if all goes well, it’d be a day or two...
Não era só a voz. Era um som delicado de violão também. Olhei meu celular. Pela hora, já estaria no trabalho. Mas eu jurava que a voz se parecia com a dela. E a cantando era pior que uma guitarra desafinada. Nunca que ela cantaria daquele jeito. Snow também não estava na cama. Isso tudo era muito estranho.
Fiz minha higiene matinal e já estava saindo do quarto quando me lembrei de vestir algumas roupas. Eu tinha o costume de andar de boxers pela casa, já que éramos só eu e a . Mas agora que eu tinha aquele encosto no quarto ao lado, era melhor não facilitar. A porta do quarto de hóspedes estava fechada, o que significava que estava lá dentro.
Desci as escadas lentamente e vi os longos cabelos de caindo no encosto do sofá. Cocei os olhos, achando que era uma alucinação. No chão estava Edward, ouvindo atentamente cada palavra que ela pronunciava, aplaudindo e tentando cantar junto.
- Look at us now, ask me how did this get so – ela continuou. Ele sorria. – I’ll show you how got my shoes on the ground. But I’m taking em’ off and I’m ready to walk, yeah.
Eu tinha algumas perguntas rodeando minha mente: desde quando tocava violão? Desde quando cantava? Desde quando não ia trabalhar? Ao mesmo tempo em que eu tentava entender, algo me levou a sentar ao lado dela.
- I can’t stop digging the way you make me feel – terminei a música, arrancando aplausos do menino e ganhando um beijo da minha noiva.
- Bom dia – disse ela sorridente. – Quase boa tarde, né?
Edward aproveitou que o colo de foi desocupado pelo violão e correu pedir atenção, o que ganhou sem muito esforço. Ela o sentou em suas pernas e ele ficou ali, quietinho.
- Bom dia. Pensei que você estivesse no trabalho – ela sorriu. Desmarcou as reuniões e os compromissos porque o encontro com o diretor na tarde anterior a irritara demais. – Desde quando você toca violão?
- Aprendi na Califórnia – respondeu . Ela acariciava a pequena cabeça de Edward, que parecia estar muito confortável no colo dela. – Um colega de classe tocava e achou um absurdo a noiva de um McFLY não tocar pelo menos violão. Aí me ensinou algumas músicas.
Sério, aquela criança estava me incomodando. Não que eu estivesse com ciúmes, mas ele não era filho dela. Nem meu, por sinal. E a nunca tinha demonstrado qualquer afeição por crianças até então. Talvez pelos meus priminhos, mas eu achei que fosse só para fazer um social com a família toda, sabe? O que aquele momento não me dizia era que a minha vida estava a caminho da maior mudança que poderia acontecer. Ficar um tempo sem andar, sem tocar, em uma UTI. Nada disso era significativo perto do que viria a seguir. O maior amor do mundo. Agora em dobro. E quem vai contar tudo para vocês é a pessoa que vai mudar a minha vida. .
Capítulo X – The Story Of Us
As coisas estavam acontecendo para nós de uma maneira tranquila até aparecer na nossa porta, pedindo ajuda ao meu noivo. Achei uma grande falta de vergonha na cara dela, mas o que eu poderia fazer? Quando vi aquela criança, pensei em como eu iria dormir à noite sabendo que o botei para fora. As regras foram ditadas de tal forma que ela não pudesse folgar em cima da bondade de . Mas é claro que isso aconteceria.
Dois meses se passaram. Estávamos enfrentando um inverno rigoroso em um Novembro nada alegre. estava eufórico, querendo montar a árvore de Natal a qualquer custo. Custou para explicar que, segundo os costumes, as decorações devem ser colocadas no dia seis de dezembro. Ainda estávamos no impasse da casa que nos receberia. Meus pais, que haviam conversado com apenas pela webcam, estavam ansiosos para conhecer o futuro genro famoso. A família dele não abria mão de passar o Natal com a gente. E aquela parasita não se mexia. Ela não passaria a noite com a gente nem que me implorasse. E Edward que me desculpasse, mas ele também não seria muito benvindo.
Algumas contratações foram feitas na O2, mas o fluxo de trabalho aumentara por conta das festas de final de ano. Ou seja, nada resolvido. Eu continuava lotada de trabalho, sem tempo para resolver qualquer coisa da minha vida pessoal. Eu sentia que estava deixando cada vez mais de lado e isso me matava lentamente. Nossos beijos e abraços costumeiros do dia a dia estavam cada vez mais escassos. O McFLY estava finalizando as gravações de seu próximo álbum, que seria dali a dez dias. Isso o deixava ocupado também. Quando eu chegava em casa, ele já tinha saído. Quando ele voltava, eu estava dormindo. Quando eu saía na manhã seguinte, era ele quem estava descansando. Conseguíamos almoçar muito rapidamente dia ou outro, mas nossas refeições eram sempre interrompidas por celulares que tocavam o tempo todo.
O nosso casamento? Só nos sonhos. Como eu teria tempo de ver tudo o que eu sempre sonhei se nem ficar com o meu noivo eu conseguia? Era terrível pensar que logo faríamos de fato um ano de noivado e eu não sabia nem quando seria oficializada a nossa união. Eu até tinha visto alguns vestidos pela internet, mas nada que me agradasse. Fora que, depois que eu fiz o curso de webdesign à distância, fiquei louca de vontade de desenhar toda a papelaria do casamento. Mas no momento, tudo o que eu conseguia desenhar mesmo era a minha cama. Eu andava tão cansada e estressada que faltava só soltar fogo pelas ventas.
brincava, dizendo que esse meu nervosismo todo era falta de sexo. Talvez fosse mesmo. Depois que eu consegui superar meu medo e me entregar à , tínhamos criado uma rotina deliciosa de um surpreender o outro. Ele, romântico que só, ganhou. Fingiu que iríamos para a casa do , num churrasco qualquer, e me levou para o hotel mais caro da cidade. Quando entrei no quarto, com medo de ter velas, rosas e todas aquelas coisas cafonas, ele me mostrou uma pequena caixa de veludo que estava em cima da cama. Era um colar maravilhoso, com vários diamantes. Coisa cara, por sinal. O pingente era um coração e atrás estavam gravados os nossos nomes. contornava metade, enquanto preenchia a outra parte do desenho. Tudo isso por quê? Estávamos comemorando dois anos de namoro e eu nem tinha me tocado. Esqueci mesmo. Mas ele não.
Depois daquela noite, a coisa pegou na O2, no estúdio e a gente mal tinha tempo. Conseguíamos transar nos finais de semana, quando Edward não ficava colado na nossa porta ou a mãe de não nos ligava para passar o sábado e o domingo na casa dela. Infelizmente, as duas situações aconteciam com frequência, o que tirava nossa privacidade e nosso pique. procurava não demonstrar, mas eu sabia que ele estava tão irritado quanto eu.
Vale lembrar também que essa correria estava me deixando doente. Minha pressão andava caindo com frequência e eu me sentia enjoada. Matt dizia que eu não estava comendo direito, o que era verdade. dizia que eu trabalhava muito, o que também era verdade. Josh, que tinha terminado sua turnê e estava de volta, dizia que estava me cansando muito, o que não era verdade. , por sua vez, dizia que era culpa de , o que era uma super verdade! Entre teorias certas e erradas, eu continuava me sentindo mal e botando o jantar para fora vez ou outra. E ninguém sabia o que fazer comigo.
E voltando a falar daquele encosto, estava me dando nos nervos pelo simples fato de não estar procurando emprego! Cansei de chegar em casa e encontra-la deitada no sofá, falando ao telefone, rindo com alguma amiga vadia. E o auge do meu stress chegou bem no dia em que o expediente de no estúdio acabou mais cedo.
Saí da O2 e passei no mercado, já que a dispensa estava praticamente vazia. Entrei pela porta dos fundos, assim já deixava tudo na cozinha. Subiria para tomar um banho e arrumaria tudo depois. Enquanto colocava as sacolas na mesa, ouvi a voz de vindo da sala. É, ela estava novamente ao telefone.
- Ah amiga, não me incomodo muito – dizia ela entre risadas. – O Edward tem feito seu trabalho direitinho. Sempre que eu pergunto onde a outra está, ele corre bater na porta do quarto deles. Sei lá, acho ele interrompe várias coisas.
Meu queixo caiu. Eu devia ter suspeitado que ela estivesse por trás disso. O menino sempre aparecia quando eu e estávamos num momento só nosso. E era fácil descobrir: colocávamos Snow para fora do quarto.
- Emprego? Tá doida? Tenho casa e comida de graça. Vou ficando por aqui enquanto posso. Não pretendo sair tão cedo. E com o moleque pequeno, é fácil convencer o coração mole do a me deixar ficar. E a noivinha patética dele não vai querer arranjar confusão, né? Afinal, vai que ele resolve ter um flashback ou algo assim.
Foi o que bastou. Se ela achava que estava ali porque eu tinha medo de perder o meu noivo, ela veria com quantas malas se bota uma vaca para fora da sua casa. Passei pela sala, olhando nos olhos dela e deixando bem claro que eu tinha escutado tudo. pareceu apreensiva e se despediu de sua amiga assim que eu subi as escadas. Fui para o quarto dela. Olhei bem cada parte do cômodo. Todas as coisas dela e do menino estavam no armário, assim como a mala que ela carregava no maldito dia que apareceu na nossa porta. Joguei tudo em cima da cama, sem dó nem piedade. Depois soquei tudo dentro da mala. Ela não ousou aparecer no segundo andar. Sabia que estava encrencada. E, claro, ouviu estacionar o carro. Coisa que eu não tinha escutado. Arrastei a bagagem até a escada. Certifiquei-me de que nem Snow e nem Edward estivessem no último degrau e joguei a grande bolsa de couro, que rolou os degraus fazendo um enorme barulho.
- O que é isso? – disse fechando a porta. Depois ele me olhou no topo da escada. – , o que houve?
- Essa é a minha mala? – perguntou com sua voz esganiçada.
- É – respondi descendo lentamente cada degrau. – Você tá fora dessa casa. Ouvi tudo o que você disse para a sua amiguinha, . E a minha paciência com a sua folga acabou. Dá o fora daqui numa boa, antes que eu me irrite mais ainda e te jogue na rua pelos cabelos.
Ela, esperta como uma onça, se pôs a chorar. não sabia o que fazer, mas também nem devia. Eu contaria a ele depois o que ela tinha falado ao telefone. O que ele precisava era me ajudar a colocar aquele encosto para fora das nossas vidas. E não foi o que ele fez. se lançou contra ele, chorando em seu peito. E a abraçou. Pela segunda vez, meu queixo foi ao chão.
- , calma – disse ele. – Não desconta o seu stress nos outros. A está se esforçando. Ontem mesmo me mostrou um trabalho que ela tentaria, na produtora do meu amigo.
Eu sei, eu estava sensível. E muito estressada. Mas qualquer mulher ficaria louca de pedra ao ver seu noivo consolando a ex-namorada que, por acaso, se achou no direito de voltar para a casa dele.
- – falei tentando não berrar – eu quero essa coisa fora daqui. Agora.
Ele riu. De verdade.
- Nem sempre temos tudo o que queremos, .
E ao dizer isso, pegou a mala de e levou de volta para o quarto. Ela me olhou e deu um sorriso vitorioso. Subi as escadas de dois em dois degraus, chegando ao topo a tempo de vê-lo fechar a porta. Nos encaramos no corredor. Minha respiração estava acelerada, ao passo que ele parecia muito calmo. Um pouco bravo, eu diria, mas não nervoso como eu estava.
- Ela está folgando em cima de você – falei tentando justificar minha atitude. – , ela não vai arranjar um emprego, vai ficar enfiada aqui na nossa casa.
- Chega, ! – a voz dele num tom sério, que eu nunca tinha escutado – Tudo bem que tivemos problemas com ela no passado, mas a tem seguido todas as suas regras. E está tentando encontrar um emprego. Você está há semanas reclamando no meu ouvido sobre ela, tentando encontrar motivos para colocarmos os dois para fora de casa.
- , eu não estou tentando encontrar motivos! Eu ouvi a falando no telefone com a amiga dela!
Ele cruzou os braços e ficou me encarando. Era o tipo de olhar que ele dava para um segurança que não deixa as fãs do McFLY se aproximar. Aquele olhar duro, gélido, que significa que não adiantaria discutir.
- Nós não temos culpa se você está nervosa por causa do seu trabalho – e então ele se referiu a eles como “nós”. O pronome que era usado para definir e , agora também definia , Edward e . – Dá um tempo para todo mundo dessa casa. Isso aqui tá um inferno!
Senti grossas lágrimas subirem por meus olhos. Eu não era do tipo que chorava à toa, então não consegui entender o que estava acontecendo. Mas, como eu disse, eu andava sensível demais nos últimos dias. Qualquer coisa já me deixava nervosa, me fazia chorar. Isso não era bom sinal. Por um momento achei que ele tivesse se arrependido pela forma como me tratou. Podia jurar que me abraçaria e pediria desculpas em dois minutos. Um talvez. Mas ele passou por mim, foi para o banheiro que ficava no nosso quarto e fechou a porta. Fiquei olhando a placa de madeira, ainda em choque. E então resolvi que talvez ele estivesse certo. Eu devia mesmo dar um tempo para todo mundo.
Fui até o meu lado do armário e puxei uma mala. Joguei todas as minhas coisas dentro, tentando enxergar em meio ao turbilhão de lágrimas que caíam dos meus olhos. Meu estômago revirava, mas eu não tinha tempo para isso. Os banhos de costumavam ser rápidos. Fechei a bolsa e a coloquei no chão. Depois, em um ato de infantilidade, tirei o colar que ele me deu no nosso aniversário de dois anos de namoro e deixei em cima do travesseiro dele. Um pouco dramático eu sei, mas ele me magoou de verdade. Eu só estava tentando faze-lo enxergar que a estava mentindo para todo mundo!
Snow me olhou confusa. Eu não a tinha preparado psicologicamente para outra viagem. Quando ela pareceu entender, ficou agitada e não parava de cheirar minha mala.
- Vai ficar tudo bem, meu amor – falei abaixando e pegando-a em meus braços. – Não importa o que aconteça, vamos ficar juntas, ok? A mamãe volta para te buscar.
Deixei-a em cima da cama, arrastei a mala para fora do quarto e fechei a porta. Se ela ficasse me encarando daquele jeito, com aqueles pequenos olhos pretos que me pediam para ficar, eu não conseguiria ir embora. Desci as escadas. Nem sinal de e Edward. Ela provavelmente estava em seu quarto, comemorando. Ouvi desligar o chuveiro. Levei minhas coisas para o carro e entrei. Olhei a janela do nosso quarto, que tinha a luz acesa. E foi quando, de repente, ela se abriu.
- ! – gritou . – Aonde você vai?
Pude ver o coração com pequenos diamantes brilhar com o reflexo da luz do quarto. Meu noivo o segurava com firmeza, provavelmente tentando entender o que aquilo significava. Cogitei deixar o anel de noivado, mas achei que não conseguiria suportar tantas separações em uma única noite. Abri a janela do carro.
- Estou dando um tempo, como você pediu – respondi.
- Não sai daí. Vou me vestir, já estou descendo. ! – ele gritou novamente ao me ouvir ligar o carro.
fechou a janela com força. Eu só esperava que não tivesse quebrado! Tirei o carro da garagem e já estava me afastando da casa quando o vi pelo retrovisor. Ele corria no meio da rua, tentando em vão alcançar meu carro. Depois, lentamente, foi consumido pela escuridão da noite.
- Por Deus, isso é trabalho para macho – reclamava Josh enquanto segurava meu cabelo. A briga com tinha revirado meu estômago e eu estava prestes a vomitar todos os meus órgãos internos. – Ou melhor, para noivos e maridos! Volte para o seu e pare de frescura.
Escolhi pela lógica: o último lugar que me procuraria seria na casa do meu maquiador. Ele começaria pela casa do Matt, por causa da Jammie e tal. Somos quase irmãs, era meio óbvio que eu fosse para lá. Depois ele iria para a casa do , que é o meu protetor. tentaria falar com , porque ela era mulher e brasileira, então eles poderiam achar que eu passaria por lá. A essa altura, Matt me ligaria e eu falaria onde estava, sem autoriza-lo a contar ao . Enquanto isso, entraria em contato com e . Se Matthew não abrisse a boca e nenhum deles se lembrasse de Josh, eu estava a salvo pelo final de semana. Mas, bem, meu amigo gay não ficou muito satisfeito com a situação.
- Eu não tenho mais noivo – resmunguei lavando a boca. Escovei os dentes e fui para o quarto de Josh. Me joguei em sua cama. Eu não tinha mais noivo. E a choradeira recomeçou.
- , pare com essa ladainha. Eu sei que ele pisou na bola, que aquela vadia de beco está atrapalhando a vida de vocês. Mas essa não é nada parecida com a minha amiga brasileira. Em outras épocas, você apenas dormiria de costas para o e provaria que estava falando a verdade. Agora tá aí, toda sensível, parecendo... – ele parou e me olhou desconfiado.
- Parecendo o que? – enxuguei meu rosto. Depois respirei fundo e fiz uma careta – Argh, Josh. Não me leve a mal, mas esse seu perfume é horrível.
Ele pareceu bem afetado.
- É o mesmo perfume que eu sempre uso e que, por acaso, foi você quem me deu!
Mesmo? Eu andava com um mau gosto danado.
- Tá me deixando enjoada de novo.
E então uma luz se acendeu na mente brilhante de Josh.
- Você tá parecendo mulher grávida! – ele sussurrou e abriu um imenso sorriso. – Sensível, enjoada, olfato aguçado. Há quanto tempo sua menstruação está atrasada?
Olhei-o com espanto. Como ele sabia disso? Amigos gays tem algum tipo de radar que identifica quando suas amigas estão menstruadas?
- Umas três semanas, eu acho – respondi apreensiva. – Mas eu já li sobre isso. O stress pode afetar até mesmo o ciclo menstrual da mulher. E eu estou em um momento tenso da minha vida.
- Aham – disse ele revirando os olhos. – Você não estava assim há duas semanas, então nem vem. E você anda se esfregando com o seu noivo que eu sei.
Bem, nem tanto. Andamos meio sem tempo. Claro que eu não disse isso em voz alta, mas que eu pensei, ah pensei. Meu celular tocou pela quinquagésima vez. O nome de e a nossa foto apareceram no visor. Quase que ao mesmo tempo, Matt ligou para Josh. Conversaram rapidamente. Meu querido amigo ordenou que ele e Jammie fossem para lá imediatamente. E que comprassem um teste de gravidez na farmácia.
Pelo visto, tinha passado na casa de Matt. Agora devia estar me procurando em algum outro lugar. Mas eu não queria ir para casa. Não enquanto estivesse lá!
- Isso é ridículo, Josh.
- Não é não, minha filha – respondeu ele bastante animado. – Isso é um bebê, pode apostar! Se quiser, coloco meu estojo de sombras da Dior na roda. Você só precisa me liberar aquele seu amigo brasileiro, Thiago, e a aposta está feita.
Fingi que não ouvi. Deitei na cama e abracei o travesseiro de Josh, sentindo uma imensa falta do corpo quente e protetor de me envolvendo. Grávida? O Josh só podia estar brincando. Eu só precisava de um final de semana de paz e todo o meu organismo voltaria ao normal. Não demorou muito e ouvimos a campainha. Jammie chegou no quarto antes de todo mundo, sendo seguida por minha afilhada sonolenta. Deitei-a na cama e a olhei cair no sono. Meu pequeno anjo.
- Que história é essa de gravidez? – perguntou Jammie em voz baixa. – Aliás, o que você está fazendo aqui? O está desesperado atrás de você. Quase chorou quando eu falei que você não estava lá em casa e nem tinha ligado.
Respirei fundo.
- Besteira do Josh. Ele cismou que eu estou grávida. E quanto ao – falei no mesmo tom de voz – ele me pediu um tempo! Poxa Jammie, ele sabe que as coisas estão complicadas no escritório. Ouvi aquela vaca da conversando com uma amiga, dizendo que não iria arranjar emprego e que manda o menino bater na porta do nosso quarto quando a gente está lá. Fiquei doida! Botei as coisas dela numa mala e joguei pela escada. Mandei ela embora.
- É, ele falou algo do tipo. O que mais?
- Ele a abraçou, disse que ela está se esforçando e que eu estou descontando tudo nela! – tentei conter uma lágrima teimosa, mas ela caiu antes que eu pudesse evitar – Disse que nem sempre podemos ter o que queremos e que eu estou há dias reclamando da . Mas poxa, eu não posso querer e ter a minha vida de volta? O meu noivo, a nossa casa, o nosso sossego?
Jammie me abraçou. Ela tinha sido minha grande confidente desde que se instalara na nossa casa. E me entendia perfeitamente, ou pelo menos se esforçava.
- Josh disse que sua menstruação está atrasada há três semanas.
Revirei os olhos.
- Meu ciclo menstrual ficou tão interessante assim?
- Ficou – ela respondeu rindo e me entregou uma caixa. – Vamos lá. Não dói e não mata! Mas antes eu quero ver uma coisa.
Jammie me arrastou para o banheiro e encostou a porta. Depois, num ato meio inesperado, levantou minha blusa até metade da minha barriga.
- Abre sua calça e abaixa só um pouco – ordenou.
- Oi?
Ela não me deu tempo de respirar. Abriu minha calça e apalpou levemente abaixo do meu umbigo. Depois sorriu e me olhou, parecendo emocionada.
- Você está grávida. Tenho quase certeza! Olha só, sua barriga está durinha.
- É, eu sei – falei tentando arrumar minhas roupas, mas ela não deixou. – Ando comendo bastante junkie food ultimamente. Se bobear, isso são gases, porque essas comidas cheias de conservantes acabam comigo.
- ! – Jammie bateu em meu braço. – Deixa de ser idiota. Olha aqui! É a altura do seu útero. Meu deus, vai morrer de alegria!
A mínima menção do nome dele me deu arrepios. Mais até do que a tal gravidez que todo mundo falava. Minha amiga beijou minha bochecha e saiu, me deixando sozinha com aquele teste assustador. Analisei minha barriga pelo espelho. Ela realmente parecia diferente, mas eu ainda achava que era resultado de tanto miojo. Abri a caixinha em minhas mãos, tendo mais do que certeza de que eu calaria a boca de todo mundo. Aquele teste era mais difícil do que parecia. Como fazer xixi em uma tirinha de papel?
- Desconfortável, no mínimo – resmunguei enquanto tentava me acertar na privada.
Por um momento, uma onda de medo me invadiu. E se todos eles estivessem certos? E se eu estivesse realmente grávida? sempre usou camisinha. Sempre... Exceto por uma vez. Uma única vez que nos pegamos de surpresa e transamos na escada de casa. Estávamos tão excitados e desejando um ao outro com tanta vontade que mal tiramos nossas roupas. Lembro-me de ter ficado preocupada na hora, mas depois esqueci. E isso tinha sido há um mês, mais ou menos.
Respirei fundo e olhei o resultado. Duas tirinhas. Negativo! Arrumei minhas roupas, dei descarga e saí do banheiro. Ouvi vozes vindas da sala e fui alegre e saltitante, com o teste em mãos, mostrar para todo mundo.
- Deu negativo. Duas tirinhas. Não falei?
Jammie me encarou incrédula. Foi até o banheiro e pegou a bula dentro da caixinha, voltando em menos de um minuto.
- Você leu isso direito? – perguntou ela praticamente esfregando o papel no meu nariz.
- A-acho que sim! – respondi. Na verdade, eu sempre achei que duas tirinhas era negativo, então nem li a bula.
- Ah, acha? – Jammie desdobrou o papel e apontou onde eu devia ter lido. Minha boca foi se abrindo lentamente. – Pode ler em voz alta, querida?
- A interpretação do teste é simples: se após a realização aparecer apenas uma marca, o resultado é negativo – minha voz ia falhando à medida que eu lia. – Caso apareçam duas, parabéns. Você está... Grávida!
Ouvi Matt e Josh comemorarem. Jammie me abraçou, mais feliz do que eu. E agora? Eu não estava pensando em ter filhos tão cedo, mesmo depois de casada. Como iria ser mãe solteira? Maldita rapidinha na escada!
Capítulo XI – If This Was a Movie
A alegria de todos não me contagiou. Nem em meio às piadas de Josh, aos abraços de Matt e Jammie e ao conforto do colo dos meus amigos eu conseguia relaxar. Eu estava grávida de um cara que estava hospedando a ex-namorada em nossa casa. Eu teria um filho do homem que me pediu um tempo.
- Olha, na minha terra o seria capado – brincou Josh. – Engravidar a princesa antes do casamento? Ele tem sorte de ter conquistado nossa amizade, não é Matt?
- Josh – ouvi Jammie repreende-lo em voz baixa.
Eu estava sentada no parapeito da janela, olhando a rua. O teste de gravidez estava ao meu lado. Vez ou outra eu o olhava, mas só para voltar a encarar as estrelas em seguida. Como eu contaria a sobre nosso filho? E se ele apenas dissesse que assumiria a criança, mas não falasse nada sobre nós? Ele poderia ter se cansado de me esperar, não é? Essa era a terceira vez que eu o deixava, ele tinha esse direito. Respirei fundo, tentando encontrar as respostas nos pequenos pontos luminosos no céu. Pedi a todos que não falassem para onde eu estava. Prometi ligar para ele na segunda feira. De qualquer forma, eu tinha certeza que ele apareceria na O2, mas como eu queria evitar uma situação constrangedora, ligaria para ele antes de ir trabalhar. Senti uma mão delicada encostar em meu braço. Era Lizzie, abraçada com seu ursinho. A bagunça de Josh e Matt a acordara e ela tinha ido buscar um pouco de paz no colo de sua madrinha. Ajeitei-a em meus braços e começamos a cantar baixinho sua música favorita do McFLY, Falling in Love. Não por acaso, a música que me levou até . Eu não vi Matthew sair. Só reparei que ele tinha voltado com algumas bolsas. Jammie anunciou que passariam a noite ali também, como nos velhos tempos em que acampávamos na sala de minha antiga casa.
Na manhã de sábado eu e Jammie preparamos um café bacana para todo mundo. Eu ainda não estava falando muito, resultado de minha tristeza por não ter comigo, e pelo choque da gravidez.
- Preciso te contar uma coisa – disse ela enquanto arrumávamos a mesa, parecendo um pouco receosa. Apenas a olhei, incentivando-a a seguir em frente. – Matt ligou para o enquanto você dormia.
- Eu pedi para não fazerem isso – falei séria.
- , você está exagerando. Eu te dou total razão por querer aquela mulherzinha longe de vocês. Ainda mais agora que você está grávida. Ela tem que sair imediatamente de lá. Mas o dá a vida por você. Ele provavelmente não estava num bom dia, só queria ir para casa e te encontrar. E o que ele viu foi uma mala voando escada abaixo.
Sentei na cadeira e respirei fundo. Apoiei o rosto nas mãos e fechei os olhos, massageando minha cabeça. Uma dor terrível me atingira logo cedo. Isso sim era stress e resultado de uma noite mal dormida.
- O que o Matt falou para ele?
- O sabe que você está aqui, mas não vai vir para cá. Ele também não sabe do filho de vocês. Seria ridículo o Matt contar – respondeu ela, sentando-se ao meu lado. – Nós só ligamos para dizer que te encontramos e que você está bem. Que está chateada com ele, mas que estamos aqui e vamos cuidar de você. Ele agradeceu pela ajuda e disse que vai te esperar em casa.
Suspirei e fui para a sala. Os dois homens ainda dormiam profundamente, enquanto Lizzie descansava na cama de Josh. Agradeci mentalmente por ter deixado meu computador no carro no dia anterior. Fui até lá e o peguei, voltando correndo para dentro da casa. O inverno estava piorando a cada dia. Sentei no sofá e liguei o laptop. Jammie apareceu com uma caneca de chocolate quente e eu me senti mal por ter sido tão chata com ela nas últimas horas. Agradeci com um sorriso e fui consultar meus e-mails. No fundo, eu estava mesmo esperando que ele tivesse me mandado algo. E meu coração não mentiu. Tinha sim uma mensagem de .
From:
To:
Subject: Volta?
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“Ontem à noite eu ouvi meu próprio coração batendo, pareciam passos na minha escada. Seis meses passaram e eu ainda estou chegando, mesmo sabendo que você não está lá. Eu estava jogando para trás milhares de lembranças, pensando sobre tudo que nós temos passado. Talvez eu estivesse voltando muito tarde quando o tempo parou e eu tinha você.
Volte, volte, volte para mim como você faria se isso fosse um filme. Fique na chuva lá fora até que eu saia. Volte, volte, volte para mim como você poderia se você apenas dissesse que está arrependida. Eu sei que nós podemos resolver isso de alguma forma. Mas se isto fosse um filme, você estaria aqui agora.
Eu sei que as pessoas mudam e essas coisas acontecem, mas eu me lembro como era na época. Trancado em seus braços e os nossos amigos rindo, porque nunca nada assim aconteceu com eles. Agora eu estou andando pelo corredor, perseguindo pela rua. Flashback de uma noite, quando você me disse “Nada vai mudar, não para mim e para você”. Não antes que eu soubesse o quanto eu tinha a perder.
Volte, volte, volte para mim como você faria se isso fosse um filme. Fique na chuva lá fora até que eu saia. Volte, volte, volte para mim como você poderia se você apenas dissesse que está arrependida. Eu sei que nós podemos resolver isso de alguma forma. Mas se isto fosse um filme, você estaria aqui agora.
Se você está lá fora, se você estiver em algum lugar, se você está se movendo. Eu estive esperando por você desde que você se foi. Eu só quero isso de volta do jeito que era antes e eu só queria ver você de volta à minha porta. E eu diria...
Volte, volte, volte para mim como você disse antes que "não é tão fácil", antes da briga, antes de eu deixar você sair. Mas eu pegaria tudo de volta agora.
Volte, volte, volte para mim como você que você faria se isso fosse um filme. Fique na chuva lá fora até que eu volte. Volte, volte, volte para mim como você poderia se você apenas dissesse que está arrependida. Eu sei que nós poderíamos resolver isso de alguma forma. Mas se isto fosse um filme você estaria aqui agora. Não é o tipo de final que você quer ver. Talvez esse não seja o fim. Eu pensei que você estaria aqui agora”.
Não é original, mas foi a única coisa que eu consegui pensar. Sei que você gosta de Taylor Swift. Sei também que fui um idiota, mas nunca quis realmente que déssemos um tempo. Se você ainda quiser voltar, eu estou te esperando. Minha vida não é nada sem você. Eu te amo imensamente e estou sentindo muito a sua falta. Volta pra mim?
Sempre seu,
.
Claro que ele sabia que eu gostava de Taylor Swift. Existia alguma coisa na minha vida que não soubesse? Ele era a maior parte dela, não tinha como não conhecer o resto. Meu coração estava ficando cada vez mais apertado e eu tinha consciência de que estava sendo observada por Jammie. Fechei o laptop e fui para a cozinha, sentando perto dela.
- Ele me mandou um e-mail – falei sem encara-la. – Com uma música da Taylor Swift e me pedindo para voltar.
Ela riu.
- é tão brega quando quer, mas devo dizer que foi bonitinho da parte dele.
Concordei com a cabeça e me levantei em seguida.
- Vou para casa. Preciso conversar com ele, contar da gravidez.
Eu e Jammie nos olhamos. Subi correndo, me troquei e peguei minhas coisas. Coloquei tudo de qualquer jeito no carro e parei perto de minha melhor amiga. Ela sorriu, me encorajando. Depois me deu um abraço apertado e me acompanhou até o carro.
- Me liga para contar como ele reagiu – disse Jammie fechando a porta do motorista. – Tenho certeza que ele vai chorar.
Respirei fundo.
- Pior que eu também tenho!
Rimos juntas e parti em direção à minha casa. Eu precisava recolocar minha vida nos trilhos e seria agora!
Vi brincando com Edward no jardim da frente. Apertei o volante, respirei fundo e estacionei o carro. Ela pareceu bastante surpresa em me ver. Juntei todas as minhas forças e lancei um sorriso cínico, deixando-a aparentemente amedrontada. Entrei em casa com passos firmes e fui recebida por uma Snow muito feliz. Beijei sua pequena cabeça branca. estava parado na porta do meu escritório e me olhava aliviado e triste.
- Você não dormiu à noite, não é? – perguntei me aproximando.
- Não preguei os olhos – ele respondeu com a voz cansada. – Não faz mais isso, por favor. Não some assim. Eu quase morri te procurando pela cidade. Se te acontecesse alguma coisa, eu jamais me perdoaria.
Coloquei meus dedos em seus lábios. falava muito quando estava nervoso. Ele esboçou um sorriso e me abraçou. Afundou o rosto em meu cabelo, respirando profundamente. Abri a porta do escritório e entramos. Permiti que Snow viesse junto, assim não se daria ao trabalho de mandar seu filho bater na porta. Fomos até o sofá, onde ele me aninhou em seu colo e me beijou. Acariciei cada milímetro do rosto de . Meu rosto favorito em todo o mundo. Josh tinha razão, meu olfato estava aguçado. E o cheiro do meu homem era delicioso. Ele todo era incrível e eu não entendia como tinha conseguido dormir sem ele me abraçando. Provavelmente fui vencida pelo cansaço, ao contrário de , que estava até com olheiras.
- Me perdoa? – ele sussurrou em meu ouvido.
- Depois conversamos – respondi beijando seu pescoço. – Vamos subir. Você precisa descansar.
- Não. Não quero dormir. Tenho medo de acordar e descobri que foi um sonho, que você não voltou.
Olhei em seus olhos e ri. Ele era a criatura mais adorável do mundo.
- Eu não vou embora, – respondi mordendo seu lábio inferior. – Prometo. Vou ficar com você até você acordar.
- E depois também?
- Para sempre!
Saímos do escritório abraçados, para o espanto de , que nos encontrou na sala. Ignoramos a presença dela e subimos. Snow fez a minha parte como anfitriã mal educada e rosnou para a ex de , nos acompanhando em seguida. Fiz questão de coloca-lo para dormir, como se ele fosse uma criança. Fiquei abaixada ao seu lado, olhando seus olhos perfeitos se fecharem lentamente. Eu só esperava que o nosso filho tivesse os mesmos olhos doces e expressivos do pai.
Essa era outra questão. Como eu contaria a sobre minha gravidez? Devia simplesmente dizer que teríamos um filho ou preparar algo mais divertido? Aproveitei que ele dormiu e corri para a farmácia que tinha perto de nossa casa. Era daqueles estabelecimentos que vendem de tudo, inclusive sapatinhos de bebês. Bem simples, branco, pequeno. Provavelmente para alguma emergência materna.
Voltei para casa ainda pensando no que fazer com aquele par tão pequeno de sapatos. De repente, qualquer ideia parecia idiota, exceto uma. Peguei um pedaço de papel e escrevi poucas palavras, mas muito significativas: Te amamos muito! Entrei no quarto tentando fazer o mínimo possível de barulho. Coloquei os dois sapatinhos ao lado do celular de , no criado mudo. Encostei o bilhete neles e saí, esperando que ele entendesse o que eu queria dizer. E, sendo bem sincera, eu estava começando a gostar dessa história toda de gravidez. Seria bem gostoso ter um bebê nosso bagunçando a casa.
Como não acordaria para o café-da-manhã, comi algumas torradas e bebi uma caneca generosa de leite. Estava lendo o jornal, como sempre, quando escutei a voz dele gritando meu nome. Olhei o relógio. Quase meio dia. Ele estava bem cansado mesmo.
- – disse ele entrando na cozinha, me mostrando os dois sapatinhos. – Encontrei isso no meu criado mudo e quero saber se realmente significa o que eu acho que significa.
Tentei segurar uma risada e ficar o mais séria possível.
- Depende – falei com os olhos fixos nas mãos dele. – Se você acha que isso significa que eu estou grávida e que vamos ter um bebê, então você acertou. Se você tinha pensado outra coisa, então você errou!
O rosto de se iluminou no sorriso mais lindo que eu já vi. Veio andando lentamente até mim, os olhos fixos nos meus. Eu apenas me encolhia na cadeira, rindo. Ele se abaixou na minha frente e olhou minha barriga. Passou a mão lentamente e depositou um beijo carinhoso, enquanto eu acariciava seus cabelos.
- O papai também te ama muito – disse ele todo bobo. – E ama a mamãe mais do que qualquer coisa no mundo!
Ao dizer isso, ele levantou e me puxou. Ficamos abraçados por um tempo bastante longo. me apertava em seus braços no que eu sempre chamei de “o meu melhor abraço”. Era ali que eu me sentia protegida, cuidada e amada. Era ali que eu era mais do que feliz. Senti seus lábios pressionarem os meus e nos beijamos com muito amor e carinho. Um beijo doce, apaixonado. Senti suas mãos passeando por minhas costas, depois por minha nuca e, por fim, segurando meu rosto.
- Eu nem acredito que vamos ter um filho – disse ele me olhando. – Quando você descobriu? Por que não me falou logo? Precisamos marcar médico, contar para todo mundo.
- Ei, calma – respondi rindo. – Tá me deixando confusa com tantas perguntas. Descobri ontem. Na verdade, o Josh descobriu. Disse que essa minha sensibilidade e irritação pareciam sintomas de grávida. Depois fez a Jammie e o Matt comprarem um teste e levarem até a casa dele. Ela sacou na hora que eu estava grávida. Olhou minha barriga, apalpou. Disse até que você choraria!
virou o rosto. Ele realmente estava chorando. Ainda bem que não apostei nada! Só consegui rir mais ainda.
- Seu bobo! – falei beijando-lhe os lábios – Depois eu fiz o teste e deu positivo.
- Você devia ter vindo para casa no mesmo minuto – reclamou ele. – Não devia ter passado a noite lá!
- Eu fiquei meio em choque. Não estava esperando essa gravidez. Confesso que não gostei muito na hora. Mas ver a sua reação agora está me fazendo a mulher mais feliz do mundo.
Ele sorriu mais ainda, se é que isso era possível.
- A mulher não. A mãe mais feliz do mundo!
Nos beijamos novamente e saímos para almoçar. Nosso primeiro almoço em família.
Capítulo XII – Brick by Brick
Se antes a vida já estava boa – digo antes da aparecer! -, depois que o nosso bebê foi descoberto, tudo ficou... terrível! Primeiro que continuávamos no impasse natalino. Eu e estávamos cansados das nossas famílias disputando quem nos receberia. Resolvemos, então, que o jantar seria na nossa casa. Meus pais chegariam uma semana antes. Esse também era o prazo para a liberar o quarto. Na verdade, como eu tentei argumentar, ela devia sair umas duas semanas antes. Assim eu teria tempo de desinfetar o quarto, depois lavar com sal grosso e acender uns incensos. achou que eu estava brincando. Ele nunca me leva a sério nessas horas!
Para nossa imensa sorte, não ouviu a comemoração da minha gravidez. Éramos apenas cinco que sabiam da novidade: eu, , Matt, Jammie e Josh. E até o quarto mês, meu objetivo era manter esse assunto no mais completo sigilo.
- Acho isso besteira – disse mexendo em seu iPad. Estávamos deitados em nossa cama, Snow com a cabeça na minha perna e as patas traseiras cutucando meu noivo. – Estou coçando os dedos para não postar no Twitter!
Revirei os olhos. Mudei a página do livro que eu estava lendo: Insaciável, da Meg Cabot.
- Não vou discutir isso de novo, senhor ansioso. Já te expliquei os motivos e não vou mudar de ideia!
- Mas você acha que tem chances? – perguntou ele aflito.
- , toda gravidez tem risco de acabar em aborto nos primeiros meses. Vamos ficar quietinhos, curtir só entre nossos amigos. Depois espalhamos para todo mundo.
Ele pareceu pensativo. Pela expressão que brotou em seu lindo rosto, eu já entendi o que se passava por sua cabecinha.
- Não – falei antes que ele tivesse a chance. – é fofoqueiro, deixa escapar tudo quando fica bêbado e Tom não se controla no Twitter.
- Mas eles são nossos melhores amigos, . Principalmente o . Ele vai morrer se souber que o Josh foi informado antes dele. Você sabe disso!
Neguei com um movimento de cabeça. Ele não venceria essa fácil. Nem mesmo nossos pais estavam autorizados a saber do nosso filho. O anúncio seria feito só depois do quarto mês. E, segundo minhas contas, isso seria apenas em março.
Estávamos na primeira semana de novembro. O CD do McFLY, Above The Noise, sairia no dia 10 e eu teria que, tecnicamente, me despedir do meu noivo – e pai do meu filho! – por algumas longas semanas. Tentei persuadir cada um dos meninos, mas eles não me deixaram ouvir nem a introdução de uma única música. Nem ao menos me contaram se eu ganharia alguma de presente nesse novo álbum. Achei uma injustiça sem tamanho!
Fechei meu livro e o coloquei na mesa de cabeceira. Snow mexeu apenas a orelha, tentando fingir que não estava dormindo. Empurrei-a para o pé da cama e fui chegando lentamente perto de .
- Desliga isso aí, vai – resmunguei manhosa. – Você fica mais com esse iPad chato do que comigo.
Ele riu.
- Quem estava lendo até agora mesmo? Ah é, minha noiva. Obrigado pela informação.
- Só comecei a ler porque você veio lá da sala com esse treco – tirei o aparelho das mãos de e o coloquei em cima do meu livro. Deitei a cabeça em seu peito quente e ele me abraçou.
- Já pensou em algum nome? – perguntou ele beijando minha cabeça.
Fechei os olhos e sorri. Nunca imaginei que meu amado noivo quisesse tanto ser pai. Nem ele sabia disso, eu acho. Provavelmente era alguma vontade subconsciente que despertou com força total. Seu assunto favorito era nosso filho. Tudo girava ao redor do bebê, que eu carinhosamente chamava de Alienzinho. Ele ainda era um ser estranho dentro de mim, então me dei esse direito, apesar dos protestos de .
- Não pensei em nenhum ainda – respondi honestamente. – Acho que vou acabar batizando-o de Alien mesmo! Alien . É um nome bastante sonoro. E se for menina, podemos chama-la de Aliena.
me olhou incrédulo. Sério que ele acreditava nisso? Tudo bem que eu sou meio maluca, mas não a ponto de chamar meu filho de Alien ou Aliena!
- Você um dia me mata de susto com essas ideias mirabolantes.
Não contive uma risada. E foi quando uma coisa estranha começou no meu estômago. Primeiro foi um sinal de fome, coisa que tinha se tornado comum desde que Alienzinho se instalara em meu útero. Eu andava comendo mais do que leoa. Mas não era uma simples fome. Era fome de...
- Cebolitos – sussurrei sentindo minha boca salivar. me olhou confuso. – Cebolitos, suco de laranja. Tang. E sorvete de milho verde.
- Você pode falar a minha língua, por favor? E nem vem com essa de que está se comunicando com o meu filho na linguagem alienígena.
- Cebolitos é um salgadinho com sabor de cebola. Tang é aquele suco em pó. E sorvete de milho é a coisa que está me fazendo morrer de vontade – respondi empurrando-o pra fora da cama. – Vai, . Preciso desses três itens. Não vou conseguir dormir se não comer Cebolitos, sorvete de milho verde e tomar suco Tang. De laranja!
- , você bebeu? São quase duas da manhã, onde eu vou encontrar essas coisas? E eu nem sei o que é esse nedolitos que você falou!
- Cebolitos!
- Tá, que seja – ele revirou os olhos e me encarou desconfiado. – Se isso for aquele desejo de grávida que eu escuto falar desde sempre, pode ir parando por aí.
Senti vontade de gritar que aquela não era uma vontade que eu poderia controlar. Mas eu estava no processo de acalmar os meus nervos, então me segurei. Devolvi o olhar dando o meu melhor, fazendo até uma forcinha para que algumas lágrimas brotassem. respirou fundo e passou a mão no rosto.
- Me fala onde eu arranjo esse tal sorvete!
Dei um gritinho de alegria e passei para ele o endereço de uma loja brasileira que tinha encontrado. Acomodei-me confortavelmente na cama, esperando por meu marido e minhas três preciosidades.
voltou uma hora depois. Eu já estava impaciente, quase comendo o travesseiro. Mas a minha felicidade foi tão grande que até ele sorriu. Ali estavam eles: um projeto de Cebolitos, o suco e o sorvete.
- Tive que rodar a cidade atrás da tal loja – disse ele colocando a bandeja com a comida na minha frente. – Era mais longe do que eu imaginava!
Não respondi. Enfiei três salgadinhos de uma vez na boca, enquanto segurava o copo de suco com a outra mão. O pote de sorvete sorria pra mim. Eu mal tinha acabado de engolir a comida e já ataquei aquela obra divina. me olhou assustado.
- Maridos não entram na lista de desejos, né? Não quero ser devorado com essa violência toda.
Revirei os olhos e ri. Se eu devorasse o , quem sairia no meio da noite para buscar comida? Óbvio que eu o manteria intacto! Observando o salgadinho e o sorvete, uma ideia me ocorreu. E uma vontade fenomenal. Mergulhei um anel de cebola no pote e comi. O sal, misturado com todo o açúcar, derreteu em minha boca de tal forma que eu achei que fosse explodir de satisfação. Fechei os olhos, saboreando aquela mistura bizarra. Meu noivo soltou um gemido em protesto.
- , sem nojeira, vai.
- Isso é muito bom – falei repetindo a dose. E comendo mais um. E mais um. Como eu nunca tinha experimentado salgadinho de cebola com sorvete de milho verde?
parecia bastante assustado. Pegou seu iPad e começou a fuçar freneticamente. Depois deu uma gargalhada, acordando Snow, que não entendia toda aquela comida em cima da cama.
- Olha isso – disse ele sentando mais perto e colocando o aparelho no meu campo de visão – Os desejos exóticos das futuras mamães não passam de pequenas brincadeiras realizadas pelas primeiras imaginações de seus bebês.
Olhei para o meu projeto de barriga. Não tinha nada aparente ali, mas eu e cuidávamos dela com muito carinho. Então era isso? Meu filho que estava me mandando todas aquelas imagens desorientadas e vontades de comer? Não contive uma risada.
- Ele é muito espertinho!
- Mas aqui também diz que esses desejos começam, normalmente, a partir do segundo mês – me olhou confuso. – Você está de quanto tempo, ?
- Vou saber sexta feira – falei encostando na cabeceira da cama. – Tenho medico logo cedo. Vai comigo?
O rosto dele se iluminou e eu nem precisei da resposta. Óbvio que ele iria. não perderia a chance de tentar convencer o médico a me obrigar a parar de trabalhar. Mesmo ele sabendo que isso era impossível, tentaria de tudo. Empurrei a bandeja e ele prontamente a pegou. Acomodei-me na cama, sentindo meu estômago afundar em meu corpo. Pesava tanto que eu estava certa de que ele tinha ido parar nas minhas costas. Vida de grávida não é fácil. Fato!
Para a minha imensa tristeza, o dia nove de novembro havia chegado. e eu saímos para comprar algumas peças de roupas e produtos de higiene para colocar em sua mala. Eu estava tão irritada com a viagem dele que nem ao menos me importei com os paparazzi que nos perseguiam freneticamente. Não era comum dar de cara com e no centro de Londres. Era um fim de tarde frio e nublado, faltando pouco para começar a chover. visitaria toda a Inglaterra com a banda e não tinha um casaco decente para usar. Pelo menos do meu ponto de vista de grávida, né?
Eu estava mais sensível do que o normal. E mais perceptiva também. Começo de gravidez é como uma TPM constante: você ri, chora, se irrita. Tudo ao mesmo tempo. E, do nada, passa. E aí começa de novo. E passa num piscar de olhos. Meu iPod tinha virado a maior inspiração para fossa já existente. Nenhuma música alegre. Eu, óbvio, tentava não demonstrar. Mas era difícil. Enquanto andávamos pela rua, chamando a atenção de alguns fãs que apenas apontavam, tirei alguns segundos para observar o casal que era o centro das atenções. Quem éramos nós?
Percebi pequenos gestos que eu não tinha notado antes. tinha mania de andar com as mãos nos bolsos. Quando estava frio, ele escondia as mãos em seu casaco. Às vezes, segurava a minha e colocava junto com a dele. Mas geralmente eu apenas segurava seu braço, mantendo nossos corpos o mais próximo possível um do outro. Como eu ficaria até perto do Natal sem o calor do meu noivo?
também era uma criança pura quando fazia compras. Ria de tudo, apontava todas as vitrines e não conseguia evitar uma loja de brinquedos. Nossa casa estava virando um reduto de bonecos dos mais estranhos aos mais comuns. De monstros a personagens de Star Wars. E meias. Ele adorava meias. Tinha uma coleção imensa e eu tinha certeza de que ele nunca tinha usado metade. Seu único problema era comprar cuecas. Ele odiava. Era uma briga convence-lo de que os ursinhos não eram sensuais e que os elásticos das suas antigas cuecas estavam ficando frouxos. E quando saíamos com o propósito de repor o estoque, uma sempre apertava, a outra era larga, a outra não deixava seu grande amigo respirar. E ele acabava levando boxers pretas. Sempre.
Outra mania era comer no mesmo restaurante japonês toda santa vez que íamos ao centro. Como era raro, eu não me importava. Também gostava do lugar, para ser honesta. Pedíamos aquelas barcas imensas com incontáveis sushis, sashimi e o que mais tivesse. E, para não dar briga, o último sushi era dividido exatamente ao meio. Podíamos ser bem selvagens quando o assunto era comida japonesa.
Entramos em uma loja cara de roupas masculinas. tinha falado alguma coisa sobre um casaco da vitrine, mas meus pensamentos estavam longe. No dia que nos conhecemos. Eu estava tentando lembrar a roupa que ele estava usando. Era uma camiseta azul, com desenhos em preto. A calça jeans escuro fazia o contorno perfeito de suas pernas, sem sobrar e nem faltar. Ele usava seus Vans surrados e que ele tanto amava. Foi uma briga para jogar aqueles sapatos no lixo, mesmo depois do imenso buraco que abriu na sola. O cabelo bagunçado tinha tanto gel que nem o mais forte dos tornados mexeria num fio sequer. E o sorriso de sempre. Doce, sincero, tímido, alegre, contagiante. É, não tinha como eu não me apaixonar.
- Qual você prefere, amor? – perguntou ele, me tirando do transe. – Cinza ou esse marrom mais claro?
Meus olhos entraram em foco. segurava as duas peças de roupas idênticas, exceto pelas cores. Olhei bem.
- O marrom valoriza os seus olhos – respondi com um sorriso sincero, porém triste. – E você pode usar com o cachecol xadrez que comprou. Vai ficar bem legal.
Ele sabia que eu não estava gostando nada da ideia de ficar quase um mês inteiro sem a companhia do homem da minha vida. Mas eu não podia fazer nada, não é? me esperava quando eu viajava a trabalho, quando eu ficava até tarde no escritório por conta de alguma reunião. Como ele disse quando fui para a Califórnia, essa era a turnê dele. E era a minha vez de ficar em casa. Mesmo contra minha vontade, vale lembrar.
- Chega de compras, né? – disse ele entregando o casaco ao vendedor e indicando que levaria o marrom. Depois, parou na minha frente e me deu um selinho. – Cansada?
Fiz uma careta.
- Um pouco. Você fazendo compras é pior que mulher!
deu uma deliciosa gargalhada.
- Consegui ser pior do que você?
- Puff – brinquei revirando os olhos. – Bem pior!
Rimos. Ele pagou o casaco, pegou as outras sacolas e me abraçou. Saímos da loja rindo das piadinhas bobas que ele continuou contando até o carro. O frio me acertou em cheio assim que pisamos na calçada e senti minha pele queimar lentamente. Um dia eu ainda sairia com aqueles gorros que deixam só os olhos de fora. Pareceria uma bandida, mas pelo menos teria minhas bochechas intactas.
- Sério, se eu fosse vendedora de alguma dessas lojas, teria te botado pra fora! – resmunguei enquanto ele colocava as sacolas no banco de trás.
- Eu não sou tão chato assim!
- Claro que é – continuei, encostando na porta do passageiro e cruzando os braços. – Você tem noção que a moça te mostrou pelo menos quinze tipos diferente de cachecol e você escolheu o primeiro que ela pegou?
riu.
- Exagero seu!
- Não é não. E a moça das cuecas? , pelo amor de Deus, você já está velho para dar trabalho em loja de cuecas. Imagina se...
E ele me beijou. Deixou o peso de seu corpo cair sobre o meu, me pressionando contra a lataria do carro. Colocou minhas mãos nos bolsos de seu casaco e me abraçou, afastando todo o frio que eu estava sentindo. Céus, como eu sentiria falta dessas interrupções nada educadas da parte dele.
Podíamos ouvir o barulho de várias câmeras fotográficas trabalhando ao mesmo tempo, mas mandamos tudo para o inferno. A única coisa que eu realmente queria naquele momento era ficar perdida nos lábios e nos braços do meu noivo. encostou sua testa na minha. Mantive meus olhos fechados. Eu choraria se o encarasse, mas sabia que ele me observava.
- Vamos fazer a festa dos tabloides – sussurrou ele. – Tenho certeza que vão refazer a edição de amanhã só para colocar nossas fotos.
Encolhi os ombros. Que se danassem os jornais.
- Vou sentir tanto a sua falta – falei no mesmo tom de voz. beijou minha testa e apertou os braços ao meu redor.
- Não fala. Vou me sentir muito mal, pior do que já estou me sentindo. Não quero te deixar – ele respondeu, depositando um beijo carinhoso em meu pescoço. Depois falou em meu ouvido, para que só eu pudesse entender – Vou morrer de saudades de vocês dois.
Um imenso sorriso brotou em meu rosto e eu tomei coragem para encara-lo.
- Promete que vai se cuidar, ?
- Prometo.
- Mesmo?
- Prometo, .
- De coração?
- .
- Por favor?
Respirei fundo.
- Eu, , prometo a você, , que irei me cuidar até o seu retorno. Não carregarei peso, não farei esforço e tentarei me estressar o mínimo possível. Também prometo não sair no meio da noite para comprar comida e, caso seja muito necessário, acordarei o Matt ou o Josh para fazer isso por mim.
Ele riu. Continuou me olhando, esperando pelo resto do texto que ele havia escrito na noite anterior. Ah é, e que me obrigava a repetir a cada meia hora.
- Também prometo passar na casa da sua mãe pelo menos duas vezes por semana, para que ela se certifique de que eu realmente estou bem e te informe de todos os detalhes.
- Perfeito! – disse ele me dando um selinho.
- Podemos ir pra casa agora? – perguntei emburrada. – Temos que terminar de colocar suas roupas na mala.
me afastou do carro e abriu a porta. Entrei correndo, antes que o frio me encontrasse novamente. Pouco tempo depois, estávamos em casa, entrando pela porta dos fundos porque, como sempre, senhor se esqueceu de colocar a chave da entrada principal em seu chaveiro.
Capítulo XIII – Revenge is Sweeter
Eu nunca fui aquela criança realmente fã de Natal (ao contrário de ), que acreditava em Papai Noel a ponto de escrever cartinhas (ao contrário de ) e que não conseguia dormir na noite do dia 24 (totalmente ao contrário de ). Na verdade, eu apenas jantava com a minha família na casa dos amigos dos meus pais. Lembro pouco de como nos conhecemos, porque eu tinha aproximadamente dois anos. Eles tem dois filhos com idades próximas à minha, o que fez com que sempre acabássemos com o resto da família deles no Natal, comendo mais do que um bando de porcos esfomeados e abrindo os presentes antes da meia noite. Essa minha comemoração natalina tinha acabado quando me mudei para Londres e conheci o McFLY. Eles são irritantemente felizes nesta data. Mas confesso que comecei a acreditar no bom velhinho logo que pisamos em casa. Meu presente chegou bem antes do esperado.
Estávamos passando pelo jardim. A janela da cozinha estava aberta e um cheiro horrível invadiu minhas narinas, me deixando enjoada. tinha feito o jantar. Ela não sabia cozinhar e um dia botaria fogo na casa. Ouvi sua voz irritante e assim que colocou a chave na fechadura, segurei seu braço.
- É, o pai do garoto depositou a pensão desse mês e do mês passado – ela disse. Estava ao telefone?
- Que sorte, amiga. E o que você vai fazer agora?
Ah não. Ela não estava ao telefone. Estava com visitas. Recapitulando: estava morando de favor na casa do ex-namorado e da noiva dele. E agora ela se sentia tão a vontade que usava a cozinha deles para fazer o jantar dela e de uma amiga. Bom. Muito bom.
- Vi que a Louis Vuitton vai entrar em promoção. Pensei em dar uma passada lá amanhã, quando viajar. A nunca vai conseguir provar que eu comprei uma bolsa enquanto ele estava fora!
- – alertou a amiga. – Você não está se arriscando muito? Devia realmente procurar um emprego e sair dessa casa. Não acho que a sua sorte vai durar para sempre. Queria muito que você e o voltassem a namorar e se casassem, mas acho que ele gosta demais da namorada dele.
A risada estridente de ecoou pela cozinha, passando pelo vão da janela e chegando aos nossos ouvidos.
- Não se preocupe. Tenho certeza que falta pouco para o bobo do enjoar daquelazinha. Se quer saber, nem sexo eles fazem mais. A cachorrinha está sempre no quarto com eles. O que me poupa o trabalho de mandar o Edward bater na porta, é claro.
A cena do queixo do meu noivo indo parar quase no chão foi impagável. Mas explicando: realmente, ficamos sem sexo por um mês porque meus enjoos eram muito fortes. Mas começamos a trancar a coitada da Snow no banheiro e tudo foi resolvido. Podíamos transar a vontade, sem criança batendo na nossa porta. Não sei como não pensamos nisso antes.
me olhou espantado. Apenas encolhi os ombros e fiz a minha melhor cara de “eu te avisei”. Sua mão ainda segurava a chave na porta. Pela expressão em seu rosto, ele estava pensando na melhor forma de entrar. Fazendo escândalo? Fazendo cara de paisagem?
- Entra, olha bem para a cara dela e vai pro quarto – falei baixo e ele me olhou sério. – Ah por favor, vai? Me deixa fazer o trabalho sujo pelo menos dessa vez? A parte divertida sempre ficou com a Snow. E você me deve essa!
Ele revirou os olhos e girou a chave. O silencio foi imediato na cozinha. entrou calmamente, cumprimentou as duas com um sonoro boa noite, encarou e foi para o quarto. Fiquei parada na porta, um sorriso vitorioso brotando em meus lábios e uma vontade imensa de rir subindo em meu peito.
- Bem – comecei tentando conter o riso. – Acho que dez minutos é um bom tempo para você fazer as malas, né? É só o tempo que eu e o vamos levar para terminar de arrumar as coisas dele para a viagem de amanhã. Você não vai querer estar aqui quando ele não estiver mais ocupado, vai ?
A amiga dela não se mexeu. Estava boquiaberta e nos encarava.
- Isso foi tudo armação sua – disse a ex dele, apertando o cabo da frigideira que ela tinha em mãos. – Você fez de propósito.
- Eu? – aí a risada veio com tudo! – Se alguém aqui é culpada, além de você, é a falta de memória de . Ele esqueceu a chave da porta da frente, por isso tivemos que atravessar o jardim e entrar por aqui. Não tenho nada a ver com isso, apesar de ter achado ótimo. Como sua amiga disse, a sua sorte não duraria por muito tempo. E ela acabou.
- Eu vou acabar com você.
Revirei os olhos. Ela ainda tinha esperanças de tomar o meu lugar? Mesmo?
- Ah, e respondendo à sua observação, nós fazemos sexo sim. Com uma frequência bem grande, se quer saber. Apenas trancamos a cachorrinha no banheiro e não mais fora do quarto. Enquanto você dorme tranquila, nós aproveitamos a noite. Fantástico, não é?
E aí tudo aconteceu de uma forma meio rápida demais e um pouco... não seria violenta, mas grosseira talvez. levantou a frigideira, se preparando para acertar minha cabeça. Instintivamente, protegi minha barriga. Esperava de coração que ela não notasse esse gesto, mas eu preferia que ela me machucasse a acertar o meu bebê.
- Abaixa essa mão agora – disse a voz séria e alta de . Ele estava parado na porta da cozinha, as bochechas vermelhas e os cabelos molhados. Provavelmente tinha ido lavar o rosto para tentar se acalmar. – Acerte a minha noiva e eu não respondo por mim, .
Ela não fez qualquer objeção. Abaixou o braço e ele se aproximou. Tirou a frigideira das mãos de e a jogou no chão. Resmunguei. Era nova, poxa!
- , eu posso explicar.
Ele levantou a mão.
- Não quero ouvir. Vim buscar a . Preciso da ajuda dela para terminar minhas malas e para me acalmar também. Deus sabe o que eu tenho vontade de fazer com você nesse exato momento, . Mas eu sei que a não aprovaria, então em respeito a ela, a sua amiga e ao seu filho, vou para o meu quarto cuidar do que realmente me importa – senti a mão de segurando a minha. Ele tremia. – Mas assim que eu terminar vou olhar o quarto de hóspedes. Não quero encontrar nem a sua sombra lá. Você tem menos de dez minutos para sair dessa casa.
- , por favor, me escu...
- Cala a boca – gritou ele, me fazendo dar um pulo. – Não me faz perder o pouco de paciência que me resta! Você abusou da minha boa vontade, . Você me fez brigar com a pessoa que eu mais amo no mundo! Ah é, porque se você pensava que eu e a não estávamos bem, deixa eu te dar um aviso então: nunca estivemos tão felizes em todo o tempo que namoramos. E eu só trocaria uma pessoa incrível como ela por uma qualquer como você se eu estivesse maluco. Se bobear, nem assim!
Algumas lágrimas falsas brotaram dos olhos dela. Aquilo quase me fez vomitar, sério. Ela era uma péssima atriz.
- Você entendeu tudo errado – disse . – Não foi, Amy? Ele entendeu errado.
A mão de , que antes apertava a minha, foi parar no braço de . Para meu espanto, ele a arrastava escada acima, levando-a para o quarto de hóspedes. Corri atrás deles, tentando faze-lo parar. Tudo o que eu menos precisava era do pai do meu filho preso por agressão.
- , não – falei puxando-o pela outra mão. – Amor, não faz isso, não vale a pena.
Mas ele era mais forte do que eu. Acabei sendo puxada por meu noivo, que subiu as escadas com ferocidade. Abriu a porta de hóspedes com força, assustando Edward, que começou a chorar. Depois, jogou na cama.
- Desaparece daqui, . Você, o seu filho e a sua amiga nojenta! – ele gritava de uma forma assustadora. Snow nem ousou aparecer na porta para espiar a cena. Minha preocupação era com a forma que gesticulava. Ele nunca fora violento, mas estava aos poucos se aproximando de . Espalmei minhas mãos em seu peito, empurrando-o para fora do quarto.
- , ! – eu gritava. – Chega! Para com isso. Você está me assustando! Vamos para o nosso quarto, por favor.
Ele se deixou levar e finalmente saiu de perto de . Edward chorava escandalosamente no canto do quarto. Senti-me mal. O que será que esse menino já tinha presenciado com os pais? Ele, de certa forma, gostava de . E agora assistia seu novo amigo botando sua mãe e ele mesmo para fora. Abaixei-me e o pequeno veio correndo para os meus braços.
- Vai ficar tudo bem, viu? – falei beijando sua cabeça pequena. – Não se preocupe, você vai ficar bem. O tio sabe que não é sua culpa e gosta muito de você.
Edward me apertou em seus pequenos braços. A ideia de o meu filho presenciar uma cena dessas um dia me deixou apavorada. Meu Deus, o que eu devia fazer? Cuidar do meu noivo ou do menino? Tudo bem que ele não era meu filho, mas ele era apenas uma criança! Não merecia passar por aquilo, não importa o que os seus pais fizeram ou até mesmo quem eles são. apareceu na porta do quarto e respirou fundo.
- Ei garotão – disse ele se abaixando e abrindo os braços. – Vem cá dar um abraço no tio !
Edward me olhou assustado e eu o encorajei. Ele foi andando todo encolhido e parou na frente do meu noivo. Ganhou um abraço apertado e muitos beijos. Assim que se livrou dos braços de , voltou correndo para o quarto de hóspedes, parecendo mais tranquilo. Agora era a hora de cuidar do meu bebezão, que permanecia abaixado e me encarando com tristeza.
- Vem – falei pegando-o pela mão. Beijei suas costas e o ajudei a se levantar. – Vamos terminar de arrumar as suas coisas e descansar. O dia vai ser corrido pra você amanhã.
Ele entrou e sentou pesadamente na cama. Fechei a porta, recebendo um olhar confuso de Snow, que estava deitada dentro da mala de . Ordenei que saísse de lá, mas ela pouco se importou.
- Eu não sei o que está me matando mais – disse ele. – Se é o fato de ela realmente ter abusado da minha boa vontade ou se foi eu ter brigado com você por causa dela.
O olhar que recebi de deixou claro o tamanho da dor que ele sentia. Eu não estava mais brava. De verdade. Lógico que o sentimento de vitória por eu ter conseguido provar que estava mentindo ajudava a não me deixar louca da vida. Mas longe de mim estar feliz com aquela situação. Ela realmente pisou em cima de e isso era o que me incomodava mais. Ele não merecia. Tinha um coração imenso, uma alma generosa. Não precisava passar por esse tipo de situação. Abracei-o forte e deitei sua cabeça em minha barriga. passou os braços ao redor de minhas pernas e começou a dar beijinhos carinhosos em nosso bebê.
- Passou – falei enquanto mexia em seus cabelos. – Vai ficar tudo bem. Ela vai embora, nossa vida vai voltar ao normal. O McFLY vai arrasar no lançamento do CD novo, logo meus pais chegam. Vamos passar um Natal tranquilo e curtir nosso filhote. Depois vocês vão sair em turnê e eu e o Alien vamos torcer muito, muito para que tudo dê certo e que vocês ganhem todos os prêmios do mundo!
Ele me olhou, torcendo o nariz para o apelido do nosso filho.
- Não te mereço, sabia?
- Ah eu sei – respondi rindo. – Até porque, do jeito que você é insuportavelmente chato comprando cuecas, você não me merece mesmo!
riu. Derrubou-me na cama e deitou por cima, sem deixar que todo o seu peso caísse sobre mim.
- Vai me torturar eternamente com essas cuecas, né?
Fingi pensar.
- Posso mudar essa situação se você prometer que vai ser mais legal!
Ele riu e me calou com um beijo. deveria me agradecer. O fato de eu ter seduzido naquele exato momento deu a ela pelo menos três horas para sair de nossa casa. Primeiro porque ficamos nos agarrando, segundo porque acabamos transando, terceiro porque fomos tomar banho (e encontramos Snow escondida no banheiro, coitada!) e quarto porque fomos terminar de arrumar as malas dele. Depois, vencida pelas vontades do nosso filhote, finalmente saímos do quarto e fomos a procura de alguma comida pela casa.
- Argh, ela deixou a minha cozinha toda bagunçada – resmunguei enquanto pegava a frigideira no chão. – E esse cheiro? Ela estava cozinhando o que? As suas meias?
não respondeu. Começou a limpar a sujeira que havia deixado para trás.
- Ei. Tudo bem?
Ele me olhou.
- Fiquei pensando na cara do menino quando me viu entrando no quarto – respondeu pesaroso. – Não sei o que me deu. Perdi o controle.
Coloquei a frigideira dentro da pia e acariciei seu braço.
- Mas ele ficou bastante feliz com o seu abraço – falei sorrindo.
- Eu te assustei.
- Eu só fiquei preocupada, . Não queria que ela prestasse queixa contra você ou algo assim. E eu nunca te vi daquele jeito. Tão bravo, tão agressivo, tão...
- Monstro?
Revirei os olhos.
- Além de ser pior para fazer compras, você é mais dramático do que eu. Tão irritado. Era isso que eu ia dizer.
Ele concordou com um aceno de cabeça. Achei que a limpeza poderia ficar para o dia seguinte. Peguei o celular de , que estava em cima da mesa, e sentei na bancada da cozinha. A agenda telefônica dele era fantástica: pizza, pizza, pizza, comida japonesa, mamãe, , sala da na O2, restaurante favorito da , , , , Matt, comida japonesa, pizza, pizza, pizza, comida italiana, loja de bebidas e sex shop. Tudo que um ser humano precisa para sobreviver. Comida, bebida, noiva, mãe, amigos e sex shop. Na dúvida, liguei para a Domino’s, que era a pizzaria favorita do McFLY. Encomendei três pizzas de sabores diferentes, para o espanto de . Mas só ele comia uma e meia. Eu comeria a outra e a metade que sobrasse. Estava faminta! Essas situações meio tensas, seguidas de sexo, abriam o meu apetite!
Errei nas contas. comeu uma pizza inteira, eu comi a outra e mais seis pedaços da terceira. Guardei dois para o café da manhã do dia seguinte. Se eu continuasse nesse ritmo, iria sair rolando durante o parto do meu filho. Nunca tinha comido tanto na minha vida! Terminamos de arrumar as malas dele e ficamos na sala, conversando, trocando carinhos. acendeu a lareira e um barulho gostoso de madeira queimando tomou conta do ambiente. Eu estava em Londres, numa noite fria de novembro, sendo aquecida pelo fogo e por meu noivo. Não poderia querer nada melhor.
- Promete que vai se cuidar? – perguntou ele beijando minha cabeça.
- Já prometi mil vezes!
- Promete mil e uma?
Sorri.
- Prometo.
Estávamos aninhados no sofá da forma mais torta possível. Ele deitado, as costas apoiadas no encosto, eu deitada de lado, com me abraçando por trás enquanto nossas pernas se entrelaçavam, me impedindo de cair. Snow tentou arranjar um espaço entre nós, mas quando viu nossa situação, desistiu e foi deitar em cima da almofada que jogara para ela. Eu estava tão cansada que senti meu corpo amolecendo. O dia tinha sido puxado, convenhamos. Saí para fazer compras com o meu noivo, depois teve todo o episódio da expulsão da . Nossa comemoração por três horas e uma pizza e meia. Ufa. Não era a toa que eu mal conseguia ficar de olhos abertos. Sendo assim, me entreguei ao sono ali mesmo, sem me importar com os beijos provocantes que meu noivo estava dando atrás da minha orelha.
O despertador tocou exatamente às 6h30. Tentei não me mexer, afinal, não queria cair do sofá. Para minha imensa surpresa, eu estava em minha cama. dormia ao meu lado, Snow esparramada entre nós. Fiquei confusa. Eu jurava que tinha dormido no sofá. Como tinha ido parar na minha cama? Eu era sonâmbula? Ri sozinha. Claro que havia me levado. Duh! Arrastei-me até o banheiro, fiz toda minha higiene matinal, voltei para o quarto, me troquei. Nem sinal daqueles dois. Continuavam dormindo feito duas pedras. Um ronco mínimo ecoava da cama e tive que prender a respiração para não rir. Você também achou que fosse o , né? Era a Snow! Minha cachorra estava roncando!
Fui até a cozinha e soltei um muxoxo de desaprovação ao ver a bagunça deixada por . Arrumei tudo o mais rápido que pude e comecei a preparar o café. O ônibus da banda passaria em nossa casa por volta de 7h45 e, se eu bem conhecia meu noivo, ele levaria pelo menos meia hora só para comer. Assim como eu, não era uma pessoa que funcionava muito bem antes das 10 da manhã. Deixei a mesa pronta e voltei para o quarto. Continuavam na mesma posição.
- – sussurrei em seu ouvido, cutucando-o de leve. – Amor, acorda. São sete horas.
Ele resmungou.
- Mais cinco minutinhos, ... Só cinco minuti...
Coitado. Mal conseguia acabar uma frase.
- Eu adoraria, mas os meninos vão passar aqui em 45 minutos – tirei Snow da cama e joguei a coberta no chão. odiava não ter nada cobrindo sua bunda, como ele mesmo dizia.
- – ele resmungou e sentou na cama. Depois me encarou sem nem conseguir abrir os olhos direito. – Pensei que você me amasse!
- Eu amo – falei rindo. – Tanto amo que estou te acordando de uma forma amigável. Tenho certeza que eles adorariam te jogar um balde de água gelada na cabeça.
Ele também tinha a mesma certeza, tanto que se encolheu quando relembrei um fato de uma turnê passada. Literalmente trabalhando no piloto automático, foi até o banheiro e por lá ficou durante uns 20 minutos. Depois, ainda com uma imensa cara de sono, desceu comigo para tomar café da manhã. Eu podia jurar que ele estava dormindo enquanto mastigava sua torrada. Mas minha ideia logo foi interrompida por sua mão me puxando para sentar em seu colo, o que eu fiz sem reclamar.
- Acorda, meu músico favorito – falei distribuindo pequenas mordidas em seu pescoço.
- To tentando – resmungou.
Ficamos abraçados e trocando carinhos por poucos minutos. A campainha logo soou, deixando um clima de total tristeza pela casa. Meu noivo subiu para pegar suas malas enquanto eu abria a porta. Um sorridente esperava, ladeado por um emburrado e um sonolento.
- Bom dia, – disse , entrando em minha casa como se tivesse chegado para uma festa. – Onde está o último integrante de nossa amável banda?
- Bom dia, . foi buscar as malas dele, já está vindo.
- Isso é um milagre – resmungou se jogando no sofá. – Se eu soubesse que você seria a cura para os atrasos do , teria ido te buscar no Brasil há muito mais tempo!
Olhei para a escada. Nem sinal de .
- Então vocês podem me agradecer cuidando muito bem dele. E se eu souber que vocês levaram o meu noivo para alguma noitada, o deixaram beber até cair e chegar perto de alguma inglesa de beco, eu arranco as bolas de cada um. Entenderam?
- Sim senhora! – , e responderam em coro.
Meu noivo apareceu rindo segundos depois. Certamente tinha ouvido minhas ordens e se divertia com as caras de espanto de seus amigos. Entregou suas malas para o motorista do ônibus e, um a um, os meninos foram se despedindo. Acompanhei até a porta de nossa casa, já que eu ainda estava de pijamas. O abracei o mais forte que pude e senti sua mão passear em minha barriga.
- Se cuida, tá? – ele sussurrou carinhosamente em meu ouvido. – Vou morrer de saudades de vocês. E qualquer coisa, me liga!
- Vou me cuidar e cuidar do nosso filhote – respondi da mesma forma. Depois encarei seus olhos perfeitos. – Volta pra mim, tá? Vou ficar esperando!
Um imenso sorriso tomou conta do rosto de . Ele me apertou ainda mais em seus braços e me beijou. Eu sentiria uma imensa falta dele. De sua bagunça, de suas piadas, de suas ideias malucas. De sua teimosia, de seu perfume. De acordar todos os dias com seus olhos me observando. Tudo. Escutamos gritar de dentro do ônibus, reclamando da demora de . Meu noivo, por sua vez, depositou um carinhoso beijo em minha testa e foi se juntar aos seus grandes amigos. Fiquei parada na porta, olhando o imenso automóvel vermelho se afastar, levando o meu coração com ele.
N/a (19/11/2011): Tchau , você já vai tarde. Humpf! Foi com muito prazer que a coloquei para fora, viu? Folgada dos infernos! Enfim. Espero que tenham gostado desse capítulo. Escrevi em cinco minutos, sem piscar nem respirar. Tenso.
Anotei todos os endereços e já escrevi... muitos cartões. Gente, agora eu entendo o que o Taylor Lautner sente quando assina trocentas mil fotos. Mas tô fazendo isso com muito carinho, podem ter certeza! Fiquei muito feliz com a quantidade de gente que lê as minhas notas de autora. Agora vou lançar um desafio, pode ser? Pode, né? Eu sabia que vocês aceitariam, hehe!
Eu estou escrevendo um livro. De verdade. Mesmo. Totalmente diferente da fanfic. E quero duas pessoas para ler alguns capítulos e me falar se está bom ou não. Mas vocês tem que ser sinceras, hein? Afinal, quero tentar publicar, então tem que estar mais do que perfeito! A brincadeira vai ser sorteio, pelo Twitter. Não precisam me seguir se não quiserem, mas tem que postar a seguinte frase:
Já leu a fanfic da @mariana_pereira? Não? Tá esperando o que? Corre lá! http://kingo.to/THY #TWILY
No sábado que vem, dia 26, eu mando um capítulo pro Fanfic Addiction com o resultado. E as duas pessoas que lerem a história terão seus nomes publicados na lista de agradecimentos do livro. Conto com a participação de todo mundo, hein?
Beijos, beijos.
@mariana_pereira